Em The rivals are fed and rested, Yohan Kisser vai da bossa nova ao rock progressivo e aposta em letras que passeiam pela rotina de forma ordinária e extraordinária.
The Rivals are Fed and Rested é o primeiro álbum de Yohan Kisser, um trabalho que caminha pela sonoridade do passado ao mesmo tempo que expressa um cotidiano atemporal. Ele traz uma infinidade de sensações e faz um passeio poético pela rotina de forma ordinária e extraordinária refletindo o estado cru da música.
O álbum foi oficialmente lançado em 18 de setembro, mas antes já haviam sido disponibilizados dois singles: a faixa-título e “Membro fantasma” em homenagem a mãe do músico. E, por essas duas canções, já foi possível perceber que o trabalho de Yohan Kisser iria explorar um amplo universo sonoro, indo da bossa nova ao rock progressivo dos anos 1970. No entanto, The Rivals are Fed and Rested foi além do esperado e mostrou uma sonoridade extremamente rica, experimental e criativa tanto no som quanto nas letras.
Sonoridade crua e orgânica ambientada no passado
The Rivals are Fed and Rested é cheio de influências do rock progressivo dos anos 1970, mas traz também muito de bossa nova, jazz, funk, além de arranjos super delicados e bastante experimentalismo. Assim, sonoramente falando, o álbum se ambienta muito no passado, que é onde estão as maiores influências musicais de Yohan Kisser.
Pois como ele comentou em entrevista à imprensa, na audição de seu álbum, no dia 10/09, a ideia para este trabalho era se aproximar do estilo piano-rock-bateria de Elton John. No sentido de trazer um pouco da energia de seus memoráveis concertos em estádios. Além disso, ele se inspirou em timbres e sonoridades de Frank Zappa e da última fase dos Beatles, que ora incluía quartetos de cordas, ora sonoridades indianas.

Nisso, The Rivals are Fed and Rested traz uma instrumentação rica e com o ideal de buscar um som diverso e, acima de tudo, cru, captado no momento de sua criação. Como comentou Guto Passos, responsável pela produção e arranjos do álbum: “Esse trabalho é muito registro do momento, resultando numa composição crua e experimental”.
Ao que Yohan Kisser complementou:
Escutando os detalhes de gravações antigas de música clássica e de jazz, a gente percebe que elas não se perdem no tempo. Os arranjos são crus e orgânicos e isso faz com que elas não fiquem datadas.
E essa foi a percepção que os músicos buscaram trazer para o trabalho. Yohan ainda explica:
“O álbum explora uma ampla variedade de estilos musicais e timbres, mas no final, ele une tudo em uma narrativa coesa. Há faixas mais íntimas, dedicadas à minha mãe, e outras que incorporam diferentes línguas. Ele também inclui músicas com piano e violoncelo, além de composições grandiosas com diversos timbres, teclados, órgãos e sintetizadores. O álbum apresenta desde músicas com bateria até aquelas sem bateria, algumas apenas com piano e voz, e até mesmo faixas que são apenas vocais.”
Nisso, você vai se deparar com belíssimas baladas ao piano como em ‘Membro fantasma’ e ‘Tall being’, que são cheias de bossa nova e jazz. Ouvirá vocais marcantes que chamam a atenção para si como em ‘A tábua e o metro’, ‘Passou das seis’ e ‘Quantas línguas’.
Também vai se surpreender com o funk de ‘Rosa fúcsia’ e ‘Loan shark’, além de mergulhar no universo progressivo e experimental de ‘To whom does food and rest belongs?’, ‘Os supérfluos e a supernova’ e ‘The rivals are fed and rested’. E isso tudo sem falar das letras.
Letras trazem o cotidiano em forma de crônica
As letras de The Rivals are Fed and Rested certamente são algo que chamam muito a atenção. Compondo em inglês e português, Yohan Kisser expressa sentimentos diversos, indo de temas como a morte de sua mãe até o cotidiano, a sociedade e o transcendental.
Neste trabalho, ele demonstra um olhar sensível para a rotina, tratando do ordinário ao extraordinário com um ar das antigas crônicas de jornal impresso. Isso porque ele foca nas sutilezas da rotina contando sobre corridas de táxi ou um telefonema marcando um encontro.
E o que reforça esse ar de crônica é o modo como ele insere elementos sonoros que nos fazem imaginar os cenários de suas histórias. Assim, ao mesmo tempo que as letras parecem acontecer nos dias de hoje, também nos dão a impressão de terem acontecido no passado.
Sua escrita ora poética, ora absurda, ora surreal, ora transcendental traz muito à lembrança dos antigos cronistas de jornais, que falavam do cotidiano, da vida ordinária, mas sempre dando um toque de absurdo para dar um choque de realidade no leitor.
Algo como fazia o poeta brasileiro Mário Quintana que tinha um olhar diferenciado para os detalhes do cotidiano, como quando falava sobre seu gosto por “pinhão quentinho” ou comparava o amor com um fio telegráfico onde as aves vão fazer cocô.
Questionado sobre sua relação com passado e presente nas letras e sonoridade, Yohan Kisser disse:
As letras refletem o meu pensamento, neste álbum estou procurando ser muito sincero. Se você parar para ler as letras, você com certeza vai ter outra percepção do álbum.
‘Rosa Fúcsia’, ‘Loan shark’ e ‘Não encontros’ são as músicas que mais têm cara de “crônica de jornal”. Já ‘Os supérfluos e a supernova’ e ‘Flush if you must’ lembram muito as letras irônicas e transcendentais da Tropicália. Mas, mais do que semelhanças com outras estéticas, elas representam bem a percepção de mundo do músico.
E você pode saber mais sobre o universo criativo de Yohan Kisser na entrevista que ele concedeu ao canal do Jardim Sonoro.
Equipe de peso
Para compor um álbum tão único, Yohan Kisser contou também com nomes de peso como o guitarrista Luis Carlini, que atuou em ‘A tábua e o metro’. Além de ter sido acompanhado por Guto Passos no baixo, William Paiva na bateria e uma série de músicos convidados.
O disco foi produzido e gravado no Lhama Records, em São Paulo, e produzido por Guto Passos.
Além da produção musical, Yohan Kisser também se destacou na concepção visual do álbum. A capa, completamente autoral, apresenta retratos desenhados e pintados pelo próprio cantor, reforçando seu envolvimento em todas as etapas do projeto.
Ficha Técnica:
Mix : Rootsans (Rodrigo Sanches)
Master: Brendan Duffey
Participações: Luiz Carlini (lap Steel guitar em “A Tábua e o Metro”), Sandra Ribeiro (Fagote em “Flush if you Must”) Tatiana Abdo / Carina Assencio / Mariana Benassi (vozes em “Membro Fantasma”) Bruno Serroni (Cello em “Quantas Línguas”)
Capa: Yohan Kisser
Foto: Marcos Hermes e Julia Missagia

Sobre Yohan Kisser
Nascido em 1997, Yohan Kisser é compositor e multi-instrumentista, graduado em violão pelo conservatório de música da Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Sua carreira inclui participação nas bandas Sioux 66, uma banda paulistana de heavy metal autoral formada em 2011, e Kisser Clan, na qual toca clássicos do rock e metal ao lado de seu pai, Andreas Kisser, guitarrista da banda de metal Sepultura. Agora, com seu projeto solo, Yohan Kisser se consolida como um dos talentos promissores da música brasileira.
Confira o trabalho de Yohan online: https://www.instagram.com/yohankisser/






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