Em One, o Sevendust volta a combinar peso e intensidade vocal, apostando em uma sonoridade que evidencia sua experiência, embora nem sempre encontre caminhos capazes de surpreender.
Com mais de três décadas de carreira, o Sevendust construiu uma identidade particular dentro do metal alternativo norte-americano. A banda de Atlanta, Geórgia, tornou-se conhecida pela combinação de guitarras pesadas, ritmos sincopados, elementos de nu metal e refrões melódicos, sustentados pela interpretação expressiva de Lajon Witherspoon. Em One, décimo quinto trabalho de estúdio do grupo, essa fórmula permanece como ponto de partida para um repertório que alterna agressividade, atmosfera e composições de forte apelo emocional.
Lançado em 1º de maio de 2026 pela Napalm Records, e distribuído no Brasil pela Shinigami Records, o álbum foi produzido por Michael “Elvis” Baskette, colaborador de nomes como Alter Bridge e Falling in Reverse. A formação mantém a parceria entre Witherspoon, os guitarristas Clint Lowery e John Connolly, o baixista Vince Hornsby e o baterista Morgan Rose, músicos que compartilham uma longa história e demonstram entrosamento na maneira como articulam peso, dinâmica e melodia.

A faixa-título, “One”, mostra que o novo álbum vem com uma abordagem mais contemporânea do metal alternativo. Nisso, vemos um riff principal que estabelece uma atmosfera tensa, enquanto a entrada dos vocais conduz a música a um refrão expansivo. Aqui, o grande destaque vai para o trabalho de Clint Lowery e John Connolly pela maneira como as guitarras acrescentam variações à faixa.
“Unbreakable” é responsável por trazer uma abordagem mais emotiva ao álbum. A introdução contida, marcada por uma atmosfera de piano, prepara o terreno para uma composição que cresce gradualmente até alcançar um refrão amplo e envolvente. Witherspoon explora seu registro mais melódico, reforçando o caráter sentimental da faixa. Seguindo nessa linha, à medida que a faixa cresce, a expectativa é que o refrão virá expansivo e igualmente emotivo, mas o Sevendust prefere manter a densidade instrumental da faixa.
Em “Is This the Real You?”, a emoção dá lugar à um sensação mais agressiva e imponente. O grande destaque certamente é o vocal cheio de camadas que constroi a identidade da faixa e surpreende o ouvinte. Seguindo a atmosfera de tensão, “Threshold” vem pra mostrar que a banda consegue manter sua narrativa sonora consistente emocional e ainda assim adicionar peso.
As coisas mudam um pouco em “We Won”, que muda parcialmente a dinâmica do repertório ao explorar uma abordagem mais cadenciada. O groove ganha espaço, permitindo que baixo e bateria sustentem a música enquanto as guitarras acrescentam peso.
“Construct” retoma os ritmos sincopados e os riffs de execução precisa que fazem parte do vocabulário do Sevendust. A composição alterna passagens mais contidas com explosões de peso, criando uma dinâmica que valoriza tanto a instrumentação quanto os vocais. Já em “Bright Side”, a banda investe em uma abordagem mais acessível, com uma construção melódica que contrasta com a aspereza das guitarras. A faixa mantém o peso, mas dá maior espaço aos refrões e às variações vocais. Essa escolha amplia a diversidade do álbum e evita que a sequência de músicas se torne excessivamente uniforme.
“The Drop” traz uma combinação entre riffs graves, bateria vigorosa e mudanças de dinâmica que conferem à composição uma sensação constante de movimento. O Sevendust demonstra domínio sobre as próprias ferramentas, explorando o contraste entre passagens de maior contenção e momentos em que a música ganha força.
Na reta final, “Blood Price” se apresenta como um dos momentos mais pesados do álbum. A introdução cria uma expectativa dramática antes de a seção rítmica entrar com força, conduzindo a composição a uma abordagem mais próxima do metal extremo. Os vocais exploram registros ásperos e gritos que ampliam a sensação de confronto, enquanto as guitarras sustentam uma base densa. O contraste com as faixas mais melódicas é significativo e evidencia uma faceta mais visceral do Sevendust.
O encerramento com “Misdirection” apresenta uma mudança considerável de atmosfera. Mais longa que as demais faixas, a composição começa de maneira contida e dá espaço às vozes antes de ampliar a participação instrumental. A alternância entre passagens vocais e trechos de maior peso cria uma estrutura menos imediata, que exige uma escuta mais atenta. O caráter contemplativo de alguns momentos contrasta com a força dos riffs, conferindo ao encerramento uma dimensão diferente daquela encontrada nas músicas anteriores.
Essa escolha funciona como um contraponto ao restante do álbum. Depois de uma sequência marcada por grooves fortes, refrões amplos e guitarras graves, “Misdirection” encerra o repertório com uma abordagem mais reflexiva. A faixa amplia o alcance emocional do disco e demonstra que o grupo ainda encontra espaço para explorar estruturas menos convencionais dentro de sua própria linguagem.
Identidade consolidada, inspiração preservada
A sonoridade de One não depende apenas da força dos riffs. O Sevendust trabalha com contrastes, alternando passagens de instrumentação densa com momentos em que a voz assume o protagonismo. As guitarras exploram afinações graves e padrões rítmicos marcados, enquanto a bateria de Morgan Rose acrescenta acentos e mudanças de andamento que dão movimento às composições. Nesse contexto, Lajon Witherspoon funciona como um elemento decisivo, conferindo intensidade às partes mais pesadas e sensibilidade aos refrões.
O problema é que, apesar da competência instrumental e dos recursos que fizeram do Sevendust um nome reconhecido no metal alternativo, One raramente transforma essas qualidades em composições realmente memoráveis. As estruturas são familiares, os refrões cumprem sua função e os contrastes aparecem na medida esperada, mas falta ao conjunto uma dose maior de inspiração.
O resultado é um álbum bem executado, porém irregular em seu poder de envolvimento, que deixa a impressão de que a banda poderia ter ido além do repertório apresentado. Ao fim, sobra o reconhecimento da experiência dos músicos, mas falta aquela faixa capaz de permanecer na memória depois que a audição termina.

Sevendust | One Tracklist
1. One
2. Unbreakable
3. Is This The Real You
4. Threshold
5. We Won
6. Construct
7. Bright Side
8. The Drop
9. Blood Price
10. Misdirection
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Sevendust é:
Lajon Witherspoon – Vocal
Clint Lowery – Guitarra
John Connolly – Guitarra
Vince Hornsby – Baixo
Morgan Rose – Bateria




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