Com influências que vão de Megadeth a SIA, o guitarrista Daniel Fonseca revela seu poder criativo e como a música entrou em sua vida de forma predestinada.

Por trás de riffs velozes, melodias modernas e letras que provocam reflexão, está Daniel Fonseca, um guitarrista e compositor brasileiro de apenas 19 anos que vem conquistando seu espaço com personalidade e talento raros. Com uma trajetória que começou aos 13 anos e já soma parcerias com grandes nomes do rock nacional, como  Kiko Loureiro, Felipe Andreoli, ele prova que idade não limita a profundidade artística.

Com um EP (“Alienize” – 2022), diversos singles lançados e o álbum “33” em vista, Daniel tem mostrado sua evolução na música e encontrado seu caminho sonoro, indo desde os cânones da guitarra ao experimental e moderno. Nesta entrevista, ele comenta sobre como seguiu um caminho musical, mesmo sem ter influências artísticas na família, como estabelece sua rotina com a música, sobre sonhos e mais.

Fotos: Henrique Grandi

Primeiro EP “Alienize” é virtuoso e cheio de ícones da música

A estreia de Daniel Fonseca no cenário musical não foi tímida. Com apenas 16 anos, ele lançou o EP “Alienize”, um trabalho técnico, veloz e carregado de riffs complexos. Mais do que mostrar domínio do instrumento, Daniel revelou ali uma identidade artística em formação, influenciada por gigantes do heavy metal, mas já apontando para a ousadia e versatilidade que viriam a seguir.

JS: No primeiro EP, “Alienize”, seu estilo é veloz e cheio de riffs complexos, como vemos no single “New Reality”, algo já marcante nas suas composições. Mas qual você considera ser a sua marca registrada?

Daniel: Apesar de eu ter mudado completamente meu som no novo álbum 33, não abandonei esses elementos — eles ainda estão presentes em boa parte das novas músicas. No entanto, passei a dar mais importância à experimentação sonora, a melodias mais cativantes e a combinações musicais inesperadas. Antes, minhas principais influências eram bandas como Megadeth, Cacophony, Iron Maiden e Judas Priest. Agora, além dessas, também me inspiro fortemente em nomes como Radiohead, Balu Brigada, Muse, Smashing Pumpkins e Deftones, que passaram a ter um papel muito mais presente na minha sonoridade.

JS: No seu primeiro single, “Not Forsaken”, lançado em 2022, você já contou com a participação de grandes nomes do rock brasileiro. Qual a sensação de começar já com esse apoio?

Daniel: Sempre fui muito grato por, desde o início, ter o apoio de grandes músicos como Kiko Loureiro, Felipe Andreoli, Aposan, Adair, entre outros. É incrível como artistas que eu admirava como fã se mostraram pessoas fantásticas e sempre me apoiaram de forma tão generosa! Aprendi muito com eles — lições que me ajudaram a me tornar um músico melhor a cada dia. Sem esse apoio e aprendizado, eu jamais conseguiria fazer um álbum como 33, que reflete um amadurecimento artístico, musical e profissional que construí ao lado deles.

Era “33” é moderna e experimental

Se “Alienize” firmou Daniel como um guitarrista virtuoso, o álbum 33 revela sua transformação. Ao mudar-se para os Estados Unidos, ele mergulhou em novas vivências e sonoridades que expandiram sua percepção musical. O resultado é um som mais moderno, pop e experimental, sem abandonar suas raízes, mas abraçando influências inesperadas e abrindo espaço para sua própria voz.

JS: Já falando sobre os lançamentos mais recentes, dá pra notar que as influências mudaram um pouco. Temos sua própria voz ali e uma sonoridade mais moderna, pop e experimental (“Behind the Mask” é a prova disso). Como você enxerga sua evolução ao longo dos anos? O que mudou no seu olhar para a música?

Daniel: Sempre gostei de flertar com diferentes sonoridades nas minhas composições, mas o grande gatilho para a mudança de identidade artística foi minha mudança para os Estados Unidos. Lá, me conectei com o Adair, produtor que expandiu completamente minha visão sobre música. Além disso, precisei aprender a cantar, já que não tinha mais um vocalista de confiança por perto. 

Os novos insights e a vivência do mercado americano me impulsionaram a transformar meu som. Outro fator importante foi o meu dia a dia na Califórnia, onde descobri novos artistas através dos meus amigos — e acabei me apaixonando por nomes como Tyler, The Creator, SIA e Balu Brigada, que abriram minha mente para um universo musical muito mais amplo.

JS. E sobre as letras das músicas? Também são compostas por você? Os temas são bem variados, mas normalmente reflexivos (como em “Plastic Idol”, que fala sobre venerar ‘figuras de plástico’). Qual é sua principal fonte de inspiração nesse sentido?

Daniel: Sim, eu escrevo todas as letras. Sempre tento abordar temas que são importantes para mim — especialmente os que questionam autoridades e refletem sobre espiritualidade e filosofia. Sou alguém que valoriza o diálogo reflexivo e a disseminação de ideias que fogem dos rótulos e do medo de se expressar, essencialmente indo contra a natureza humana que busca pertencimento e validação de grupos. 

Minha mensagem sempre será de união, amor e reconexão com quem você realmente é — buscando a verdade dentro de si, e não necessariamente em templos, partidos políticos ou qualquer grupo. Sempre tento passar uma mensagem específica mas, ao mesmo tempo, que fuja de divisão e ideias radicais.

“Minha mensagem sempre será de união, amor e reconexão com quem você realmente é — buscando a verdade dentro de si”.

O empurrão inexplicável da música

A conexão de Daniel com a música foi tão repentina quanto profunda. Sem histórico musical na família, ele começou a tocar violão aos 13 anos por incentivo da mãe e rapidamente entendeu que aquele era seu caminho. Aos 14, já estava sendo mentorado por Kiko Loureiro, iniciando uma jornada que uniria técnica, sensibilidade e propósito em cada nota.

JS: Você começou a tocar aos 13 anos e se desenvolveu rapidamente, tendo sido — inclusive — mentorado por Kiko Loureiro. Como decidiu que queria ser guitarrista e como surgiu a mentoria com o Kiko?

Daniel: A música entrou na minha vida de forma repentina, mas sempre senti que era o meu verdadeiro destino. Como ninguém da minha família era ligado à música, sinto que houve um empurrão do inexplicável para eu começar a tocar violão aos 13 anos — e, depois disso, minha carreira cresceu de forma muito rápida. Tudo começou quando minha mãe, sem muitas expectativas, me colocou em aulas de violão para acalmar minha mente inquieta e sonhadora. 

A relação com o Kiko começou quando me inscrevi no grupo de mentoria dele aos 14 anos — e seguimos conectados até hoje, com seus conselhos indispensáveis e apoio constante. Após conquistas como o patrocínio da PRS (minha marca favorita) e colaborações com gigantes da indústria, finalmente encontrei uma forma de expressar minha mente agitada e de me conectar com pessoas que entendem o que sinto.

“A música entrou na minha vida de forma repentina, mas sempre senti que era o meu verdadeiro destino. Como ninguém da minha família era ligado à música, sinto que houve um empurrão do inexplicável”.

JS Fale um pouco sobre você: como é sua rotina hoje? Quanto tempo dedica ao estudo do instrumento e à composição? Como concilia isso com a vida de um garoto de 19 anos? Como seus amigos e sua família enxergam sua carreira?

Daniel: Atualmente estou cursando faculdade nos Estados Unidos, então minha rotina é bastante corrida — especialmente durante gravações, lançamentos, shows e toda a correria da carreira musical. Mesmo assim, componho e produzo quase todos os dias, estudo guitarra por pelo menos uma hora diária e também pratico canto, algo que se tornou uma nova paixão. 

Conciliar a vida de um jovem morando sozinho no exterior com a carreira musical é desafiador, mas é isso que me faz feliz, pois tenho uma personalidade ambiciosa e hiperativa. No início, minha família tinha receio com o caminho musical, mas, após várias conquistas, passaram a se sentir mais seguros e felizes com minha decisão. Meus amigos da mesma idade também me apoiam bastante e entendem o que é seguir uma paixão com tanta intensidade desde jovem.

Fotos: Henrique Grandi

JS: Você já se apresenta como um guitarrista solo com composições próprias. Normalmente, vemos o caminho inverso: primeiro o guitarrista atua com uma banda e depois segue carreira solo. Como visualiza seu futuro? Pretende seguir solo ou também tem planos de colaborar com bandas?

Daniel: Amo o caminho que estou construindo como artista solo, pela liberdade criativa e por não depender de ninguém para alcançar meus sonhos. Mas, se surgirem oportunidades para formar bandas paralelas ou colaborar com outros artistas sem abandonar minha carreira solo, com certeza consideraria. 

Meu plano principal é consolidar minha carreira solo, construir uma base de fãs que transcenda idades, barreiras e culturas, e, ao mesmo tempo, atuar como produtor dos maiores artistas da atualidade. Também quero me envolver com a indústria cinematográfica — compondo trilhas ou até dirigindo filmes, que é outra grande paixão minha.

  • Ouça o single que dá nome ao novo álbum 33:

Saiba mais sobre Daniel Fonseca

Daniel Fonseca surgiu como um prodígio da guitarra ao lançar, aos 16 anos, o EP Alienize (2022), com produção e participações de grandes nomes do rock/metal brasileiro. Em 2024, após o lançamento do vídeo ao vivo de Revelation (com Derek Sherinian), Daniel iniciou a produção de seu primeiro álbum completo, 33 — reflexo de sua evolução musical e interior.

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Assessoria: TRM Press

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