Em clima de despedida, em São Paulo, Megadeth passeou por toda a carreira, reforçou a importância dos fãs e fechou um ciclo com “Ride the Lightning”.

O Megadeth transformou a noite de 2 de maio de 2026, no Espaço Unimed, em São Paulo, em um momento histórico para os fãs de thrash metal. Parte da turnê de despedida dos palcos, o show carregava um peso simbólico evidente, não apenas pelo fim de um ciclo, mas também por representar uma banda que, mesmo após décadas de estrada, segue criativamente ativa.

Celebrando o álbum autointitulado lançado neste ano, a apresentação deixou claro que o Megadeth não é uma banda que vive apenas de nostalgia. Pelo contrário: o público cantou em coro tanto os clássicos quanto as músicas mais recentes, evidenciando uma relação viva com o presente. E, claro, a aguardada “Ride the Lightning”, do Metallica, também veio e não decepcionou.

Olhando para frente, mesmo na despedida

O setlist refletiu exatamente essa proposta: equilíbrio entre legado e atualidade. Em vez de apostar apenas em hits consagrados, a banda trouxe faixas do novo trabalho e foi surpreendente ver a plateia acompanhando cada palavra.

Esse é um ponto que diferencia o Megadeth de muitas bandas veteranas: há uma continuidade real entre passado e presente, e isso ficou evidente na resposta do público. Não se tratava apenas de rever ídolos, mas de acompanhar uma banda que ainda tem algo a dizer.

Apesar de o setlist se repetir a cada show que a banda faz, ele é bem equilibrado e isso pode ajudar o público a se programar para cantar junto com a banda. Assim, o Megadeth começou com “Tipping Point” do álbum novo e logo emendou com “Hangar 18” – uma pedrada dos anos 1990 – que esquentou os motores dos fãs.

Ainda teve mais músicas novas como “I Don’t Care”, mas o grande foco foi fazer um passeio pela carreira indo dos anos 1980 até a atualidade. O grande destaque ficou, com certeza, para a tríade “Symphony of Destruction”, Tornado of Souls” e “Mechanix”, que puxou a maior roda da noite. E, para fechar este momento, veio a tão esperada “Ride the Lightning”, do Metallica, que foi incorporada ao álbum novo da banda.

“Ride the Lightning” e o peso simbólico no palco

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a execução de “Ride the Lightning”, releitura do clássico do Metallica presente no novo álbum do Megadeth de 2026.

Ao vivo, o destaque ficou por conta do dueto de guitarras entre Teemu Mäntysaari e Dave Mustaine, preciso e carregado de tensão. Um daqueles momentos em que técnica e narrativa musical se encontram.

Mais do que simbólica, a gravação e execução dessa música ao vivo representam uma catarse para o Megadeth, especialmente para Dave Mustaine, que carregou sua ligação com ela desde o início da carreira. Revivê-la agora, neste momento de despedida, reflete claramente uma reconciliação pessoal, um instante feito para permanecer na memória do thrash metal.

Teemu Mäntysaari, a cara do Megadeth

Se na última passagem pelo Brasil o guitarrista Teemu Mäntysaari ainda carregava o peso da estreia como substituto de Kiko Loureiro, desta vez o cenário foi diferente.

Mais confortável no palco, Temu mostrou evolução clara: presença mais natural, maior interação com a dinâmica da banda e segurança nos momentos técnicos. Se no show anterior do Megadeth no Brasil, ele quase nem se movimentava no palco, vimos agora um verdadeiro maratonista que passeava de uma ponta a outra se mostrando para o público e recebendo gritos de aprovação.

A adaptação agora parece completa, e isso se reflete diretamente na coesão do show. Já que Dave Mustaine traz a presença, a narrativa e conexão com o público e a banda traz o peso e a energia para fechar um time alinhado no palco.

O legado do Megadeth se constroi com o público

Como figura central do Megadeth, Dave Mustaine continua sendo o eixo da apresentação. Seu estilo vocal — mais próximo de uma narração intensa do que de um canto tradicional — permanece como marca registrada. Ao mesmo tempo, é perceptível o esforço em sustentar as linhas vocais, especialmente considerando a exigência técnica do repertório. Na guitarra, no entanto, Mustaine segue firme, entregando performance consistente e segura.

Mas talvez o aspecto mais interessante da noite tenha sido sua relação com o público. Entre músicas, ele conversou, contou histórias e demonstrou uma proximidade que contrasta com a fama de personalidade mais fechada.

A relação com os fãs é especial e tem sustentado essa conexão ao longo dos anos de estrada. Isso se reflete em um dos momentos mais marcantes do show, quando a banda abriu espaço para alguns deles ao palco, reforçando a proximidade direta.

A ação dialoga com iniciativas anteriores — como a “caça ao tesouro” realizada na Galeria do Rock na última passagem pelo Brasil — e mostra uma preocupação constante em transformar o show em experiência compartilhada, e não apenas em espetáculo unilateral.

Energia coletiva e sensação de despedida

Mesmo com o clima de encerramento de ciclo, o show não foi melancólico. Pelo contrário: havia energia, entrega e um senso de celebração muito forte. A banda funcionou como um conjunto coeso, mas é inevitável que o olhar recaia sobre Mustaine. Nesse caso, não apenas como músico, mas como símbolo de uma era do metal.

Nesse sentido, o show do Megadeth, em São Paulo, não foi apenas uma despedida, foi uma reafirmação de que a banda continua relevante, mantém conexão real com o público e encerra sua trajetória sem depender apenas do passado.

Se existe uma sensação que fica ao final, é a de que o Megadeth sai de cena ainda em movimento e é justamente isso que fará falta. Ou será que esta é uma daquelas “despedidas” entre muitas aspas? Vamos aguardar o que vem para o futuro.

Setlist Megadeth em São Paulo | 02 de maio de 2026

  1. Tipping Point
  2. The Conjuring (Tour debut)
  3. Hangar 18
  4. She-Wolf
  5. Sweating Bullets
  6. I Don’t Care
  7. Dread and the Fugitive Mind
  8. Wake Up Dead
  9. In My Darkest Hour
  10. Hook in Mouth
  11. Let There Be Shred
  12. Symphony of Destruction
  13. Tornado of Souls
  14. Mechanix
  15. Ride the Lightning
  16. (Metallica cover) Peace Sells
  17. Holy Wars… The Punishment Due
  18. My Way (Sid Vicious song)
  19. Shadow of Deth

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