Gravação realizada em 2004 e, agora remasterizada em Aqualung Live (Remaster 2025), ganha em expressão e amplifica o poder sonoro do maior clássico do Jethro Tull.

Mais de três décadas após transformar Aqualung em um dos álbuns fundamentais do rock britânico, o Jethro Tull retorna a esse repertório em Aqualung Live (Remaster 2025), relançado pela InsideOut Music, e distribuído no Brasil pela Shinigami Records. A edição recupera uma apresentação gravada em 2004 para a série Then Again Live, da XM Radio e agora remasterizada. 

O registro captura uma formação da banda que reúne Ian Anderson (voz, flauta, violão e bandolim), Martin Barre (guitarra), Doane Perry (bateria), Andrew Giddings (teclados) e Jonathan Noyce (baixo). O grupo executa o álbum Aqualung na íntegra e na mesma sequência do lançamento original de 1971, em uma performance que privilegia a fidelidade ao material clássico sem abrir mão da maturidade adquirida ao longo de décadas de estrada.

A sonoridade de Aqualung Live (Remaster 2025) evita a tentação de reinventar radicalmente as composições e, por isso, os arranjos não sofrem alterações. Em vez disso, apresenta versões mais refinadas e menos agressivas do que as gravações originais.

O legal dessa gravação é perceber como a maturidade do Jethro Tull agrega à essa “nova roupagem”. Algo perceptível, por exemplo, na voz de Ian Anderson, que entrega uma expressividade e interpretação diferentes do registro original. 

A faixa-título, “Aqualung”, mantém o peso característico de seu riff de abertura, mas revela uma abordagem mais controlada e reflexiva. “Cross-Eyed Mary” continua pulsando com energia, enquanto “Mother Goose” – a obra prima do álbum – evidencia o lado folk do Jethro Tull, valorizando o trabalho de flauta de Anderson e a atmosfera acústica. Já “Wind-Up” surge menos confrontadora do que na versão de estúdio, refletindo a passagem do tempo e a evolução artística de seus criadores. 

Outros destaques incluem “My God”, ainda poderosa em sua construção dramática, e “Hymn 43”, apresentada com pequenas alterações e enriquecida por um dos melhores momentos instrumentais do disco.

“Cheap Day Return” e “Wond’ring Aloud” preservam a delicadeza que sempre funcionou como contraponto às passagens mais pesadas do álbum. Já “Locomotive Breath” encerra o repertório com a mesma intensidade que a transformou em um dos maiores clássicos do catálogo do Jethro Tull. 

Longe da nostalgia, perto da celebração

Gravado em 2004, a ideia da XM Radio era regravar o álbum na íntegra como parte de uma série especial dedicada a recriar ao vivo grandes clássicos do rock em versões exclusivas. Mas a gravação foi além disso.

Mesmo sem os “chiados”, que garantem a personalidade e o charme dos álbuns dos anos 1970, Aqualung Live (Remaster 2025) não perde expressão com a remasterização. Ao contrário, ele amplifica o poder sonoro da obra do Jethro Tull e mostra o quanto consegue resistir ao tempo.

A gravação ocorreu para uma restrita plateia de 40 pessoas, num tom intimista que remete um pouco à atmosfera do Tiny Desk. É legal perceber como a banda Jethro Tull interage livremente com a audiência, fica livre para cometer pequenos erros e demonstrar que estava verdadeiramente se divertindo naquele momento. 

Ou seja, Aqualung Live (Remaster 2025) é um registro extremamente agradável de ouvir, sem excessos e extremamente acolhedor. O álbum, no entanto, está longe de soar como um exercício nostálgico e soa mais como uma celebração dessa obra-prima do Jethro Tull e do rock progressivo. 

Jethro Tull | Aqualung Live (Remaster 2025) Faixas

1. Aqualung

2. Cross-Eyed Mary

3. Cheap Day Return

4. Mother Goose

5. Wond?ring Aloud

6. Up To Me

7. My God

8. Hymn 43

9. Slipstream

10. Locomotive Breath

11. Wind-Up

FORMAÇÃO

Ian Anderson: Vocal, Flauta, Guitarra Acústica

Martin Barre: Guitarra

Doane Perry: Bateria & Percussão

Andrew Giddings: Piano, Órgão e Teclados

Jonathan Noyce: Baixo

Mais informações

Jethro Tull online

Shinigami Records

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