Unindo death/thrash a referências de Stephen King e Moby Dick, o Stormsorrow viu em The Blood Red Horizon a oportunidade de ampliar seus horizontes. Nesta entrevista, o vocalista Kahlil Souto fala sobre o álbum, a parceria com a Combat Records e o futuro da banda. 

Stormsorrow é um dos nomes da nova leva de bandas brasileiras de death/thrash que tem chamado atenção pela reinvenção sonora e potencial criativo. Recentemente, eles fizeram muito barulho com o lançamento do conceitual The Blood Red Horizon, um projeto que nasceu para ser um álbum de estúdio, mas que precisou seguir um novo caminho devido à repercussão que causou.

Em The Blood Red Horizon, Stormsorrow mescla a rispidez do thrash e do death metal melódico com camadas atmosféricas, em meio a uma narrativa que aborda guerras, manipulação e a decadência humana. A força do trabalho foi tanta que garantiu ao grupo um contrato com a lendária gravadora Combat Records — selo histórico que abrigou gigantes do metal mundial — preparando o terreno para a aguardada trilogia conceitual que complementa o álbum de estreia.

Conversamos com o vocalista, guitarrista e compositor Kahlil Souto para entender os detalhes por trás desse universo lírico, a paixão por clássicos do cinema e da literatura, além dos próximos passos da banda nos palcos. Confira a entrevista a seguir!

Foto: Eduardo Andrade

Tragédia, cinema e o conceito da trilogia iniciada em The Blood Red Horizon

OJS: The Blood Red Horizon é o primeiro de uma trilogia, correto? Conte um pouco sobre esse universo conceitual e como a sonoridade da banda ajuda a construí-lo.

Kahlil Souto: Sim, The Blood Red Horizon é o primeiro capítulo de uma trilogia, e a ideia é que cada disco tenha sua própria identidade, mas todos estejam conectados por um universo conceitual maior. Este primeiro álbum representa o início do colapso, abordando conflitos humanos, guerras, fanatismo, manipulação, perda, decadência e a própria capacidade do homem de destruir aquilo que construiu. 

A sonoridade do Stormsorrow é parte fundamental dessa narrativa: misturamos a agressividade do thrash e do death metal melódico com elementos épicos, melancólicos e atmosféricos justamente para criar essa sensação de grandeza e, ao mesmo tempo, de tragédia. 

Nos próximos discos, a história avança e a perspectiva muda, e queremos que a música acompanhe essa transformação, ficando progressivamente mais sombria, emocional e cinematográfica. The Blood Red Horizon apresenta esse horizonte vermelho e o mundo caminhando em direção a ele; os próximos capítulos mostrarão o que existe depois.

OJS: As letras são bem diversas, indo desde referências a filmes como Fogo no céu (na música Burning skies) e Invocação do Mal (Rebellion Burns Within) até livros  como Moby Dick (Face The Obliteration). Além de outros temas como fome e vícios. Ou seja, o universo lírico da banda é intenso. Como vocês trabalham os conceitos criativos em conjunto e manejam tantas inspirações?

Kahlil Souto: O universo lírico do Stormsorrow acaba sendo um reflexo muito natural das coisas que me interessam e me impactam, porque sou o responsável por todas as letras da banda. Nunca tive a preocupação de me limitar a um único tema: literatura, cinema, história, religião, conflitos sociais, vícios, fome ou experiências humanas mais pessoais podem servir como ponto de partida, desde que despertem em mim alguma coisa que eu sinta que pode ser transformada em música. 

Normalmente, parto de uma ideia, uma imagem, uma história ou até um sentimento específico e vou construindo o conceito em torno disso. Mesmo quando as referências parecem muito diferentes, como Moby Dick, Fogo no Céu ou Invocação do Mal, existe um fio que acaba conectando tudo: medo, obsessão, conflito, sofrimento, resistência e o ser humano diante de forças maiores do que ele.

Gosto muito dessa liberdade de poder escrever sobre absolutamente qualquer coisa, porque acredito que é justamente essa diversidade que torna o universo lírico do Stormsorrow tão rico e, ao mesmo tempo, tão pessoal.

OJS: O álbum The Blood Red Horizon é cheio de nuances, além do som pesado, dá pra notar o quanto a atmosfera de fundo é importante como em “Face of the Obliteration” e “Darkest December”. Além dos diferentes vocais, como ouvimos em “Hellgate Assembly” e ao longo do álbum. Agora, falando em sonoridade, como vocês constroem esse processo criativo de unir o metal extremo ao universo cinematográfico?

Kahlil Souto: Isso acontece graças à química que tenho com o Vicente Luiz (produtor/guitarrista), ele consegue externalizar as minhas idéias de maneira extraordinária. Vicente estudou música e composição na Espanha, entende muito do ramo e isso só engrandece o nosso som. Mando a música mais ou menos pronta, falo o que tenho em mente e ele acrescenta as ambiências, orquestrações e solos. Tudo isso se encaixa de maneira fantástica, gerando o resultado que ouvimos no álbum. 

Foto: Eduardo Andrade

Dos clássicos ao contemporâneo: as inspirações do Stormsorrow

OJS: Vocês têm bastante influência de bandas clássicas do death e thrash, mas ao mesmo tempo conseguem criar uma sonoridade mais contemporânea do gênero. Enquanto ouvinte e criador, como você enxerga a evolução do metal extremo de lá pra cá?

Kahlil Souto: Essa era uma preocupação minha desde o início: mesclar o metal moderno ao old school, sem soar forçado. Acho que conseguimos um bom resultado. Embora eu seja o principal compositor, as influências dos outros membros da banda também aparecem no som do Stormsorrow, acredito que isso tenha contribuído para o resultado final. Enquanto ouvinte, ouço muito pouco de bandas mais “modernosas”, volta e meia os caras da banda (Vicente e Arthur) me apresentam algo mais novo e tal, mas, no geral, continuo ouvindo os estilos clássicos. Respeito, acho que tudo evolui, mas esses estilos mais novos não conversam comigo.  

OJS: Ainda falando sobre influências, se um tornado invadisse a sua casa e você só tivesse tempo de salvar 3 álbuns essenciais da sua vida, quais álbuns seriam esses?

Kahlil Souto: Boa pergunta. Vou focar em discos de estúdio. 

1-Horror Show (Iced Earth, 2001), 

2-Beneath The Remains (Sepultura, 1989) e 

3- Dead Heart in a Dead Word (Nevermore, 2000).

Combat Records abre espaço para o futuro

OJS: A banda acabou de assinar com a Combat Records. Qual a importância dessa transição nesse momento da carreira? 

Kahlil Souto: Essa transição representa um passo enorme para o Stormsorrow. The Blood Red Horizon nasceu de forma totalmente independente, e a repercussão do álbum acabou abrindo portas que pareciam muito distantes quando começamos. Assinar com a Combat Records tem também um peso simbólico muito grande, porque estamos falando de um selo histórico, que fez parte da trajetória de bandas que ajudaram a moldar o metal, então é impossível não sentir orgulho de ver o nome Stormsorrow associado a essa história. 

Ao mesmo tempo, enxergamos essa assinatura muito mais como um começo do que como uma chegada: o primeiro álbum mostrou o que conseguimos fazer sozinhos e agora temos uma estrutura internacional ao nosso lado para os próximos trabalhos. Talvez essa seja a maior importância da Combat neste momento: transformar um projeto que já nasceu com ambição internacional em uma banda com ferramentas reais para buscar esse espaço.

OJS: Inicialmente, a banda foi criada para ser apenas de estúdio. O que fez vocês mudarem de ideia? 

Kahlil Souto: O fator principal, sem dúvidas, foi a repercussão que o material teve na imprensa especializada. Não esperava tamanho reconhecimento da mídia e do público. Chegou a um ponto que não tinha porque não fazer shows e continuar como uma banda. Nos damos bem, nos tornamos amigos e ficamos com vontade de tocar esse material ao vivo. 

Foto: Eduardo Andrade

OJS: Vocês têm um show marcado para o dia 21 de novembro, em São Paulo. O que podemos esperar dessa apresentação?

Kahlil Souto: Antes disso, temos 2 shows como Korzus e Jéssica Falchi nos dias 18 (Brasília) e 19 (Goiânia) de setembro no Nyl Metal Fest, mas falando sobre o Mundo Metal Fest, será algo especial. Somos amigos do pessoal da Exkil e do Paradise in Flames e estamos felizes em dividir o palco com Stress e Deathgeist. Será uma noite de celebração ao Metal Br e que contará com diversas participações no nosso show.

OJS: Quais os planos para o futuro? Já dá pra visualizar novos lançamentos e shows?

Kahlil Souto: Já estamos em estúdio trabalhando na pré-produção do segundo disco que será lançado mundialmente pela Combat Records no próximo ano. Faremos alguns shows esporádicos em festivais também. Quero ver todos vocês lá!

Stormsorrow | The Blood Red Horizon Tracklist

  1. Intro
  2. Burning Skies
  3. The Blood Red Horizon (feat. Alexandre Grunheidt)
  4. Face The Obliteration
  5. Hellgate Assembly (feat. Lord Vlad)
  6. Rebellion Burns Within
  7. Darkest December (feat. Victhor De Victhorian)
  8. Scars Of My War
  9. Post-Truth Warfare (feat. Mario Pastore)
  10. Times of Decay
  11. The Storm Will Remember My Name (feat. Lord Vlad)

Stormsorrow é:

Kahlil Souto – vocal / guitarra

Vicente Luiz – guitarra / produtor

Yuri Passos – baixo

Arthur Albuquerque – bateria

Stormsorrow online:

Social Media: @stormsorrow_official

Agradecimentos: 

JZ Press | (@jzpressassessoria)

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