Banda gaúcha de heavy rock, que surgiu a partir de uma cervejaria familiar, comemora 18 anos fazendo um som magnético e cheio de letras inteligentes mostrando a força de um rock nacional que ainda resiste.

Staut é uma banda de heavy rock nascida no Vale do Paranhana, no Rio Grande do Sul. O nome é uma adaptação de “stout”, um tipo de cerveja artesanal escura e que marca bem a primeira fase da banda, sempre permeada pelo conceito da cervejaria. Algo bem perceptível na capa de um dos primeiros trabalhos da banda, o “Músicas para degustação Vol. 1”, que mostra o rótulo de uma cerveja e seu conteúdo. 

O som da banda tem bem a característica da década e lembra muito artistas como Pitty e Luxúria, que se destacam por ter muito peso e vocais femininos fortes. Fundada por Beta Staut (Voz) e Renato Staut (Guitarra), a banda tem, em sua gênese, a voz e a guitarra de um casal cheio de referências musicais. 

Do início dos anos 2000 pra cá, a banda passou por um hiato de 2008 a 2014 e hoje conta com nova formação, integrado Chico Paz (baixo) e Cassiano Haag (bateria). Já a volta da banda Staut, em 2015, foi marcada pelo lançamento do álbum “Viajando ao quadrado”. 

Capa do trabalho “Músicas para degustação Vol.1”

Nessa fase, dá pra perceber que eles estão já com muito mais influências agregadas bem representados por riffs marcantes e um som mais pesado. Há muita personalidade e uma identidade bem melhor formada. Mas, claro, sem deixar as raízes de lado, que fica bem transparente no nome da música “Fermentado”.

Depois disso, a banda permaneceu ativa, sempre inovando em gravações ao vivo pra não deixar os fãs longe como o projeto Acústico Maresia na Staut Bunker e Live Sessions na Staut Bunker. No entanto, só em 2022 chegou aos nossos ouvidos o novo lançamento “Novo de novo”.

A música “Novo de novo” fala sobre o home office, que se tornou realidade para muitas pessoas, especialmente durante, mas também, após a pandemia. O foco da música é a representação de ansiedade e o videoclip traz um homem em sua rotina de home office, que compartilha surtos e tentativas frustradas de suprir algo que nem mesmo ele consegue saber o que é.

Na era atual da Staut é possível perceber o quanto eles estão investindo pesado em seu trabalho. As letras sempre foram uma marca muito forte da banda, sempre reflexivas, mas embaladas por um som cheio de energia.

Se formos resgatar o nome do primeiro EP, que fazia analogia com a degustação de cerveja (“Músicas para degustação”), dá pra inferir que o som da banda tem mesmo essa característica. Isso porque as músicas parecem ser feitas pra se curtir cada detalhe, desde os riffs, o vocal até o peso e as melodias e que nos prende muito por causa das letras.

No fim, o som da banda Staut é aquele pra ouvir sem pressa, pra sentar e degustar mesmo. Ao mesmo tempo que tem energia suficiente pra fazer qualquer pessoa bater cabeça loucamente. É o tipo de banda que tem muito a cara dos festivais de rock despretensiosos cheios de bandas brasileiras que vemos (ainda bem) se multiplicar atualmente – especialmente no eixo Rio-SP.

A banda faz diferença no meio underground e mostra que, mesmo após tantas décadas, ainda está conectada com o presente e que o rock brasileiro está vivo e resistindo. Então, o convite, hoje, é pra você abrir a sua cerveja e curtir o som dessa banda sem moderação.

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