Show do Edu Falaschi, que comemora o aniversário do Temple of Shadows, teve muito carisma, honestidade e participações de peso.

No último dia 5 de julho, o Tokio Marine Hall, em São Paulo, foi palco de uma noite memorável para os fãs de metal melódico e, em especial, para os admiradores do trabalho de Edu Falaschi. Com uma produção grandiosa, o vocalista celebrou os 20 anos do álbum Temple of Shadows, originalmente lançado com o Angra em 2004, com a turnê Temple of Shadows in Concert — um projeto que mostra o cuidado do vocalista com seu legado e que trouxe pirotecnia, orquestra e participações especiais.

A proposta ambiciosa de Edu Falaschi com a turnê Temple of Shadows in Concert é dar vida a um dos álbuns mais emblemáticos do Angra tocando-o na íntegra e recriando a atmosfera épica do disco. Assim, o show começou com a orquestra abrindo os primeiros acordes de “Deus Le Volt!”, logo seguida pela explosiva “Spread of Fire” e “Angels and Demons”, que literalmente incendiou o palco com pirotecnia e efeitos visuais.

Entre os momentos mais marcantes da apresentação, destaca-se “The Temple of Hate”, que contou com a participação especial de Kai Hansen (Helloween, Gamma Ray), que gravou a música originalmente. Já a poderosa “No Pain for the Dead”, interpretada com Adrienne Cowan (Seven Spires, Avantasia), deu protagonismo à orquestra e mostrou a beleza dos arranjos em meio ao peso do metal.

O clima do show também teve espaço para a emoção. Em “Wishing Well”, Edu Falaschi assumiu o violão e dividiu o palco com o talentoso guitarrista Victor Franco, que mostrou sua versatilidade alternando entre o violão e a guitarra. As músicas “Sprouts of Time” e “Morning Star” mantiveram o tom emocional, preparando o terreno para o encerramento do set principal com “Late Redemption”. A canção, que originalmente conta com Milton Nascimento, foi interpretada de forma especial com o público assumindo os vocais em português, criando um dos momentos mais emocionantes da noite.

Após o encerramento da apresentação do álbum Temple of Shadows, o show ainda reservou espaço para outros sucessos da carreira de Edu Falaschi. Os fãs vibraram ao som de clássicos como “Rebirth”, “Nova Era” e “Bleeding Heart”, além da versão de “Pegasus Fantasy”, imortalizada por ele no anime Os Cavaleiros do Zodíaco.  E ainda teve espaço para “The Ancestry”, de seu álbum solo Vera Cruz.

Para encerrar em grande estilo, Edu Falaschi recebeu novamente Kai Hansen, Roy Khan, Adrienne Cowan e Bill Hudson para uma poderosa versão de “I Want Out”, do Helloween, transformando o show em uma verdadeira celebração do metal internacional.

Entre honestidade e carisma

Um dos grandes trunfos de Edu Falaschi é, sem dúvida, o seu carisma. Durante o show, ele interagiu com a plateia, brincou sobre outras bandas também estarem homenageando o Temple of Shadows (“Eu sei que nesse aniversário do Temple of Shadows tem muita gente fazendo show desse álbum: Angra, Shaman…”) e foi transparente sobre as limitações vocais que vêm com o tempo: “Já estou com 53 anos, minha voz hoje não é a mesma de 20 anos atrás”, disse com honestidade.

Apesar das mudanças perceptíveis em alguns tons e notas, o que conquista o público é o cuidado com cada detalhe do espetáculo: desde o cenário épico até a escolha dos músicos convidados. A atenção ao legado e à experiência do fã transforma os shows de Edu Falaschi em eventos aguardados e celebrados.

Edu Falaschi. Foto: Anderson Hildebrando

A apresentação do Edu para o Temple of Shadows é, com certeza, uma das mais aguardadas neste ano de tantos tributos ao álbum, afinal foi em sua voz que ele se eternizou. O espetáculo pode não ter sido tecnicamente perfeito em todos os momentos, mas foi emocionalmente e musicalmente extraordinário, proporcionando uma celebração grandiosa, nostálgica e inesquecível.

Roy Khan emociona fãs com aniversário do The Black Halo

O vocalista Roy Khan, ex-Kamelot e atual frontman do Conception, mostrou estar completamente à vontade em solo brasileiro. Sorridente e conectado com a audiência desde os primeiros minutos, o cantor proporcionou um verdadeiro presente aos fãs de metal ao celebrar os 20 anos do icônico álbum The Black Halo, do Kamelot.

Em um show repleto de emoção, Khan apresentou clássicos como “When the Lights Are Down”, “Moonlight”, “Abandoned”, “Memento Mori”, e a inesquecível “March of Mephisto”, arrancando aplausos e coros apaixonados da plateia. As trocas de roupa e a performance teatral reforçaram a entrega artística do músico, que dividiu o palco com dois convidados igualmente performáticos: a vocalista Adrienne Cowan (Seven Spires, Avantasia) e o guitarrista Bill Hudson. O trio protagonizou momentos emblemáticos, com interpretações intensas e envolventes.

O espetáculo contou ainda com o suporte da Orquestra Sinfônica Jovem de Artur Nogueira, sob regência do maestro Ricardo Michelino, além da banda Maestrick como base instrumental. Também integraram o time o baterista Alexandre Magno (Pense, Our Last Creation) e os backing vocals de Juliana Rossi e Fábio Caldeira (Maestrick), compondo um timaço que ajudou a tornar a apresentação do Roy Khan memorável.

Roy Khan e Adrienne Cowan. Foto: Anderson Hildebrando

Auro Control e Norturnall mostram a força do rock

Na noite de shows marcada por peso e técnica, duas bandas abriram o evento com apresentações marcantes: Auro Control e Noturnall. Apesar de contratempos técnicos, ambas conquistaram o público com energia, simpatia e profissionalismo.

A primeira a subir no palco foi a Auro Control, que mostrou porque vem ganhando espaço na cena nacional. Em sua segunda apresentação em São Paulo — a estreia foi no ano anterior — a banda cativou a plateia com um som técnico e pesado, mesmo enfrentando problemas que deixaram o vocal um pouco baixo. Ainda assim, o carisma do vocalista compensou a falha, conectando-se com o público com desenvoltura. 

A sonoridade dos baianos da Auro Control mescla peso com melodia, revelando um trabalho consistente e promissor. E, com certeza, um dos grandes destaques da apresentação foi o baixista, que mostrou seu domínio técnico e brilhou em cada acorde. A banda ainda comentou que são apadrinhados por Thiago Bianchi, vocalista da Noturnall, que tocou a seguir.

Auro Control. Foto: Anderson Hildebrando

Na sequência, foi a vez da Noturnall dominar o palco com seu som grave e poderoso. A apresentação, no entanto, foi marcada por imprevistos técnicos que forçaram mudanças no setlist e até a improvisação de um momento acústico, devido a falhas com a guitarra e microfones. 

O vocalista Thiago Bianchi conduziu o show com bom humor, aproveitando os momentos de dificuldade para enaltecer os integrantes da banda e interagir com a plateia. Ele ainda pediu ao público para ser gentil com eles na internet, diante dos problemas, e evitar “hates”. Aquela mudança rápida de banda por alguns segundos. Apesar dos problemas, o grupo entregou um espetáculo de peso, mantendo a atenção e o carinho com os fãs até o último acorde.

Com apresentações enérgicas, as bandas de abertura mostraram que, mesmo diante de desafios, o show sempre deve continuar. Conheça mais sobre as bandas Auro Control e Noturnall.

Noturnall. Foto: Anderson Hildebrando

Fotos: Anderson Hildebrando @andersonh_fotografia
Assessoria de Imprensa: Thiago Rahal Mauro @trmpress

Veja setlist do show do Edu Falaschi
  • Deus Le Volt!
  • Spread Your Fire
  • Angels and Demons
  • Waiting Silence
  • Wishing Well
  • The Temple of Hate (com Kai Hansen)
  • The Shadow Hunter
  • No Pain for the Dead (com Adrienne Cowan)
  • Winds of Destination (com Adrienne Cowan)
  • Sprouts of Time
  • Morning Star
  • Late Redemption

________________

  • The Ancestry (Edu Falaschi)
  • Bleeding Heart (Angra)
  • Pegasus Fantasy (Tema Os Cavaleiros do Zodíaco)
  • Rebirth (Angra)
  • Nova Era (Angra)
  • I Want Out (Helloween cover – com Kai Hansen, Roy Khan, Adrienne Cowan e Bill Hudson)

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