Versatilidade, densidade, técnica e colaboração com Lamb of God marcam Where Only the Truth Is Spoken, o quarto álbum do Malevolence.

A banda britânica Malevolence lançou em 20 de junho de 2025 seu quarto álbum de estúdio, Where Only the Truth Is Spoken. Um disco que une groove metal, hardcore e metalcore com uma pegada mais refinada e ameaçadora do que nunca. Neste trabalho, Malevolence vai além da pura porradaria e consegue surpreender no conjunto: a versatilidade dos vocais, a densidade das guitarras e baixo e a técnica absurda da bateria.

O álbum foi gravado pela MLVLTD em parceria com a Nuclear Blast Records e tem distribuição no Brasil pela Shinigami Records.

Foto: Ramsey Ramone

Logo na faixa de abertura, “Blood to the Leech”, o álbum inicia com um ataque violento de guitarras cruzadas e bateria que pulsa com peso, criando uma atmosfera de provocação e urgência. Logo de cara, Malevolence mostra a que veio empurrando uma porrada no ouvinte com uma faixa agressiva e intensa. 

Esse clima se continua em “Trenches”, em que os vocais carregados de frustração contrastam com riffs cadenciados, refletindo temas de traição e confrontação. Sonoramente, a música é construída em várias camadas, que conferem diferentes sensações para a música. Ela acelera e desacelera; foca nos versos, ganha ritmo e atenta aos riffs. É aquela faixa ideal para o mosh, incluindo momentos de porradaria e de caminhadinha pra descansar um pouco, mas sem sair do círculo.

Em “If It’s All the Same to You”, a banda demonstra seu talento para variar velocidades e texturas: riffs complexos se misturam com breakdowns precisos e um solo virtuoso, entregando um balanço técnico e emocional. “Counterfeit”, por sua vez, usa um riff sombrio para construir tensão, que explode em um refrão que fica na mente e um solo agressivo, reforçando a crítica à falsidade nas relações.

E depois de tanta pancadaria, finalmente os refrescos. “Salt the Wound” surpreende com uma pausa melódica bem-vinda. Ela traz acordes limpos e vocais mais suaves que abrem caminho para um refrão poderoso, antes de mergulhar novamente numa explosão de peso. É uma das faixas mais emocionalmente carregadas do álbum, evocando um senso de cura e confronto interno. Além de mostrar a versatilidade dos vocais. Em seguida, “So Help Me God” retorna ao terreno brutal, com riffs galopantes e um refrão explosivo, convidando o ouvinte a participar da catarse sonora.

“Imperfect Picture” explora a vulnerabilidade com breakdowns pesados e melodias sombrias numa reflexão sobre imperfeição pessoal e relações complicadas. Esta não é a faixa mais contagiante do álbum, mas mantém a consistência lírica e pesada, não deixando a banda se perder.  Já “Heavens Shake” é dinâmica, cadenciada e com um ar de estar chegando ao inferno (apesar do título). Os versos e o refrão formam um misto de agressividade e desespero.

A antepenúltima faixa, “In Spite”, ganha uma intensidade extra com a participação de Randy Blythe (Lamb of God). Os vocais se entrelaçam numa performance crua e visceral, e a instrumentação acompanha com ritmos furiosos e grooves ameaçadores. Fique de olho nessa faixa, ela é uma das trilhas mais marcantes do álbum. “Demonstration of Pain” segue com uma fúria implacável, trazendo uma paleta pesada de metalcore e densidade rítmica. E, por favor, dê atenção especial à bateria. Ela dá um brilho especial à faixa e consegue se sobressair mesmo em meio a enxurrada de guitarras aterradoras.

Para fechar, “With Dirt From My Grave” combina batidas rápidas, solos elaborados e um refrão gritante, embalando uma narrativa de sacrifício e honestidade. É um desfecho à altura para um álbum que apostou em cada nota para ser autêntico e impactante.

Um pouco de porrada, um pouco de melodia

Where Only the Truth Is Spoken não é apenas um exercício de agressividade. É uma obra que reflete a trajetória da banda, suas frustrações, vitórias e a sinceridade brutal de suas convicções. A produção clara de Josh Wilbur permite que cada detalhe — seja um breakdown ou uma frase sussurrada — seja sentido com força. A construção das músicas mostra maturidade: há espaço para peso, para melodia, para colaboração e para reflexão. Para os fãs de metal moderno que valorizam tanto a brutalidade quanto a profundidade, este álbum representa um ponto alto na discografia da banda.

Malevolence – Where Only The Truth Is Spoken

1. Blood To The Leech

2. Trenches

3. If It’s All The Same To You

4. Counterfeit

5. Salt The Wound

6. So Help Me God

7. Imperfect Picture

8. Heavens Shake

9. In Spite (ft. Randy Blythe)

10. Demonstration Of Pain

11. With Dirt From My Grave

Sobre Malevolence

Malevolence nunca esperou por permissão. Do underground aos palcos principais dos festivais, eles construíram sua reputação com pura força de vontade, shows arrasadores e uma base inabalável de riffs pesados e trabalho árduo. Agora, com seu quarto álbum de estúdio Where Only The Truth Is Spoken, o melhor de Sheffield entra em uma nova liga.

Gravado na Califórnia no lendário Studio 606 de Dave Grohl, o álbum foi captado através do icônico console Neve 8078, o mesmo equipamento que registrou discos revolucionários como “Nevermind” do Nirvana, “Rumours” do Fleetwood Mac e “Wildflowers” de Tom Petty. Para uma banda que sempre avançou sem compromissos, foi o cenário perfeito para esculpir um disco que representa tudo o que Malevolence defende. 

O álbum marca um novo nível de precisão na composição sem sacrificar o peso característico da banda. Trabalhando ao lado do produtor vencedor do Grammy, Josh Wilbur (Lamb of God, Gojira, Trivium), o resultado é Malevolence em seu estado mais punitivo, urgente e antológico.

Liricamente, Where Only The Truth Is Spoken reflete os princípios que Malevolence tem vivido desde o primeiro dia — honestidade, lealdade e integridade. Estes não são apenas temas entrelaçados no álbum, mas valores que a banda mantém em suas vidas pessoais e profissionais. Este disco não lida com fachadas ou gestos vazios; é uma expressão não filtrada das lutas, vitórias e irmandade inabalável que os trouxe até aqui.

Foto: Ramsey Ramone
MALEVOLENCE é:

Alex Taylor | Vocais

Konan Hall | Guitarra / Vocais

Josh Baines | Guitarra

Wilkie Robinson | Baixo

Charlie Thorpe | Bateria

Malevolence online:

https://www.instagram.com/malevolenceriff

https://www.facebook.com/MalevolenceRiff

Mais links:

https://www.instagram.com/m.l.v.l.t.d

https://www.instagram.com/nuclearblastrecords

https://www.instagram.com/shinigami.records.br

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