Misturando peso, vulnerabilidade e beleza sombria, a banda norte-americana Frayle lança o intenso “Heretics & Lullabies”.

A banda Frayle, de Cleveland, Ohio, nunca teve medo de olhar diretamente para o abismo nem de cantar para ele. Agora, com o lançamento de Heretics & Lullabies, seu terceiro álbum de estúdio pela Napalm Records, o duo formado por Gwyn Strang (vocais) e Sean Bilovecky (guitarras) entrega sua obra mais coesa, corajosa e sombriamente encantadora.

“Gostamos de cantar canções de ninar acima do caos”, resume Sean, com uma calma que contrasta com o peso de suas guitarras. “Tentamos retratar a dicotomia entre luz e escuridão, peso e suavidade. Não tentamos nos encaixar em um gênero específico — apenas deixamos as músicas acontecerem de forma autêntica.”

Essa autenticidade é palpável desde a primeira faixa, “Walking Wounded”, passando pelo inesperado e denso cover de “Summertime Sadness”, de Lana Del Rey. Gwyn conta que a escolha da música veio naturalmente: “Brincamos com algumas versões e no começo estávamos pensando demais. Mas quando o Sean tirou tudo de volta, deixando só notas isoladas, eu pensei: ‘É isso.’”

Identidade visual mística e sombria

A dualidade da banda não se limita ao som. A parte visual, sempre presente nos clipes e apresentações ao vivo, ajuda a construir o universo místico e sombrio de Frayle. “Gwyn e eu somos artistas visuais, ambos com formação em moda. A música vem primeiro, mas ela nunca parece completa até existir uma declaração visual”, explica Sean. Isso inclui capas de álbuns repletas de simbolismo, como a do novo disco, inspirada em imagens sacras. “Ela representa uma divindade abençoando, mas também carrega elementos do que está acima e do que está abaixo”, completa.

Gwyn, frequentemente coberta por véus, maquiagem ritualística e joias faciais, admite que essa estética também é uma forma de se proteger. “Sim, é uma tentativa de me sentir menos vulnerável. Ao mesmo tempo em que exponho partes profundas e obscuras de mim mesma, as máscaras me ajudam a continuar.”

Liricamente, o álbum é um diário aberto que fala de dor, saúde mental, feminismo e autodescoberta. Gwyn não esconde que seu objetivo é acolher quem ouve: “Sempre digo que a depressão é uma casa que você pode visitar, mas não deve morar nela. Se minhas músicas ajudarem uma pessoa a lidar com o que está passando, já valeu.”

Camadas de emoção entre o doom e o hard rock

Produzido por Aaron Chaparian (Bleeding Through, Harms Way), o álbum refina o conceito de “canções de ninar para hereges” que a banda vem desenvolvendo nos últimos anos. Entre o doom, o blackgaze e o post-metal, Heretics & Lullabies é um mergulho na dor e na cura. E, como Sean define, “uma expressão honesta de agressividade ou tristeza. Se estou me sentindo mais ferido, a música sai mais lenta e melódica. Se estou com raiva, vem mais hard rock”.

Músicas como “Demons” e “Glass Blown Heart” exploram camadas emocionais com poesia quase macabra, enquanto “Souvenirs of Your Betrayal” mergulha no desespero de uma traição. O encerramento, com a melancólica “Only Just Once”, parece um suspiro final — um ritual de passagem entre o que foi e o que ainda pode ser.

Frayle não está apenas reinventando o doom metal — está expandindo seus limites, tornando-o mais pessoal, visual e emocional. Heretics & Lullabies é o tipo de álbum que assombra e abraça ao mesmo tempo. Um sussurro em meio ao ruído do mundo.

Tracklist Heretics & Lullabies

Lançamento: 10 de outubro de 2025

1    Walking Wounded

2    Summertime Sadness

3    Boo

4    Demons

5    Souvenirs Of Your Betrayal

6    Glass Blown Heart

7    Hymn For The Living

8    Run

9    Heretic

10    Only Just Once

Crédito foto: Banda Frayle

FRAYLE é:

Gwyn Strang: Vocals

Sean Bilovecky: Guitar

FRAYLE online:

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