Entre o folk e o death, Eluveitie deixa sua mensagem de integração entre corpo, alma, natureza e tempo em seu mais novo álbum, Ànv.
O Eluveitie lançou em abril de 2025, Ànv, um álbum conceitual que carrega mais do que a sonoridade típica do folk metal suíço. O título vem da língua gaulesa: Ànv significa “alma” ou “espírito”. A escolha do nome não é apenas simbólica: todo o álbum é uma exploração existencial sobre a condição da alma humana no mundo contemporâneo, inspirando-se nos mitos celtas, mas com os pés firmes na realidade atual. Essa conexão entre ancestralidade e presente é o cerne do novo trabalho.
O álbum Ànv, do Eluveitie, foi lançado pela Nuclear Blast Records e é distribuído no Brasil pela Shinigami Records.
Entre deuses e dilemas humanos
O álbum se abre com “Emerge”, um prelúdio instrumental que simula o nascimento — ou renascimento — da alma. Ele nos prepara para “Taranoías”, em que o caos toma forma sonora. A faixa aborda a confusão interior da mente humana, uma espécie de “psicose espiritual” representada por riffs intensos e uma orquestração desconcertante. Já “The Prodigal Ones” funciona quase como uma antítese: uma música mais acessível, com vocais limpos e refrão memorável, refletindo o retorno à luz após o mergulho no abismo.
A faixa-título, “Ànv”, é cantada inteiramente em gaulês e se destaca como o coração do disco. Ela é minimalista, delicada, e representa a pureza da alma em sua forma mais autêntica. A instrumentação folk e os vocais etéreos de Fabienne Erni carregam uma carga emocional rara até mesmo para os padrões de Eluveitie.
“Premonition” marca a volta da agressividade, com a banda equilibrando suas raízes death metal com melodias folclóricas que soam como um alerta ancestral. Seguindo essa linha, “Awen” — palavra galesa para “inspiração” — aborda a transcendência artística como forma de salvação. A faixa mistura vocais guturais de Chrigel Glanzmann com os vocais celestiais de Erni, representando o conflito e a harmonia entre razão e emoção.
Dualidade e transcendência
O ponto de virada do disco acontece com “Anamcara”, cujo nome refere-se ao conceito celta de “alma gêmea espiritual”. Com tom acústico e introspectivo, a faixa evoca a busca por conexão além da materialidade. Em contrapartida, “The Harvest” simboliza o ciclo de retorno à terra, usando uma sonoridade mais crua e orgânica. Aqui, a banda flerta com suas raízes pagãs, reforçando a ideia de que a alma não é eterna no sentido cristão, mas cíclica, como a natureza.
“Memories of Innocence” funciona como uma pausa lúdica: um interlúdio instrumental com flautas e cordas que remetem a danças antigas. Logo depois, “All Is One” aparece como uma ode à união universal, embora com um tom pop que gerou certa divisão entre os fãs mais ortodoxos. Apesar disso, a mensagem é clara: tudo é interligado — corpo, alma, natureza, tempo. Ao final, uma citação de Albert Einstein complementa a ideia da música: “o ser humano é parte de um todo que nós chamamos de universo”.
Conduzindo ao clímax, temos “Aeon of the Crescent Moon”, que retoma o peso e o simbolismo do álbum, com letras que abordam transformação espiritual sob o signo da lua crescente, muito bem representada na capa. E por fim, “The Prophecy” encerra o ciclo como uma verdadeira epifania musical: elementos orquestrais, coros tribais, e uma narrativa que sugere o renascimento da alma como parte de algo maior do que o indivíduo.
Corpo, alma, natureza e tempo
Ànv é mais do que um disco: é um rito de passagem sonoro. Eluveitie acerta ao unir seu legado celta a temas profundamente humanos e atuais. Combinando técnica, sensibilidade e ousadia, o álbum traça uma jornada espiritual que fala tanto aos devotos do folk metal quanto aos ouvintes em busca de experiências musicais mais densas. O uso da língua gaulesa, a presença renovadora da multi-instrumentista Lea-Sophie Fischer e a alternância entre agressividade e contemplação fazem deste um dos álbuns mais ambiciosos e completos da banda até hoje.



Tracklist Ànv
- Emerge
- Taranoías
- The Prodigal Ones
- Ànv
- Premonition
- Awen
- Anamcara
- The Harvest
- Memories of Innocence
- All Is One
- Aeon of the Crescent Moon
- The Prophecy
Sobre o Eluveitie
Formado em 2002 por Chrigel Glanzmann, o Eluveitie tem consistentemente fundido metal moderno com tradições musicais celtas. Originário dos Alpes suíços e profundamente enraizado na história, mitologia e espiritualidade celta, o grupo tornou-se uma pedra angular da cena do metal moderno.
Seu álbum de estreia, Vên (2004), estabeleceu as bases para uma mistura única de death metal melódico e folk tradicional. Álbuns subsequentes como Slania, Everything Remains (As It Never Was), Helvetios e Origins solidificaram sua reputação. Os álbuns acústicos Evocation I – The Arcane Dominion e Evocation II – Pantheon demonstraram sua versatilidade.
Em 2022, o Eluveitie lançou os singles ‘Aidus’ e ‘Exile of the Gods’, marcando um novo capítulo em sua jornada musical e ciclo temático, seguindo o conceito lírico aberto por seu último álbum de estúdio, Ategnatos. Essas faixas foram seguidas pelo anúncio de seu novo álbum, ÀNV, lançado em abril de 2025. Os primeiros singles revelados deste álbum foram ‘Premonition’ e ‘The Prodigal Ones’.

Ao longo dos anos, o Eluveitie passou por mudanças de formação, incluindo sua mais recente adição com Lea-Sophie Fischer no violino em maio de 2024. Apesar dessas mudanças, a essência e a alma da banda permanecem intactas. Com nove álbuns de estúdio, numerosas turnês ao redor do mundo e shows principais em todo o planeta, o Eluveitie continua sendo uma força dinâmica no gênero metal.
Com ÀNV, o Eluveitie mantém-se fiel às suas raízes enquanto explora novos horizontes musicais. Chegando como um de seus álbuns mais profundos e sinceros, ÀNV apresenta o resultado de mais de 20 anos de intenso envolvimento com a mitologia e espiritualidade celta, traduzindo conhecimento profundamente pagão para uma geração moderna. A jornada do Eluveitie reflete uma dedicação à autenticidade e inovação, garantindo seu lugar como uma presença definidora no metal moderno.
Eluveitie é
Chrigel Glanzmann – vocais, flautas, mandola, gaitas de foles, bodhran
Fabienne Erni – vocais, harpa celta, mandola
Alain Ackermann – bateria
Rafael Salzmann – guitarras
Jonas Wolf – guitarras
Kay Brem – baixo
Matteo Sisti – flautas, gaitas de foles, mandola
Lea-Sophie Fischer – violino
Eluveitie online:
Website http://www.eluveitie.ch/
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Adquira o álbum no Brasil:
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