Em uma noite intimista em São Paulo, Evergrey e Silver Dust entregaram apresentações intensas e conectadas, antecipando o clima do Bangers Open Air.
Side shows de festivais têm uma magia especial. O público se concentra em casas pequenas, no meio da semana, porque realmente ama aquela banda. E essa combinação traz resultados espetaculares e de conexão genuína, como vimos no show do Evergrey e Silver Dust, na última quarta-feira (22 de abril), no Manifesto Bar, em São Paulo. As apresentações funcionaram como uma prévia do que as bandas levarão ao Bangers Open Air, que acontece neste final de semana na capital paulista.
Evergrey: entre técnica e emoção, alta conexão
Com décadas de estrada, o Evergrey trouxe um repertório que atravessou diferentes fases da carreira, equilibrando faixas recentes com clássicos marcantes. A banda, que divulga seu 14º álbum de estúdio, Theories of Emptiness, sucessor de A Heartless Portrait, mostrou versatilidade ao incluir até mesmo uma música inédita, ainda não lançada como single.

O vocalista Tom Englund destacou que o setlist refletia, sobretudo, canções importantes em sua trajetória pessoal dentro da banda e essa escolha ficou evidente na carga emocional do show. Em um dos momentos mais simbólicos da noite, durante um solo de teclado, era visível o olhar de admiração de Tom para o colega Rikard Zander, criando uma cena de cumplicidade que sintetizou a essência do espetáculo.
A atmosfera intimista do local amplificou a entrega do público. Não houve um instante sequer em que a plateia não cantasse em uníssono, especialmente nos clássicos como “Eternal Nocturnal”, “A Touch of Blessing”, “King of Errors” e “Words Mean Nothing”. As novas “Architects Of The New Weave”, “OXYGEN!” e “Say” também foram recebidas com entusiasmo. Entre bate-cabeças, emoção e trocas de olhares, a conexão foi total, intensa e recíproca do início ao fim.

Formado em 1996, em Gotemburgo, o Evergrey é um dos nomes mais respeitados do metal progressivo, tendo lançado seu álbum de estreia, The Dark Discovery, em 1998. Ao vivo, a banda comprovou o quanto é possível unir técnica refinada e profundidade emocional.
Silver Dust: teatralidade, peso e surpresa
Responsável pela abertura, a Silver Dust surpreendeu. Com visual marcante e forte presença de palco, a banda suíça aposta na performance teatral para complementar seu obscuro universo sonoro. Com destaque especial para o baterista, que incorpora o personagem e rouba a cena em diversos momentos. Seu som gótico é mais pesado do que aparenta nas gravações, e trouxe impacto imediato, contrariando a expectativa de um show mais introspectivo.

O vocalista Lord Campbell conduziu a interação com o público de forma constante, incentivando gestos clássicos do metal e descendo do palco em um dos momentos mais energéticos, quando convidou os fãs a se abaixarem e saltarem junto com ele. Ainda pouco conhecida no Brasil, a banda parece ter conquistado novos admiradores ali mesmo: ao final do show, os comentários eram de surpresa e aprovação.
Com cerca de 40 minutos de duração, o setlist focou nas faixas do álbum Symphony of Chaos, lançado em abril de 2025, marcando uma nova fase que o grupo pretende explorar. Misturando heavy metal com elementos góticos e estética steampunk, a Silver Dust entrega uma experiência que vai além da música, apostando também na narrativa visual.
Aperitivo para o Bangers Open Air
Os shows no Manifesto Bar não apenas cumpriram a função de aquecer o público para o festival, mas também mostraram o poder das apresentações em ambientes menores: intensidade, proximidade e autenticidade. Evergrey e Silver Dust provaram que, mesmo antes do grande palco, já é possível viver momentos memoráveis.
Agora, a expectativa se volta para o Bangers Open Air. As duas bandas retornam aos palcos no sábado (25/04) e domingo (26/04), respectivamente. E, depois dessa prévia, incluir seus horários na programação do festival parece mais do que obrigatório.

SETLIST EVERGREY
Falling From the Sun
Where August Mourn
Weightless
Say
The World Is on Fire (Live debut)
Eternal Nocturnal
Call Out the Dark
King of Errors
A Silent Arc
Words Mean Nothing (Primeira vez desde 2019)
I’m Sorry (Dilba cover) (Primeira vez desde 2022)
Misfortune
Architects of the New Weave (Live debut)
Encore:
A Touch of Blessing
Leaving the Emptiness
OXYGEN!
SETLIST SILVER DUST
Fire!
I’m flying
Devil’s dance
Solo de guitarra
Salve Regina
Lucifer’s Maze
Solo de bateria
No matter how far away
Symphony of chaos





Leave a Reply