O show do Apocalyptica em São Paulo, no último dia 19/01, trouxe um repertório bem dosado e uma performance cheia de movimento que não decepcionou os amantes dos violoncelos distorcidos.

A banda finlandesa Apocalyptica tem a ousada proposta de unir violoncelos, distorções e bateria numa mistura entre música clássica e metal. Algo que pode soar estranho para quem não está habituado ao gênero do metal sinfônico (ou “cello metal” como a banda se autodenomina). 

No entanto, para o deleite dos amantes do estilo, o Apocalyptica, esteve em São Paulo no último dia 19 de janeiro, no Carioca Club, para um show que trouxe não só o último álbum Cell-0, mas um repertório dinâmico e cheio de movimento. 

A última apresentação do quarteto no Brasil foi no ano passado no Summer Breeze, mas, apesar disso, ela teve ingressos bastante restritos e esta nova data era muito aguardada pelos fãs.

Foto: Priscilla @jardim_sonoro

Do clássico à distorção

Logo de início, Eicca Toppinen, um dos violoncelistas, já quis explicar sobre a escolha sóbria da cenografia composta unicamente por um telão que trazia o nome da banda em fundo preto: “nossa decoração é clássica, porque somos uma banda de música clássica”.

Mas, na prática, o Apocalyptica ultrapassa essas fronteiras, pois não dá pra esperar apenas pelo meramente sóbrio na performance da banda. Algo que o fiel público que lotou o Carioca Club sabe muito bem. 

Setlist dinâmico e enxuto

O show do Apocalyptica em São Paulo trouxe músicas do mais recente álbum da banda, o Cell-0 (de 2020), mas também passeou por outros álbuns e, claro, pelas releituras de clássicos do metal. Afinal de contas, foi por elas que a banda se tornou conhecida quando iniciou sua carreira no início dos anos 90. 

Assim, para o setlist, a banda incluiu “Nothing else matters”, “For Whom the Bells Tolls” e “Seek and Destroy” do Metallica, além de “Refuse/Resist” da brasileira Sepultura.

Apesar de bem enxuto para 1:30h de show, o repertório foi muito bem escolhido. Ele alternou entre músicas com distorção e limpas; autorais e releituras. Além de contar com o apoio do telão de fundo, no qual era possível ver, em alguns momentos, trechos dos videoclipes das músicas apresentadas.

Detalhe do videoclipe de “Rise” ao fundo | Foto: Priscilla @jardim_sonoro

Isso tornou a audição de algumas canções uma experiência ainda mais interessante e intensa, como na música “Rise” do Cell-0, que é cheia de significado e que foi perfeitamente representada pelo vídeo dirigido pela Lisa Mann.

Já para dar voz às músicas com letra, o vocalista mexicano Erik Canales foi o requisitado. Ele cantou “I’m not Jesus”, “Not Strong Enough”, “Shadowmaker” e “I Don’t Care”. Além dele, para a turnê no Brasil, o Apocalyptica convidou o baterista Mikko Kaakkuriniemi, muito elogiado e chamado de fofo pelos integrantes da banda.

Apocalyptica com Erik Canales | Foto: Priscilla @jardim_sonoro

Performance cheia de movimento

Mas afinal, o que podemos esperar da performance ao vivo do Apocalyptica? No palco, os músicos demonstraram alegria e empolgação como não deixava negar o sorriso constante de Paavo Lötjönen. E isso mesmo sob calor intenso como bem observou Perttu Kivilaakso, que disse estar “suando como um porco”.

No geral, o show do Apocalyptica em São Paulo trouxe uma performance foi muito bem casada com as escolhas de repertório e de movimentação no palco. Isso porque ora os músicos se apresentam sentados em bancos (para canções de som limpo), ora estão em pé revezando seus lugares e batendo cabeça (nas músicas com distorção). 

Foto: Priscilla @jardim_sonoro

Todo esse movimento é benéfico não só para a dinamicidade do show, mas principalmente para o público, que pode ver de perto cada um dos artistas e interagir com eles. Além disso, o tempo inteiro a banda chamava o público para participar, seja em inglês, português ou espanhol.

Todas essas escolhas ajudam a criar uma ambientação que garante sensações diversas e não deixa o show amornar, algo fundamental para uma banda que se propõe a apresentar um reportório em sua maior parte instrumental. 

Concertos distorcidos para a juventude

Assim, o que se viu no show do Apocalyptica em São Paulo foi um público que seguiu o ritmo e, ao mesmo tempo que batia cabeça com o som mais pesado e que cantava junto, também assistia atento e se emocionava com as performances lentas.

No fim das contas, a proposta ousada de misturar concerto e show de metal é bem sucedida e não desanimou os fãs do metal sinfônico. Afinal, para uma banda como o Apocalyptica, que é especialista em releituras e pioneira no cello metal, nada como levar concertos distorcidos para a juventude. 

Foto: Priscilla @jardim_sonoro

Setlist do Apocalyptica em São Paulo (19/01)

Ashes Of The Modern World

For Whom The Bells Tolls

Path

I’m Not Jesus

Not Strong Enough

Grace

Refuse/Resist

Rise

En Route To Mayhem

Shadowmaker

I Don’t Care

Nothing Else Matters

Inquisition Symphony

Seek and Destroy

Farewell

Peikko

Veja mais fotos do show do Apocalyptica em São Paulo

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