O sexto álbum da banda Nervosa, Slave Machine, expõe a força do thrash metal enquanto investe em melodias, contrastes e composições mais elaboradas.
Ao longo da última década, a Nervosa consolidou uma identidade baseada na velocidade, dos riffs cortantes e na agressividade característica do thrash metal. Em Slave Machine, entretanto, a banda demonstra que essa fórmula ainda comporta novos caminhos sem romper com as próprias raízes. Neste novo trabalho, o quarteto expõe críticas sociais e incorpora recursos que enriquecem as composições, como maior atenção às melodias, mudanças de dinâmica e o uso pontual de backing vocals limpos, elementos que refinam a sonoridade do álbum.
Lançado em 3 de abril de 2026 pela Napalm Records, Slave Machine, da Nervosa, é distribuído no Brasil pela Shinigami Records.

Desde “Impending Doom”, a impressão é de um disco construído para sustentar tensão, e não apenas velocidade. O início atmosférico ajuda a construir aquela entrada monstruosa que os fãs amam e que, no contexto do show, abre a roda imediatamente. Outro detalhe que chama muito à atenção é como os vocais acompanham as guitarras em uníssono, trazendo um refrão interessante em meio ao barulho.
A faixa-título, “Slave Machine”, aparece logo no início e segue o thrash cru sem segredos. O diferencial aqui fica por conta das mudanças de andamento, que tiram a música do óbvio. Em vez de apostar exclusivamente na agressividade contínua, a música cria pausas e retomadas que tornam sua construção mais interessante do que simplesmente acelerada.
Algo que acontece também em “Ghost Notes” em que a Nervosa explora mudanças rítmicas sem perder fluidez. Novamente são as guitarras que brilham aqui, trazendo um riff criativo dentro de uma construção tensa e pesada. Uma ótima faixa, mas vale comentar que esta é uma das poucas do álbum que destaca o baixo. Já em “Beast Of Burden”, a crueza fica mais evidente. O peso aumenta, os vocais assumem um caráter ainda mais hostil e a banda entrega uma das execuções mais agressivas de Slave Machine.
“You Are Not A Hero” reduz a velocidade sem abandonar a intensidade. Isso é possível especialmente pela aposta em um refrão amplo com vocal dobrado e a bateria nervosa que mantém o clima insano. Um belíssimo gancho para o que vem a seguir.
A segunda metade começa com “Hate”, recupera a brutalidade com riffs secos e andamento impiedoso, enquanto “The New Empire” trabalha melhor as camadas de guitarra, equilibrando melodia e agressividade. É uma montanha russa de sensações, que culmina com “30 Seconds” e sua retomada à velocidade como elemento dominante. Mas o destaque dessa faixa fica mesmo por conta do coro inesperado ao fundo, que dá um ar renovado para a música.
E lembra que comentei sobre as mudanças de andamento? É aqui que elas ficam bem evidentes. “Crawl For Your Pride” e “Learn Or Repeat” exploram bem as quebras de ritmo em todos os instrumentos, conseguindo unir diferentes sensações numa só música. Já “The Call”, volta com força total e velocidade extrema pra não deixar ninguém esquecer o motivo da Nervosa existir. É porrada atrás de porrada sem dó.
E pra finalizar um álbum tão intenso, “Speak In Fire” aposta na atmosfera de tensão do início em uma faixa que mantém todo o brilho nos vocais. De início, o vocal mais grave garante uma sensação ainda mais perturbadora, enquanto os backing vocals em coro surgem ao fundo criando um contraste interessante com a agressividade em foco.
Em Slave Machine, a Nervosa mantém o thrash como principal marca, mas amplia sua sonoridade ao dedicar maior atenção às melodias, aos contrastes e à construção das composições. Os backing vocals limpos reforçam essa dinâmica e acrescenta novas camadas à atmosfera do álbum, sem comprometer sua agressividade.
A produção, por outro lado, privilegia vocais e guitarras, deixando principalmente o baixo em segundo plano. Ainda assim, a banda consegue incorporar elementos criativos em meio ao virtuosismo técnico, resultando em um trabalho intenso e coerente com a história da banda.

Nervosa| Slave Machine Tracklist
1. Impending Doom
2. Slave Machine
3. Ghost Notes
4. Beast Of Burden
5. You Are Not A Hero
6. Hate
7. The New Empire
8. 30 Seconds
9. Crawl For Your Pride
10. Learn Or Repeat
11. The Call
12. Speak In Fire



FORMAÇÃO
Prika Amaral: Vocal e guitarra
Helena Kotina: Guitarra
Hel Pyre: Baixo
Emmelie Herwegh: Baixo
Gabriela Abud: Bateria




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