Tailgunner equilibra referências cinematográficas, energia clássica dos anos 80 e ambição contemporânea no novo álbum Midnight Blitz.
Em Midnight Blitz, a Tailgunner deixa claro logo nos primeiros minutos que entende profundamente o DNA do heavy metal dos anos 1980, mas não está interessada em apenas reproduzi-lo. O segundo álbum da banda britânica, lançado em 6 de fevereiro de 2026 pela Napalm Records, funciona como um encontro entre reverência e personalidade própria, algo cada vez mais raro dentro do revival da NWOBHM.

Energia do cinema dos anos 80
A experiência começa com referências muito bem colocadas. “Dead Until Dark” chama atenção imediatamente ao evocar o filme Os Garotos Perdidos (The Lost Boys), não só na letra, mas principalmente na atmosfera: clima noturno e uma estética oitentista que parece saída direto de uma trilha sonora de filme cult.
Apesar de a inspiração ter vindo de um poster que o baixista tem colado na parede de sua casa, a banda aproveita bem a ideia e mostra que referências funcionam melhor quando são absorvidas pelo som.
O mesmo acontece em “Tears In Rain”, título que dialoga diretamente com outro clássico do cinema oitentista – Blade Runner. Aqui, a Tailgunner aposta em um lado mais épico e melódico, com refrão grandioso e uma interpretação vocal que mostra o alcance e a versatilidade de Craig Cairns. É uma faixa que cresce com as audições e que representa muito bem a banda.
Muitos tons de heavy metal
Ao longo do disco, a Tailgunner transita por diferentes vertentes do metal sem perder coesão. “Eulogy”, que encerra o álbum, começa de forma quase solene e orquestrada, para depois explodir em uma catarse de speed metal, funcionando como um fechamento energético e ambicioso. Já “Follow Me In Death” flerta com a grandiosidade à la Iron Maiden, enquanto “Blood Sacrifice” acelera o ritmo e convida ao clássico punho erguido.
Em entrevista ao canal do You Tube do Jardim Sonoro, o baixista Bones revelou o amor que a banda tem por bandas como de metal clássico como o Helloween e o quanto eles queria trazer à tona todas as sonoridades que ama para este trabalho, sem se prender a estereótipos.
“War In Heaven” surge como a única balada do álbum e cumpre bem esse papel. Longe de ser apenas um momento de descanso, a faixa carrega uma sensação de súplica e redenção, funcionando como um respiro emocional antes da reta final.
Curiosamente, apesar da recorrente temática de guerra ao longo do disco, a impressão que fica não é de conflitos literais, mas de batalhas internas, dilemas e confrontos pessoais, uma releitura mais subjetiva de um tema clássico do heavy metal.
Produção vem da lenda do metal K.K. Downing
Produzido por ninguém menos que K.K. Downing, guitarrista lendário do Judas Priest, Midnight Blitz soa confiante, afiado e cheio de energia. A produção valoriza riffs gêmeos cortantes, linhas de bateria precisas e refrões feitos para serem cantados em coro, sem polir demais as arestas que dão identidade ao gênero.
Tracklist Midnight Blitz:
1. Midnight Blitz
2. Tears In Rain
3. Follow Me In Death
4. Dead Until Dark
5. Barren Lands And Seas Of Red
6. War In Heaven
7. Blood Sacrifice
8. Night Raids
9. Eye Of The Storm
10. Eulogy

TAILGUNNER é:
Craig Carns – Vocals
Rhea Thompson – Lead Guitar
Zach Salvini – Lead Guitar
Bones – Bass Guitar
Eddie Mariotti – Drums
TAILGUNNER online:
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