Com setlist explosivo e terceiro dia seguido de casa cheia em São Paulo, o Sepultura mostrou porquê é tão magnético e segue arrastando multidões há 40 anos.

Em pleno domingo, 08 de setembro, a banda Sepultura lotou o Espaço Unimed para o último show da fase brasileira da Tour Celebrating Life Through Death. Foi o terceiro dia seguido de apresentações em São Paulo, que trouxe um setlist intenso contemplando toda a história da banda. A turnê comemora os 40 anos do Sepultura, assim como encerra a sua carreira e firma a banda como um dos maiores ícones do metal nacional. 

Pouco papo e foco no barulho

O show do Sepultura em São Paulo começou intenso com os clássicos “Refuse/Resist”, “Territory” e “Slave New World”. A banda entrou fazendo barulho sem dar espaço pra ninguém respirar. Afinal o setlist foi extenso e contemplou diversas fases da banda sem seguir uma linha temporal bem estabelecida. 

Nisso, eles foram de “Attitude” e “Kairos”, que causaram furor no público, seguindo para “Breed Apart”, que não era tocada há um tempo, até “Means to an End” e “Guardians of the Earth”, de seu trabalho mais recente.

Mesmo com pouco papo, vale o destaque para o carismático vocalista Derrick Green, que interagiu bastante com o público e falou a maior parte do tempo em português. Em certo momento, ele mencionou “Quero sair pensando que esse dia em SP foi o melhor de todos”.

Derrick Green. Foto: Osvaldo Cesar.

O set seguiu incendiando o público com “Sepulnation”, “Biotech Is Godzilla, “Agony of Defeat” e “Orgasmatron”. Todas muito celebradas pelo público. 

Já para a apresentação de “Kaiowas”, a banda convidou o Black Pantera, alguns fãs e integrantes de sua equipe. Esse é um dos momentos mais esperados do show, pois é quando fãs podem ter a oportunidade de tocar percussão em cima do palco juntamente com a banda.

Antes de partir para o intervalo, o Sepultura tocou “Inner Self” e “Arise”, que deixou o público em polvorosa para o bis. Na volta, como de costume, eles finalizaram com “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots” fechando sua terceira noite em São Paulo com chave de ouro.

Estrutura visual pouco aproveitada

Em sua terceira noite em São Paulo, o Sepultura emendou hits, conversou pouco e focou em contar sua história por meio da música e das imagens nos telões. Este recurso visual, no entanto, poderia ter sido mais explorado para mostrar cada Era da banda e rememorar momentos importantes.

Afinal, além dos telões do próprio Espaço Unimed, a banda trouxe mais alguns e projetou tanto imagens de referência às músicas, quanto cenas icônicas de artes antigas de eventos, capas de álbuns e, claro, o encontro com os Xavantes.

Greyson Nekrutman. Foto: Osvaldo Cesar.

Outras turnês de retorno e despedida de artistas, produzidas pela 30e recentemente, também utilizaram os telões de forma a agregar à narrativa do show. É só lembrar do NX Zero e Titãs, por exemplo. Os Titãs, inclusive, fizeram isso de maneira bastante eficiente, incluindo trechos específicos do show para mostrar momentos memoráveis em vídeo.

Algo que cairia super bem para essa turnê do Sepultura. E, quem sabe, até poderia suprir um pouco o fato de não ter ocorrido ainda a tão esperada reunião com os ex-integrantes.

Black Pantera fez abertura com set explosivo

A banda mineira abriu para o Sepultura no domingo e subiu no palco para mostrar que sabe como fazer um show. Apesar de já terem bastante notoriedade no meio do rock, ainda há muita gente que não conhece o trabalho deles. 

Diante disso, o Black Pantera trouxe um show dinâmico que chama o público para interagir a todo momento. Como quando puxou a roda das garotas ou quando pediu para o público agachar e pular.

Com um set explosivo, eles mostraram seu som, contaram suas histórias e passaram sua mensagem. Mencionaram a importância da educação antirracista e tocaram tanto músicas já consagradas de sua discografia – como “Fogo nos racistas” – quanto as novidades.

Black Pantera. Foto: Priscilla @jardim_sonoro

O poder magnético do Sepultura

Apesar de celebrar seus 40 anos, essa turnê não pode ser resumida só ao Sepultura, já que a banda conta a história de cada fã de metal e é, por si só, uma representação icônica da música pesada no país. 

Afinal, eles estão marcados no imaginário nacional, seja por arrastar multidões, seja por ser parte do figurino do ator Carlos Leite de A Praça é Nossa. Não tem quem não tenha ouvido falar do Sepultura ou quem não tenha uma história pra contar com eles. 

Algo que vemos nos relatos de fãs, de profissionais que trabalharam nos shows, nas entrevistas para um noticiário na TV aberta… Poucas são as bandas de metal a ocupar esses espaços no Brasil. 

Andreas Kisser. Foto: Osvaldo Cesar.

E, por mais que as pessoas insistam em reduzir a sua história a antes e depois dos irmãos Cavalera, o Sepultura tem uma vasta cronologia de conquistas, quebra de paradigmas e, também, de diálogo com o metal. Pois não parou no tempo ou vive apenas do passado como dizem, mas seguiu lançando álbuns com sonoridade atual como podemos ouvir em seu último trabalho de estúdio, o Quadra (2020).

Então, entre maxers e derrickers, o terceiro dia do Sepultura em São Paulo foi totalmente intenso, com fãs que não paravam de gritar, cantar e bater cabeça. Ao que Andreas Kisser, guitarrista da banda mencionou: “O heavy metal é a cena mais real que existe”.

E, apesar de ser inegável a força de seus primeiros anos e de sua Era Thrash, o Sepultura comemora 40 anos ainda atraindo olhares, causando onde quer que vá e confirmando seu inegável magnetismo. 

Setlist Sepultura em São Paulo – 08 de setembro

Intro:

  • War Pigs (música da banda Black Sabbath)
  • Polícia (música da banda Titãs)
  • Refuse/Resist
  • Territory
  • Slave New World
  • Phantom Self
  • Dusted
  • Attitude
  • Breed Apart (primeira vez desde 2016)
  • Kairos
  • Means to an End
  • Sepulnation
  • Guardians of Earth
  • Mind War
  • False
  • Choke
  • Escape to the Void
  • Intermission (com vídeo da gravação de “Roots” com a tribo Xavante)
  • Kaiowas (com Black Pantera, Desalmado, fãs and crew no palco)
  • Dead Embryonic Cells
  • Biotech Is Godzilla
  • Agony of Defeat
  • Orgasmatron (Motörhead cover)
  • Troops of Doom
  • Inner Self
  • Arise

Bis:

  • Ratamahatta
  • Roots Bloody Roots

Veja mais fotos do Sepultura em São Paulo

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