Com Ascension, Paradise Lost revitaliza seu peso e doom em uma obra que fala de uma ascensão que mira não para cima, mas para dentro.
Ascension, novo álbum do Paradise Lost e 17º de sua carreira, consolida uma síntese madura entre o doom/death clássico da banda e o romantismo sombrio de sua fase gótica. Liricamente, o álbum desenvolve uma reflexão sobre o que significa ascender em um mundo em colapso. Mas, em vez de heroísmo, o álbum propõe um movimento interno e doloroso, guiado por temas como falhas humanas, perda, dúvida espiritual e a tensão contínua entre redenção e desespero.
Ascension, do Paradise Lost, foi lançado em 19 de setembro de 2025 pela Nuclear Blast e é distribuído no Brasil pela Shinigami Records.

Sombras que se erguem
Logo de cara, o título do álbum nos transporta para nossas sombras internas, pois Ascension se refere à crença de que ascenderemos a um lugar melhor, saindo da terra e indo até o céu. Segundo o vocalista Nick Holmes, “na vida real, as pessoas frequentemente lutam desde o nascimento para chegar a um lugar melhor, tentando ser alguém melhor, mesmo sabendo que a única recompensa é a morte.”
Nesse sentido, desde os primeiros segundos, Ascension mergulha o ouvinte em um ambiente pesado e reverente, como uma catedral erguida de ruínas. Em “Serpent on the Cross”, riffs graves, vocais guturais e uma sensação de presságio dominam a cena, preparando o terreno para uma jornada que alterna entre tormento e contemplação.
O eixo emocional do álbum se fortalece em “Salvation”, que funciona como uma espécie de epicentro melódico: longa, arrastada e devastadora, ela projeta o ouvinte para dentro do coração do desespero, enquanto solos emocionais se misturam a riffs saturados que parecem pesar toneladas.
“Tyrants Serenade” e “Silence Like the Grave” vão fundo no peso emocional trazendo guitarras incisivas que parecem cortar a pele do ouvinte, mas um vocal imponente, que demonstra o pouco de sensatez restante em meio às sombras.
Já “Lay a Wreath Upon the World” desacelera e traz um luto quase ritualístico, com vocais contidos e camadas atmosféricas que ampliam o clima soturno. Já em “Savage Days” e “Sirens”, o Paradise Lost revisita sua força mais direta: graves densos, guitarras opressivas, que funcionam como um mergulho em mar revolto: em alguns momentos puxam o ouvinte para o fundo, em outros o empurram de volta à superfície, permitindo um rápido respiro.
Conforme o álbum se aproxima do final, músicas como “The Precipice” e “A Life Unknown” revelam uma banda confortável em explorar vulnerabilidade sem abandonar a escuridão que sempre definiu sua identidade.
A arte por trás de Ascension
A arte da capa ajuda a moldar todo a temática de Ascension e ela não poderia ser mais bem colocada. Isso porque a arte não é inédita, mas uma pintura The Court of Death (1870–1902), do artista britânico George Frederic Watts, atualmente exposta na Tate Gallery, em Londres.
Na obra, a Morte aparece como um anjo entronizado, acompanhada por figuras alegóricas do Silêncio e do Mistério, guardiãs do nascer do sol e da estrela da esperança. Diante dela, um guerreiro entrega sua espada e um duque depõe sua coroa, reforçando a impotência do status humano frente ao inevitável. Essa visão sombria e profética dialoga com precisão com as paisagens sonoras de Ascension, em que melancolia, peso e presságios se entrelaçam em um cenário de beleza desoladora.

Uma ascensão às avessas
Ascension é um disco que cresce a cada audição, revelando nuances que vão da fúria à fragilidade, da angústia à aceitação. A banda transforma sofrimento, reflexão e queda em elementos de construção, criando uma obra que soa como ascensão — não para cima, mas para dentro — rumo às zonas mais densas e verdadeiras da existência.
O álbum carrega toda a perfeição estética já reconhecida do Paradise Lost e sua aura cada vez mais pesada e influenciada pelo death, mas sem perder sua essência grave, soturna e doom. É mais um trabalho cheio de camadas que necessita de tempo para ser assimilado e que traz uma atmosfera pesada que se mistura a uma crítica sutil ao desgaste das certezas e ao impacto emocional de viver sob ruínas constantes.
Paradise Lost | Ascension Faixas
01 Serpent On The Cross
02 Tyrants Serenade
03 Salvation
04 Silence Like The Grave
05 Lay A Wreath Upon The World
06 Diluvium
07 Savage Days
08 Sirens
09 Deceivers
10 The Precipice
11 This Stark Town
12 A Life Unknown

Mais sobre Paradise Lost
Com mais de três décadas de carreira e mais de dois milhões de álbuns vendidos, Paradise Lost permanece como os reis incontestáveis do lado sombrio do metal. Formada em Halifax em 1988, a banda rapidamente se destacou como pioneira do metal gótico através de seus primeiros álbuns revolucionários como Gothic de 1991, uma mistura de peso entrelaçado com melodia sombria e atmosfera.
Nunca sendo um grupo que permanece criativamente estático, ao longo de sua carreira eles exploraram uma miríade de caminhos da música sombria, desde as raízes do doom-death viscoso, até conquistar o mainstream do metal com os sons enormes e luxuosos de Draconian Times de 1995, até tendências mais experimentais e eletrônicas, deixando uma influência em uma trilha de artistas tão variados quanto Cradle of Filth, HIM, Gatecreeper e Chelsea Wolfe.
Agora, em 2025, o quinteto de Yorkshire retorna com seu impressionante 17º álbum, Ascension, um disco que vê sua coroa continuar a brilhar enquanto sublinha como eles alcançaram sua posição. Produzido pelo guitarrista Gregor Mackintosh nos estúdios Black Planet em East Yorkshire, com bateria e vocais capturados nos estúdios NBS e Wasteland na Suécia, suas 10 faixas atravessam a multidão de sons no arsenal da banda, do heavy metal completo à melodia nas alturas, sempre mantendo uma melancolia em tom menor que permanece irresistível.
Paradise Lost é
Nick Holmes: Vocal
Gregor Mackintosh: Guitarra
Aaron Aedy: Guitarra
Steve Edmondson: Baixo
Guido Montanarini: Bateria
Paradise Lost online:
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