Titãs Encontro celebra os 40 anos de trajetória da banda levando um verdadeiro espetáculo aos palcos com direito a muitas homenagens, discurso politizado, coreografias clássicas e até pose ao melhor estilo Vingadores.
O show Titãs Encontro aconteceu dia 18/06 no Allianz Parque em São Paulo e foi o terceiro dia de ingressos esgotados na cidade natal da banda. E, para celebrar os seus 40 anos de trajetória, os Titãs montaram um mega espetáculo, que foi televisionado pelo canal Multishow e levou os fãs a um verdadeiro passeio pela sua carreira.
Além de contar com a abertura da banda de hard rock Sioux 66, que tem como guitarrista o filho do vocalista Branco Mello (Bento Mello).
A turnê “Titãs Encontro – Todos ao Mesmo Tempo Agora” reúne todos os integrantes que já passaram pelo grupo para shows que começaram em abril e seguem até o final de junho passeando pelo Brasil. Além de ter, também, três datas internacionais (na Flórida, Nova Iorque e Portugal). Confira todos os detalhes do show de 18/06 em São Paulo.
Sioux 66 energiza o público com hard rock autoral
O evento Titãs Encontro começou pontualmente com a abertura da banda Sioux 66, um grupo de hard rock paulistano formado em 2011, que conta com Igor Godoi (vocal), Bento Mello (guitarra), Fabio Bonnies (baixo), Gabriel Haddad (bateria) e Yohan Kisser (guitarra).
A banda esbanjou energia com seu som hard rock em português e inglês e conseguiu dar uma injeção de ânimo na plateia que esperava na fria noite de 18/06, no Allianz Parque em São Paulo.
Os destaques vão para a simpatia do vocalista Igor Godoi e para a técnica impecável do grupo que demonstrou ter grande domínio do palco.

“Quem quer manter a ordem? Quem quer criar desordem?”
O show foi intercalado por atitudes politizadas em forma de discurso, música e ações. Na canção “Nome aos bois”, por exemplo, integrante do álbum Jesus não tem dentes no país dos banguelas (1987), Nando Reis recita nomes de ditadores e figuras públicas que foram, de algum modo, nocivas em suas atitudes.
Durante a apresentação no show do dia 18/06, Nando aproveitou para incluir o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro e reforçar o quão obscuro foi o período do seu mandato. Algo que causou estranhamento aos fãs acostumados com a fase solo romântica do cantor e esquecidos de sua era politizada como vocalista e baixista dos Titãs.
Além disso, ao final da apresentação, a banda carregou a bandeira LGBTQIAP+ para demonstrar apoio à comunidade que celebra seu mês do orgulho em junho.
E a própria escolha do setlist com agressivas músicas da fase inicial da carreira que fazem duras críticas ao Estado e à religião fizeram alguns fãs desavisados, literalmente, arregalaram os olhos de susto.
Isso tudo só prova que a energia rock questionadora dos Titãs não morreu com o passar dos anos nem assumiu uma identidade conservadora (ou reacionária) como aconteceu com muitas bandas brasileiras de seus contemporâneos.
Leia também:
– Staut: de cervejaria até 18 anos de rock pesado em português
– 2ª edição do Pruda Fest agita o público com grandes apostas do metal brasileiro
– Deceivers: o novo do Arch Enemy é mais death ou heavy?
– Banda de dark rock Nihil9 comenta faixa a faixa do EP Reina o Caos
“Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração”
Como não poderia deixar de ser, o show Titãs Encontro trouxe diversas homenagens a artistas que fizeram parte da história da banda e que já se foram.
A primeira, claro, foi dedicada ao ex-guitarrista Marcelo Fromer, que faleceu em 2001. Para essa turnê, ele foi substituído pelo músico e produtor Liminha, que trabalhou com bandas como RPM e Os Mutantes e também participou de gravações de álbuns do Titãs.
Além disso, para completar a homenagem, a filha de Marcelo, Alice Fromer, entrou no palco para cantar algumas canções compostas pelo pai como “Toda cor” e “Não vou me adaptar”.
Mas outros homenageados entraram no setlist como a rainha do rock brasileiro Rita Lee (falecida em 2023), que teve sua música “Ovelha negra” interpretada no palco. E também Erasmo Carlos (falecido em 2022), cuja música “É preciso saber viver”, em parceria com Roberto Carlos, foi regravada pelos Titãs no final dos anos 90 e, desde então, marca presença nas apresentações do grupo.
Outros dois momentos merecem ser citados, apesar de não fazerem referência a artistas que nos deixaram. Um deles é a exibição de filmes antigos da banda, que mostra os integrantes revelando seus pensamentos sobre os Titãs e a música. Esse filme aparece no meio do show e faz uma belíssima conexão entre o passado e o presente, nos fazendo refletir sobre o significado dos seus 40 anos de trajetória.
Outro momento foi o relato do vocalista Branco Mello no palco. Ele se apresentou com voz rouca e apoiado pelos outros vocalistas do grupo. Na ocasião, ele comentou sobre sua cirurgia para retirada de um tumor da garganta e o quanto estar se apresentando era um momento de vitória para ele, que agora, recuperado, pôde voltar a falar e cantar.

“Domingo eu quero ver” quem sabe cantar
O setlist do grupo, apresentado no domingo 18/06, foi realmente pensado para os fãs e contou com músicas de um passado profundo, em que os jovens titãs do iê iê iê tinham letras cortantes e politizadas, passando também por grandes clássicos e doces canções acústicas que marcaram a carreira do grupo.
Nisso, os Titãs presentearam os fãs com a possibilidade de ver a formação original cantar músicas que atualmente não se encaixam no repertório de alguns deles como “Estado violência”, “Igreja”, “Nome aos bois”, “Jesus não tem dentes no país dos banguelas”, “Porrada” e “Miséria”.
Além disso, o set abrangeu clássicos como “Bichos escrotos”, “Televisão”, “Marvin”, “Flores”, “Família” e “Polícia”, que fizeram o público entrar em polvorosa.
E, claro, não poderia faltar a pausa para o som desplugado, que marcou uma importante fase da banda: a gravação do Acústico MTV. Dele, vieram as versões de “Os cegos do castelo”, “Pra dizer adeus” e “Não vou me adaptar”.
A banda tocou, ainda, seus clássicos mais recentes como “Epitáfio” e finalizou voltando ao início de sua trajetória apresentando um dos primeiros sucessos: “Sonífera ilha”.
Titãs do iê iê iê e suas dancinhas
Numa época marcada pela popularização das dancinhas de Tik Tok, os Titãs nos lembraram quem brilhava na TV nos anos 80 com suas coreografias.
Nisso, vale destacar a coreografia ainda muito bem ensaiada de perninhas pra frente e pra traz que sempre acompanhou a apresentação de “Sonífera ilha”, eternizada pelo antigo Programa do Chacrinha.
Sem contar na absurda energia de Arnaldo Antunes, que seguiu a icônica performance corporal que se tornou sua marca registrada.
E vale destacar, também, a finalização do show, em que cada músico escolhe uma posição ao melhor estilo Vingadores e faz uma pausa dramática para fechar de forma icônica o tão esperado encontro de décadas.

No geral, a escolha do setlist, das participações, as imagens dos telões, o cuidado das coreografias e os discursos fizeram de Titãs Encontro um verdadeiro espetáculo, digno de ter sido televisionado e que vai ficar pra história não só da banda, mas de todos os fãs presentes.
Confira um resumo do que rolou no show Titãs Encontro nesse vídeo do Jardim Sonoro. Já aproveita e segue a página para saber tudo que rola no rock e metal do underground ao mainstream.





Leave a Reply