O novo álbum da banda de death metal progressivo Persefone — Live in Andorra — garante arrepios e redefine a força da banda ao vivo ao lado de uma orquestra.
Live in Andorra, da banda Persefone, ainda nem foi lançado, mas já desperta emoção, inquietação e uma pergunta que não quer calar: como uma banda tão brilhante permanece tão pouco ouvida? Marcado para 5 de dezembro de 2025 via Napalm Records, o álbum sintetiza não só a genialidade musical e a profundidade espiritual do sexteto andorrano, mas também a realidade de um mundo que talvez não esteja acostumado — ou disponível — para digerir obras longas, densas e altamente complexas.
O inédito Live in Andorra, que foi registrado juntamente com a Orquestra Nacional, surge justamente nesse contexto: em meio a arranjos intrincados, intensidade emocional e comunhão espiritual, o Persefone libera toda a sua criatividade e identidade, oferecendo um registro que não apenas evidencia sua potência, mas reafirma que esta é uma banda que merece muito mais ouvidos do que já possui.

Performance inédita e arrebatadora
Gravado em maio de 2024 no Auditório Nacional de Andorra, o álbum marca o primeiro show da banda em seu país natal após dez anos e celebra duas décadas de história. Mas o peso do registro vai além do simbolismo: ele captura o Persefone realizando algo que sempre pareceu tecnicamente inviável em palcos convencionais.
Segundo o baterista “Bobby” Verdeguer, em entrevista ao canal do Youtube do Jardim Sonoro, Canções como “Kusanagi” e “Living Waves” são repletas de camadas orquestrais e, por isso, nunca haviam sido executadas ao vivo de maneira integral. Em turnês, a banda sempre dependeu de samples para suprir a ausência de uma orquestra. O álbum Live in Andorra, portanto, é o momento em que essas peças finalmente respiram como foram imaginadas: com força, organicidade e o peso emocional de uma grande formação sinfônica ao vivo.
Além disso, o trabalho leva o ouvinte a uma jornada pela história da banda, agora completa. Isso porque o repertório percorre toda a sua discografia, incluindo os álbuns Lingua Ignota: Part I (2024), Aathma (2017), Shin-ken (2009), metanoia (2022) e o aclamado Spiritual Migration (2013). No total, 14 faixas revelam não só a versatilidade do Persefone, mas também a amplitude de sua ambição musical que, com o suporte da Orquestra Nacional Clàssica d’Andorra, encontra sua forma mais plena.
Esse conjunto de músicas ganha força renovada com o vocalista Daniel R. Flys, em seu primeiro grande registro ao vivo desde que entrou para a banda em 2023. Ele reinterpreta clássicos, traz frescor às faixas antigas e se integra com naturalidade à densidade instrumental que define o Persefone.
Novos arranjos e horizontes
Apesar da já complexa musicalidade do Persefone, a participação da orquestra não se limita a reproduzir arranjos já existentes. Sob o comando de Albert Gumí, que também colaborou criativamente com a banda, algumas faixas ganharam arranjos inéditos, mais elaborados, mais ousados e ainda mais alinhados ao espírito progressivo do Persefone. Gumí e o concertmaster Pere Bardagí conduzem a orquestra com um equilíbrio notável: técnica e emoção se cruzam, elevando peças já desafiadoras a um patamar de novidade brilhante.
O resultado não é apenas uma transposição sinfônica. É uma reimaginação, uma segunda vida para músicas que, pela primeira vez, encontraram o ambiente ideal para existir plenamente.
O que esperar de Persefone Live in Andorra
O álbum ao vivo em Andorra será lançado dia 05 de dezembro de 2025 pela Napalm Records e traz uma construção imponente, cinematográfica e emocional. A abertura com “Sounds and Vessels” seguida de “One Word” evidencia a harmonia entre banda e orquestra, com um impacto que supera qualquer versão anterior. “Living Waves”, agora com sua arquitetura instrumental completa, se transforma em um dos momentos mais arrebatadores do registro.
Já “Leap of Faith” mostra o Persefone no auge da sua veia progressiva, enquanto “Stillness Is Timeless” explora contrastes entre brutalidade e lirismo, entregando um piano expansivo que leva diretamente à introdução de “Prison Skin”. Já “Kusanagi”, com seu solo orquestral estendido, é o exemplo perfeito de por que este show não poderia acontecer em circunstâncias comuns: ali, banda e orquestra encontram um ponto de equilíbrio raro, quase cinematográfico.
A banda mostra sua essência nesse álbum, se dividindo e se complementando entre a complexidade instrumental de seu som progressivo, a brutalidade de riffs e vocais de seu death extremo até a genialidade de sua lírica filosófica.

Persefone Live in Andorra – Faixas
1- Sounds and Vessels
2- One Word
3- The Equable
4- Stillness is Timeless
5- Prison Skin
6- Cosmic Walkers
7- Living Waves
8- Kusanagi
9- Leap of Faith
10- Merkabah
11- The Great Reality
12- Flying Sea Dragons
13- Mind as Universe
14- Outro
Arte e resistência em meio a nova era
Para além do álbum, há algo maior em jogo: Live in Andorra também simboliza a resistência de uma arte que exige atenção em uma era que escuta cada vez menos. O Persefone é uma banda genial — tecnicamente impecável, musicalmente ambiciosa e espiritualmente profunda — e, ainda assim, segue restrita a um nicho pequeno. Ainda durante a entrevista dada ao nosso canal do YouTube, Bobby reflete sobre como a velocidade e a ansiedade do mundo atual tornam difícil dedicar tempo a obras tão ricas e extensas quanto as deles.
Afinal, a complexidade do Persefone não está apenas nas camadas instrumentais: a lírica da banda, profundamente filosófica e espiritual, também exige atenção, e talvez esse seja mais um motivo pelo qual o grupo permanece tão nichado. Durante a entrevista, Bobby comentou sobre as reações intensas que presencia ao vivo:
“Nos shows, vemos pessoas socando o chão ou sentindo muito a música. Ao mesmo tempo que vemos pessoas chorando ou meditando.”
E, ao refletir sobre a capacidade da música de realmente tocar o público, ele acrescentou:
“Você não precisa se mexer o tempo todo, sabe? Mas tem alguém ali gritando com você na sua cara. Então, sinta alguma coisa.”
Essas falas nos levam a um ponto crucial: para viver a experiência proposta pelo Persefone, é preciso abertura e entrega, algo cada vez mais raro em uma era dominada pelo scroll infinito e pela atenção fragmentada.
Então, fica a pergunta: um álbum de death metal progressivo, com letras que convidam à reflexão sobre filosofia e espiritualidade, se torna, assim, uma obra de arte escondida ou será que ele simplesmente não encontra espaço dentro das urgências da nova era?
Essa provocação ganha ainda mais força no encerramento do álbum: a emocional “Outro”, uma peça instrumental conduzida por um piano marcante e por um motivo orquestral que evoca esperança. A faixa parece suspender o ouvinte em plena contemplação e, nesse instante, a pergunta se impõe com mais nitidez: o problema está realmente na nossa era ou na nossa falta de conexão com o outro?

O marco da discografia do Persefone
Mais que um espetáculo, Live in Andorra é uma conquista artística. Representa o momento em que o Persefone se liberta das limitações do palco tradicional e alcança o ápice de sua visão musical: complexa, emocional e profundamente imersiva.
Ao executar pela primeira vez, em sua forma plena, músicas que antes eram impossíveis de tocar ao vivo sem uma orquestra completa, o grupo registra não apenas um show, mas uma vitória histórica. Com os novos arranjos criados em parceria com o maestro Albert Gumí, a expressividade do repertório se expande ainda mais, fazendo deste álbum um marco incontornável na discografia da banda.
Live in Andorra reafirma não apenas a grandeza do Persefone, mas a necessidade de desacelerar para apreciar músicas que convidam à reflexão, à imersão e ao deslumbramento. Ele não é só progressivo, grandioso e virtuoso, ele garante arrepios e reafirma o quanto o Persefone merece ser ouvido por muito mais pessoas.
Persefone é:
Carlos Lozano Quintanilla – guitarra
Miguel “Moe” Espinosa – teclado e vocal
Sergi “Bobby” Verdeguer – bateria
Daniel Rodríguez Flys – vocal
Filipe Baldaia Ribeiro – guitarra
Toni Mestre Coy – baixo
Persefone online:
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