O novo álbum do Beyond the Black, Break the Silence, vai além do sinfônico e explora texturas eletrônicas, folk e modernas, além de vocais mais ousados.
Em Break the Silence, o Beyond the Black aposta em uma sonoridade mais diversa que amplia os limites do metal sinfônico pelo qual a banda é conhecida. Folk, metal moderno e ambientações etéreas dividem espaço com uma rica variedade de texturas, reforçada por participações de peso como Lord of the Lost, Asami (Lovebites) e o grupo The Mystery Of The Bulgarian Voices.
Lançado em 9 de janeiro pela Nuclear Blast Records (e distribuído no Brasil pela Shinigami Records), o disco é um trabalho conceitual que dialoga diretamente com o presente. Ao longo das faixas, temas como comunicação, isolamento, força interior e reconexão emocional ganham destaque em um mundo cada vez mais fragmentado.

Desde os primeiros segundos de “Rising High”, fica claro que o Beyond The Black mantém sua base no metal sinfônico melódico, mas agora com uma paleta sonora mais ampla. A faixa abre o álbum com energia elevada e um refrão expansivo, funcionando quase como um manifesto otimista que contrasta com a densidade temática do disco.
Em seguida, a faixa-título “Break The Silence” reforça a ideia central do álbum e traz à tona a essência sinfônica da banda, combinando peso e atmosfera épica. Ela tem toda a dramaticidade e estrutura típica dos grandes hinos da banda.
A busca por diversidade sonora é bem notável no álbum Break the Silence e isso aparece com força em “The Art of Being Alone”. Esta faixa é uma parceria incrível com Lord of The Lost e carrega o ouvinte para uma atmosfera introspectiva e melancólica. O contraste das vozes de Jennifer Haben e Chris Harms entregam a dramaticidade e a emoção que o fundo sonoro pede. Sem dúvidas, uma das faixas mais emocionantes do álbum.
Outro ponto alto do disco é “Let There Be Rain”, que tem a participação de Gergana Dimitrova, solista do grupo The Mystery Of The Bulgarian Voices. O verso folk que ela encaixa na música garante uma atmosfera intensa e poderosa, adicionando mais uma camada ao álbum Break the Silence. O resultado é uma canção quase ritualística, que mistura peso, melodia e elementos folclóricos com naturalidade.
Jennifer Haben define bem o espírito da música ao dizer que ela fala sobre “abraçar a tempestade em vez de lutar contra ela”, ideia que se conecta diretamente ao conceito do álbum. Não por acaso, a metáfora da tempestade funciona perfeitamente para unir a mensagem da faixa a um som carregado de força e ancestralidade.
Em seguida, o disco alterna momentos grandiosos e reflexivos com passagens mais densas e suaves. “Ravens” é uma dessas faixas mais calmas, porém intensas, que revelam a força por trás da vulnerabilidade.
Já “The Flood” segue um caminho semelhante ao da faixa de abertura ao incorporar elementos mais modernos ao som tradicional da banda. O principal diferencial está nos vocais com efeitos eletrônicos presentes no refrão, que adicionam uma camada distinta à música, ainda que soem um tanto desnecessários dentro do conjunto.
“Can You Hear Me” surge como mais uma aposta do Beyond The Black em uma abordagem moderna. A faixa utiliza recursos de edição em 3D, que distribuem o som entre os canais esquerdo e direito, além de apostar em melodias e coros típicos do metal contemporâneo.
A participação de Asami, do Lovebites, funciona muito bem dentro da proposta e reforça o tema da música, centrado na comunicação e no diálogo. Aqui, o contraste entre os vocais é usado como um recurso narrativo e emocional, ampliando o impacto da canção.
“(La Vie Est Un) Cinéma” traz um respiro mais cinematográfico e contemplativo (e retoma a ideia dos vocais com efeito robótico). Com uma atmosfera quase nostálgica e etérea por conta dos sintetizadores, a música mistura línguas, vocais, texturas e sensações sendo uma verdadeira experiência sonora.
Já quase no finalzinho, “Hologram” traz mais energia e uma força melódica para Break the Silence. “Weltschmerz” fecha o álbum com mais sensações e misturas sonoras para falar da dor universal. A faixa traz violinos, ambiência etérea e o vocal cristalino de Jennifer Haben, que escolheu sua língua original (o alemão) para cantar a maior parte da música, garantindo ainda mais profundidade emocional à composição.

Um sonoridade em evolução
Mesmo com tantas camadas e ideias, Break The Silence não perde o foco na identidade do Beyond The Black. Os refrões continuam fortes, as melodias são pensadas para permanecer na memória e a performance de Jennifer Haben segue como um dos grandes destaques do grupo. Sua interpretação vocal equilibra potência e sensibilidade, conduzindo o ouvinte pelas diferentes emoções propostas pelo álbum.
Naturalmente, essa abordagem mais ampla pode dividir opiniões, pois com certeza muitos fãs vão sentir falta do metal sinfônico mais direto dos primeiros disco. Ainda assim, o cuidado com os arranjos e a coesão conceitual garantem que o disco funcione como uma experiência completa, pensada para ser ouvida do início ao fim.
Um dos grandes acertos do álbum está na escolha das participações, como Asami e o Lord of the Lost, que ajudam a expandir a narrativa lírica e a proposta conceitual do disco. Da mesma forma, a produção adiciona elementos modernos de maneira sutil, permitindo que a banda preserve sua identidade sem que o álbum soe simplesmente como de um grupo de metal moderno.
No fim das contas, Break The Silence representa um passo adiante na evolução do Beyond The Black. Mais maduro, mais ousado e emocionalmente envolvente, o álbum confirma a banda como uma das forças mais relevantes do metal sinfônico atual, mostrando que quebrar o silêncio, às vezes, significa também ter coragem para mudar.

BEYOND THE BLACK – BREAK THE SILENCE
01. Rising High
02. Break The Silence
03. The Art Of Being Alone (feat. Lord Of The Lost)
04. Let There Be Rain (feat. The Mystery Of The Bulgarian Voices)
05. Ravens
06. The Flood
07. Can You Hear Me (feat. Asami from Lovebites)
08. (La vie est un) Cinéma
09. Hologram
10. Weltschmerz
Break the Silence, do Beyond the Black, está disponível no Brasil por meio da parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Records.

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