Após ser febre em meados dos anos 2000, o emo ressurge em meio a leva de nostalgia e retorno de grandes artistas. Mas, será que é só isso?

Sucesso arrebatador em meados dos anos 2000, o emo se fixou como uma forte marca da década e figurou como um dos últimos estilos de rock a ter grande exposição na mídia. Apesar de ter nascido no underground, o emo ganhou proporções de mainstream e ultrapassou a barreira do gênero musical, se tornando referência de estilo e comportamento. 

Afinal, quem não lembra das famosas franjas e cabelos pretos cobrindo o olho, o visual de tachinhas, luvas, tênis e meias quadriculadas? Era impossível ignorar a presença do emo e difícil não perceber o quão impactante ele foi em seu auge.

Tendo sido um ícone da juventude da época e expoente da moda, nada mais comum que ele perdesse popularidade com o tempo. No entanto, desde 2020 o emo tem, timidamente, ganhando força novamente até culminar com a sua volta total no ano de 2023.

Prova disso foi a divulgação da I Wanna Be Tour, que vai trazer grandes nomes do emo e passará por diversas cidades do Brasil. Em pouquíssimo tempo, os ingressos esgotaram em São Paulo e a internet não falava de outra coisa.

O festival emo acendeu uma tocha de nostalgia quando anunciou artistas como Simple Plan, A Day to Remember, The All-American Rejects, The Used, Asking Alexandria, NX Zero, Boys Like Girls, Fresno e outros.

O ano dos reencontros nostálgicos

No ano passado, vivemos uma grande leva de turnês de retorno e reencontro de bandas como aconteceu com Rebeldes (RBD), Titãs e NX Zero. Estas duas últimas tours, aliás, foram responsabilidade da 30e, mesma produtora que idealizou a I Wanna Be Tour. 

Já a fórmula do festival foi provada e aprovada com o sucesso das turnês de retorno, que tiveram superprodução, temporada estendida e casas de show lotadas. O Allianz Parque, estádio que fica em São Paulo, ficou pequeno para abrigar tantos fãs. E muitas outras mega turnês de retorno estão previstas para 2024.

Mas, focando na I Wanna Be Tour e outros festivais emo que têm surgido, sabemos que de tempos em tempos, tudo volta. A moda está aí para não nos deixar mentir. Mas, apesar de esta ser uma grande oportunidade de lucrar com a nostalgia, os “emos velhos” nos dizem algo mais. 

Quem não lembra do visual marcante dos emos?

Quando o emo morreu? Pergunte a um “emo velho”

Se você parar para conversar com qualquer pessoa que ainda escuta os artistas do gênero, vai notar que para para eles, o emo nunca deixou de ser notório. É como se os emos tivessem vivido às escuras esperando seu momento de ressurreição.

Aliás, nunca se ouviu falar tanto do termo “emo velho”, dado às pessoas que curtiam o estilo em meados dos anos 2000 e que continuam fiéis ao gênero ainda hoje, anos depois. 

O que vemos, no fim das contas é uma natural atualização do emo. Afinal, depois de tanto tempo, aqueles jovens na casa dos 15 anos estão, hoje, beirando os 30, 40 anos e a vida acontece. Então, o outfit não é mais o mesmo, nem os cabelos e nem a vida é. Graças a Deus. Aliás, nem as bandas são.

É notável a evolução sonora e de visual de muitos artistas ícones do estilo. Tal qual o próprio NX Zero, já mencionado aqui, que é um verdadeiro exemplo de como o gênero se reinventou e se adequou aos fãs que cresceram junto com eles.

NX Zero em apresentação da Tour Cedo ou Tarde no Rio de Janeiro.
Foto: Priscilla @jardim_sonoro

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O respeito vem com a maturidade

O emo foi um daqueles gêneros que emergiu absurdamente e quebrou a barreira do underground chegando até ao mainstream. E, claro, logo foi tratado pelos puristas do rock como algo bobo, moda passageira e “vergonha da profission”. Enquanto os fãs sofriam horrores, muitas vezes, até violência física.

Ser emo era sinônimo de vergonha e por isso tanta gente negava ser e se escondia. Mas o que é a maturidade, não é mesmo? Ela chega para alguns. E, agora, após duas décadas, chama a atenção o tom de respeito que o gênero ganhou. 

Talvez no passado, um festival como a I Wanna Be Tour fosse impensável. Mas, agora, mais do que nunca, o emo se firmou como estilo de vida e figura dentre os estilos do rock que marcam a expressão de uma década.

O “retorno” do emo funciona como uma espécie de acerto de contas.

A volta dos que não foram

No final, o emo está ressurgindo para os olhos do mundo, mas, para quem foi fiel ao gênero desde o início, esse “retorno” funciona como uma espécie de acerto de contas. Afinal, agora, os “emos velhos” podem finalmente sair do anonimato sem medo de ser quem são.

Assim como tão bem representa a trend do Tik Tok que celebra a nostalgia do fã juvenil que só depois de adulto pode realizar o sonho de ver a sua banda do coração. E, quem sabe, daqui a mais 20 anos a gente veja o show de encerramento da carreira do Simple Plan e depois a sua “volta dos que não foram” mais alguns anos depois como toda grande banda de rock deve fazer.

Sobre a I Wanna Be Tour

Realizada pela 30e, a turnê itinerante tem passagem confirmada por cinco capitais: São Paulo, Curitiba, Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte

A turnê reunirá – em sua primeira edição – nomes nacionais e internacionais que têm o rock, as suas nuances e atitudes como ponto de partida. São eles: Simple Plan, A Day To Remember, The All-American Rejects, All Time Low, The Used, Asking Alexandria, NX Zero, Pitty, Boys Like Girls, Mayday Parade, Plain White T’s e Fresno. 

As doze atrações estarão presentes em todas as cidades pelas quais a I Wanna Be Tour passar e os ingressos estão disponíveis na Eventim.

Serviço I Wanna Be Tour 2023

Atrações: Simple Plan, A Day To Remember, The All-American Rejects, All Time Low, The Used, Asking Alexandria, NX Zero, Pitty, Boys Like Girls, Mayday Parade, Plain White T’s e Fresno

Datas e locais:

2 de Março – São Paulo – Allianz Parque

3 de Março – Curitiba – Estádio do Couto Pereira

6 de Março – Recife – Area Externa do Centro de Convenções Pernambuco

9 de Março – Rio de Janeiro – Engenhão – Estádio Nilton Santos

10 de Março – Belo Horizonte – Arena da Independência

Classificação: 16 anos. Entrada e permanência de crianças/adolescentes de 05 a 15 anos de idade, acompanhados dos pais ou responsáveis, e de 16 a 17 anos, desacompanhados dos pais ou responsáveis legais.

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