Disponível a partir de 6 de março, Hell Is a State of Mind marca uma nova fase da banda finlandesa Lost Society, com composições mais dramáticas, atmosfera cinematográfica e forte carga emocional.
O novo álbum do Lost Society, Hell Is a State of Mind, mergulha em diferentes vertentes do metal e entrega uma experiência intensa e cinematográfica. Nele, a banda finlandesa aposta em contrastes extremos, alternando brutalidade, refrões melódicos e ambiências para retratar o inferno como um estado psicológico. Além de apostar em uma orquestra como pano de fundo, que garante uma atmosfera grandiosa ao trabalho.
Hell Is a State of Mind foi lançado hoje, dia 06 de março, pela Nuclear Blast e terá distribuição no Brasil pela Shinigami Records.

Hell is a State of Mind é épico em cada faixa
Lançado pela Nuclear Blast, Hell Is a State of Mind marca o momento em que o quarteto — Samy Elbanna (voz e guitarra), Arttu Lesonen (guitarra), Mirko Lehtinen (baixo) e Tapani Fagerström (bateria) — abandona de vez a herança thrash dos primeiros anos e assume um metal expansivo, dramático e grandioso.
O disco abre no “Afterlife”. Narrativamente, a história começa após a morte simbólica deixada no álbum anterior (na música “Suffocating” do álbum “If the Sky Came Down”) e conduz o protagonista por um percurso de autodestruição, amores tóxicos, vícios e colapso emocional. A segunda metade avança rumo à catarse: visões apocalípticas, crítica à crueldade social e, por fim, a revelação de que o inferno não é um lugar: é um estado mental.
Musicalmente, essa jornada ganha corpo já em “Blood Diamond”, primeiro single oficial. A faixa nasceu de um esboço sobre batida hip-hop, mas encontrou sua identidade quando cordas dramáticas foram incorporadas à demo. O resultado é explosivo: riffs densos colidem com arranjos orquestrais e criam uma atmosfera quase cinematográfica. É aqui que o DNA do álbum se cristaliza: metal moderno com ambição sinfônica.
No extremo oposto do espectro emocional, “Is This What You Wanted” aposta na vulnerabilidade. Construída a partir de violões, a música cresce gradualmente até atingir um clímax intenso, equilibrando delicadeza e peso. A interpretação vocal de Elbanna alterna entre a suavidade e explosões viscerais, reforçando o drama da letra.
Aliás, segundo o próprio Samy afirmou em entrevista ao nosso canal do ou Tube, essa é uma das faixas preferidas dele. Então, vale a sua atenção.
Já “Kill the Light”, single lançado juntamente com o álbum, funciona como descarga de fúria. É a faixa mais diretamente conectada ao metal clássico, com energia de punho cerrado e andamento acelerado, mas surpreende ao inserir um refrão mais leve e luminoso, quebrando expectativas e evitando a previsibilidade.
Um dos trunfos estruturais do álbum aparece em “No Longer Human”. A banda adota o que apelidou de “C-section” — uma espécie de terceira seção que substitui pontes tradicionais por blocos quase autônomos dentro da música. Nesse caso, a mudança abrupta amplia a tensão e transforma a canção em um pequeno épico interno.
Outra boa surpresa do álbum é “Dead People Scare Me (But The Living Make Me Sick)”, que foi o primeiro single lançado. Segundo Samy, nessa época o Lost Society ainda não havia moldado bem como seria o novo álbum, mas queriam dar algo novo aos fãs. Nisso, veio essa composição com um espírito punk rock completamente contagiante. Além de contar com um videoclipe caótico que representa muito bem a atmosfera do trabalho.
O ápice da ousadia surge na faixa-título, escrita em parte enquanto Elbanna enfrentava uma febre alta. “Hell Is a State of Mind” é um turbilhão: passagens de romantismo italiano, trechos inspirados em Jean Sibelius, metal galopante, cordas arrebatadoras, refrão com inflexão pop e até mergulhos em sombras próximas ao black metal. Parece excessivo? Na prática, é a música mais emblemática do álbum.
A orquestra é a alma do disco
A grandiosidade não se limita à composição. Gravado em bases analógicas no Finnvox Studio B, com dezenas de amplificadores e equipamentos clássicos — sem modelagem digital e com mínima edição — o álbum aposta em textura orgânica. A cereja do bolo é a participação da Babelsberg Film Orchestra, com 40 músicos, responsável por dar profundidade e imponência às camadas orquestrais.
Algo que — segundo o próprio Samy Elbanna — trouxe a grandiosidade característica de Hell is a State of Mind e inspirou a banda a construir as músicas de uma maneira diferente. A partir da ideia de pensar a estrutura das faixas como “músicas dentro de músicas” (as “C-sections”), o grupo passa a brincar com as expectativas do ouvinte. Assim, quando tudo indica que uma faixa seguirá determinado caminho, ela subverte essa lógica e se transforma em algo completamente diferente, como acontece principalmente em “No Longer Human”.

Dessa forma, o Lost Society consegue aproveitar bem a presença da orquestra para contar sua história e ainda conferir ao álbum uma atmosfera quase operística, dividida em atos, expandindo os limites sonoros da banda.
A fusão de estilos é o segredo
Ainda durante a entrevista, Samy comentou sobre sua característica visual de composição e como a influência de diversos estilos no trabalho consegue captar as emoções confusas do protagonista lírico. Afinal, o inferno que descrevem não é externo, mas interno, e cada faixa funciona como um capítulo dessa descida psicológica, marcada por peso, conflito e catarse.
- Leia também: Lost Society lança clipe do single “Blood Diamond”
O resultado é um disco original, que não busca por tendências passageiras e repleto de nuances. Hell Is a State of Mind soa como uma declaração de identidade: teatral, emocionalmente extremo e determinado a expandir as fronteiras do metal contemporâneo. E, definitivamente, não pode ser ouvido uma única vez.
Nele, Lost Society mostra o quanto tem evoluído nos últimos tempos e conseguindo encaixar sua voz. Trocando a velocidade desenfreada de sua era thrash por construção dramática e assumindo de vez uma estética mais moderna.

Tracklist Hell Is A State Of Mind
1. Afterlife
2. Blood Diamond
3. Synthetic
4. Is This What You Wanted
5. L’appel du Vide
6. Kill The Light
7. No Longer Human
8. Dead People Scare Me (But The Living Make Me Sick)
9. Personal Judas
10. Hell is A State Of Mind
Assista à entrevista completa com Samy Elbanna no YouTube
Formação:
Samy Elbanna | Voz, Guitarra
Arttu Lesonen | Guitarra
Mirko Lehtinen | Baixo
Taz Fagerström | Bateria
Lost Society online:
Site Oficial: lostsocietyfinland.com
Facebook: lostsocietyfinland
X (Twitter): @LostSocietyFI
Instagram: @lostsocietyfi





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