Soulbound evidencia o novo direcionamento do Gladenfold, mais power, menos death metal e com ambiências e arranjos requintados.
Conhecida por equilibrar elementos de melodic death metal e power metal desde os primeiros trabalhos, a banda finlandesa Gladenfold opta agora por uma abordagem mais voltada ao power metal melódico, sem abandonar completamente as marcas que construíram sua identidade. O resultado é um álbum que preserva a intensidade característica do grupo, mas aposta menos no death metal e mais nas melodias, refrões de impacto e foco nas ambiências.
Lançado em 27 de fevereiro de 2026 pela Reaper Entertainment, Soulbound, do Gladenfold, é distribuído no Brasil pela Shinigami Records.

A mudança mais evidente está nos vocais. Os guturais aparecem apenas de forma pontual, dando espaço quase integralmente à interpretação limpa de Esko Itälä, que conduz as composições com segurança e delicadeza. Ao mesmo tempo, os teclados ganham maior protagonismo, enriquecendo os arranjos sem sufocar o peso das guitarras do Gladenfold. Nisso, Soulbound ganha ares muito mais focados no power metal progressivo e se distancia do death metal melódico que os fãs conhecem.
A abertura explosiva com “Fire Wind” deixa claro que a banda não pretende economizar energia nem técnica, e surpreende logo de cara por soar tão prog/power metal. É uma faixa veloz, repleta de mudanças de andamento e melodias cativantes. Em seguida, “Wardens of Time” tem um toque levemente folk na melodia e voz, mas já começa a mostrar os indícios do death metal de forma bem tímida.
Já “For My Queen”, um dos singles, reúne praticamente todos os elementos que fazem Soulbound funcionar: refrão forte, guitarras afiadas e um equilíbrio convincente entre técnica e melodia. E, de novo, a energia prog/power metal é o que prevalece aqui. Atente para um piano que fica meio escondido ao fundo, mas que garante um brilho excepcional à música.
Na sequência, “Helix of Hate” adiciona uma dose extra de agressividade ao incorporar vocais extremos em momentos estratégicos, criando um contraste interessante com o restante do repertório. Nessa música, aliás, o vocal se destaca. Seja quando intercala limpo e extremo, seja com os backing vocals, que conferem uma ambiência especial. Na sequência, “Mercy” desacelera o ritmo e é enriquecida pela participação especial de Michaela Tuomenoksa (Micha). A faixa é daquelas baladas cheias de emoção e que demonstra o amadurecimento da Gladenfold na construção de atmosferas.
Depois de tanta emoção, “Ghostlike” resgata a energia do power metal tradicional com mais uma belíssima ambiência. Enquanto “Chaos Waltz” apresenta um trabalho instrumental inspirado, com riffs pesados e passagens que flertam discretamente com o metal progressivo, como já notamos em várias faixas de Soulbound.
“Anthem of the Broken” reforça a vocação do grupo para criar refrões grandiosos e passagens monumentais. Finalizando o álbum, “Soulbound Parallax”, resume um pouco de todas as influências que ouvimos no álbum – indo desde um leve toque folk até o prog/power metal e um belíssimo solo de guitarra para abrilhantar a faixa. Só faltou o death aparecer ali.
Embora o melodic death metal não seja tão marcante como nos discos anteriores, Soulbound mostra que a mudança de direção aconteceu de maneira natural. O Gladenfold demonstra confiança ao investir em composições mais diretas e melódicas, sem abrir mão da riqueza dos arranjos e da qualidade técnica.
O resultado é seu trabalho mais consistente até aqui, um álbum que dialoga com referências clássicas do power metal europeu, mas encontra personalidade suficiente para não soar como mera homenagem. Para quem acompanha a evolução da banda desde Nemesis, fica evidente que Soulbound não representa uma ruptura, e sim um direcionamento maior para um dos lados da banda, que deixa um pouco o death de lado e segue firme no power metal.

Gladenfold | Soulbound Tracklist
1. Fire Wind
2. Wardens Of Time
3. For My Queen
4. Helix Of Hate
5. Mercy
6. Ghostlike
7. Chaos Waltz
8. Anthem Of The Broken
9. Soulbound Parallax
FORMAÇÃO
Lauri Itälä – Bateria
Esko Itälä – Vocal
Paavali Pouttu – Teclados
Matias Knuuttila – Guitarra
Toke Gerdts – Guitarra
Ville Vesa – Baixo





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