O oitavo álbum solo de Rob Zombie, The Great Satan, transforma referências do cinema, quadrinhos e horror clássico em canções que vão dos festivais ao halloween.
Quando Rob Zombie anunciou The Great Satan, boa parte da expectativa girava em torno da reunião com o guitarrista Mike Riggs e o baixista Rob “Blasko” Nicholson. A dupla esteve presente em alguns dos momentos mais marcantes de sua carreira solo, e a química reaparece logo nos primeiros minutos do disco. Lançado em 27 de fevereiro de 2026 pela Nuclear Blast, e distribuído no Brasil pela Shinigami Records, o oitavo álbum de estúdio deixa claro que a proposta é entregar quarenta minutos de horror industrial sem distrações.
Para fazer isso acontecer, em The Great Satan, Rob Zombie privilegia músicas curtas, objetivas e construídas ao redor de riffs que ficam na cabeça. Além de agregar outros elementos fundamentais para o estilo como os sintetizadores, efeitos eletrônicos e samples, que servem para ampliar a rica atmosfera narrativa e conversar com as inúmeras referências do trabalho.

A sequência inicial é um dos grandes trunfos do trabalho. “F.T.W. 84” abre o álbum com urgência e energia. É aquela intro que você fica esperando assim que as luzes do palco se acendem e o show começa. A letra anuncia “FTW – Fuck The World. This is 1984”. Isso é mesmo 1984? A música conta a história de uma década, mas o tom moderno, agressivo e eletrônico nos carrega direto para 2026.
Seguindo nesse tom, vem a segunda faixa, “Tarantula”, que mistura groove, peso e um refrão de impacto imediato. Além de guitarras estridentes e uma atmosfera aterrorizante. Em seguida, “(I’m a) Rock ‘N’ Roller” abraça o lado mais debochado de Rob Zombie, equilibrando guitarras afiadas e um senso de humor que sempre fez parte de sua identidade artística. A sonoridade meio psicodélica se mistura ao ar de cinematográfico, causando uma enxurrada de sensações no ouvinte.
Já “Heathen Days” reúne praticamente tudo o que o músico faz de melhor: riffs velozes, batida pulsante, sintetizadores discretos e um vocal que alterna agressividade e teatralidade. A música é rápida, intensa e cheia de referências. Em seguida, “Who am I?” vem dar contexto ao lirismo do álbum com uma reflexão existencialista em apenas 34 segundos.
A metade central de The Great Satan mantém o ritmo desacelerado com “Black Rat Coffin”, e “Sir Lord Acid Wolfman”. A primeira aposta em um groove pesado e cadenciado, enquanto a segunda traz um ar um pouco setentista com suas guitarras estridentes e baixo super bem marcado. Mas a “mansidão” dura pouco, já que “Punks and Demons” retorna com força total e funciona quase como um manifesto, quando une refrão simples e energia punk.
Depois disso tudo, “The Devilman”, consegue ainda surpreender o ouvinte com sua atmosfera meio Black Sabbath com ares modernos. A faixa traz uma camada de psicodelia ao repertório sem perder o foco no peso. Uma das melhores do álbum.
Em seguida, “Out Of Sight” leva o gosto de Rob Zombie pelo absurdo a um nível que pode dividir opiniões. Os samples, as mudanças de clima e os efeitos eletrônicos dão a impressão de que o ouvinte está sendo abduzido naquele exato momento. É uma verdadeira salada de influências sonoras. O mesmo acontece em “Revolution Motherfuckers”, que aposta mais na atitude do que em uma ideia musical coerente.
A reta final, no entanto, consegue recuperar o fôlego. “Welcome To The Electric Age” e “The Black Scorpion” recolocam o álbum nos trilhos e, enfim, nos levam de volta para atmosfera cinematográfica do início. Além de ajudar o ouvinte a se reconectar com a narrativa.
Para finalizar The Great Satan, temos “Unclean Animals”, que é mais uma grande viagem psicodélica cheia de efeitos e “Grave Discontent”, que — ao contrário do que a maior parte do álbum apresentou — traz um encerramento menos explosivo do que se poderia esperar, mas eficiente ao preservar o clima sombrio que atravessa todo o disco.
Um dos maiores acertos de The Great Satan é entender que Rob Zombie nunca precisou de virtuosismo para construir músicas marcantes. Seu diferencial continua sendo a capacidade de transformar referências do cinema exploitation, filmes B, quadrinhos, ficção científica e horror clássico em canções que funcionam tanto em grandes festivais quanto em uma trilha sonora para o Halloween. Os diálogos sampleados, os sintetizadores distorcidos e a estética grotesca permanecem presentes e ajudam a materializar sua narrativa sonora surreal.
Mas algo que não pode passar despercebido é o retorno de Mike Riggs, que devolve ao disco uma pegada mais cortante com seus riffs. Lembrando por que ele foi peça importante nos primeiros anos da carreira solo de Zombie. Ao lado de Blasko, a cozinha ganha mais personalidade e cria uma base sólida para que as guitarras conduzam praticamente todas as músicas.
The Great Satan, no fim das contas, oferece exatamente o que muitos fãs esperavam havia anos: um álbum que coloca as canções em primeiro plano, sem abrir mão do imaginário macabro que transformou o músico em um dos personagens mais singulares do metal contemporâneo.

Rob Zombie | The Great Satan Tracklist
1. F.T.W. 84
2. Tarantula
3. (I?m a) Rock ?N? Roller
4. Heathen Days
5. Who Am I?
6. Black Rat Coffin
7. Sir Lord Acid Wolfman
8. Punks And Demons
9. The Devilman
10. Out Of Sight
11. Revolution Motherfuckers
12. Welcome To The Electric Age
13. The Black Scorpion
14. Unclean Animals
15. Grave Discontent
Mais sobre Rob Zombie
Como ícone do rock e cineasta de visão única, Rob Zombie desafia continuamente o público ao expandir os limites da música e do cinema. Ele já vendeu mais de 15 milhões de álbuns em todo o mundo e é o único artista a alcançar um sucesso sem precedentes em ambas as indústrias, atuando como roteirista e diretor de nove longas-metragens — incluindo “A Casa dos 1000 Corpos”, “Rejeitados pelo Diabo”, “Os Monstros” e o grande sucesso de bilheteria “Halloween”.
Após um hiato de cinco anos, Rob Zombie está de volta com THE GREAT SATAN, lançado pela Nuclear Blast em 2026. Este novo trabalho traz Zombie de volta às suas raízes do “Hellbilly” com faixas frenéticas como “Punks And Demons”, “Heathen Days”, “(I’m a) Rock ‘N’ Roller” e “Tarantula”.

Rob Zombie conquistou um sucesso estrondoso na indústria musical, primeiro como integrante da banda multiplatina White Zombie e, mais tarde, em sua carreira solo — com resultados ainda maiores, acumulando diversos discos de ouro e multiplatina ao longo do caminho, incluindo Hellbilly Deluxe, The Sinister Urge e Educated Horses.
O álbum mais recente de Rob Zombie antes deste, The Lunar Injection Kool Aid Eclipse Conspiracy (2021), estreou em 9º lugar na parada Billboard 200, tornando-se seu 7º álbum solo consecutivo a estrear no Top 10.
FORMAÇÃO
Rob Zombie – Vocal
Rob Nicholson – Baixo
Mike Riggs – Guitarra
Ginger Fish – Bateria
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