Nesta entrevista, o vocalista e guitarrista do Lycanthro, James Delbridge detalhou o processo de criação do álbum Remnants of Rapture e deu dicas para os fãs.

Por trás das máscaras e metáforas mitológicas de seu novo álbum, o Lycanthro revela muito mais do que monstros: mostra camadas emocionais, influências diversas e um desejo claro de dialogar com o presente e com o passado que moldou a banda. Lançado recentemente, Remnants of Rapture é o trabalho mais ousado do grupo canadense até agora. Misturando referências que vão de animes e games a dramas pessoais, o disco mostra que o power metal ainda pode surpreender com autenticidade e versatilidade.

Em entrevista, o vocalista e guitarrista James Delbridge detalhou o processo de criação do álbum, as colaborações marcantes com nomes como Laura Guldemond (Burning Witches) e Stu Block (ex-Iced Earth), e os caminhos futuros do grupo, que sonha com uma turnê pelo Brasil.

Capa Remnants of Rapture

Entre Kaijus e Catarses: um álbum visual e emocional

A ideia de Remnants of Rapture nasceu com uma imagem clara: um lobisomem gigante, como nos filmes clássicos de Kaiju, devastando tudo pela frente. Para Delbridge, essa figura sintetiza visualmente a energia da banda: feroz, dramática, mas também carregada de estilo e referência à cultura pop.

“Queríamos algo que nos representasse visualmente, além de refletir a música. A imagem do lobisomem gigante na capa conecta tudo isso”, explica.

Mesmo com tantas referências da cultura pop, a construção do álbum se deu a partir da música e não das histórias. Segundo Delbridge, as faixas surgiram primeiro como homenagens a bandas como Running Wild, Warlord e os primeiros trabalhos do Helloween, e só depois ganharam letras inspiradas em animes, games ou temas pessoais. Um exemplo é “Far Beyond the Walls”, que nasceu musicalmente como tributo ao power metal clássico, mas ganhou narrativa inspirada no anime Attack on Titan.

fantasia, realidade, resiliência e redes sociais

Apesar da estética fantástica, Remnants of Rapture é um disco muito pessoal. Faixas como “Prison Eyes” abordam questões contemporâneas como inveja digital e alienação nas redes sociais, inspiradas em experiências reais de Delbridge durante a pandemia.

“O comentário da música é sobre como podemos sentir inveja de nossos amigos ou até mesmo de pessoas aleatórias que vemos nas redes sociais e que aparentemente estão levando uma vida melhor do que a nossa. Mas muitas vezes eles têm seus próprios problemas e sofrem tanto quanto nós, se não mais.”, afirma o vocalista.

Outras músicas, como “The Great Masquerade”, mergulham em temas como identidade, luto e superação. “Queríamos transmitir mensagens sombrias, mas otimistas. Ficar estagnado é uma das piores coisas que pode acontecer na vida. A arte, pra gente, é movimento”, resume James.

Parcerias explosivas: Laura Guldemond, Stu Block e mais

Um dos pontos altos do disco é a presença de convidados de peso. Desde o início, a banda planejou contar com nomes como Laura Guldemond, com quem Delbridge já havia trabalhado anteriormente em um projeto de ópera metal, e Stu Block, que entrou como voz sombria e potente em uma das faixas mais intensas do álbum.

“Sempre admirei vocalistas como Doro e Leather Leone, e a Laura traz essa força. Já o Stu é nosso amigo e parceiro de longa data. Seu vocal extremo levou a faixa para outro patamar”, comenta.

Além dos vocalistas, o álbum traz instrumentistas convidados como violinistas e flautistas, usados com sutileza para não comprometer a essência sonora do Lycanthro. “A ideia era agregar, não sobrecarregar”.

Lycanthro: um guia para novos ouvintes

Para quem está conhecendo a banda agora, o vocalista James Delbridge recomenda começar a jornada por três músicas que capturam diferentes fases e facetas do Lycanthro. A recém-lançada “Far Beyond the Walls”, presente em Remnants of Rapture, revela o lado mais épico e melódico do grupo, enquanto “Solaris” mergulha em atmosferas densas, com arranjos grandiosos e vocais carregados de emoção. 

Já para sentir o peso e a ferocidade do início da carreira, “Crucible”, do álbum de estreia, é a porta de entrada ideal para os fãs de um power metal mais agressivo. Essas faixas formam uma trilha de introdução sólida para quem deseja explorar o universo sonoro da banda canadense.

O futuro: festivais, turnês e o sonho de tocar no Brasil

Com base sólida no Canadá e passagens por festivais na Europa e nos EUA, o Lycanthro foca agora na promoção de Remnants of Rapture. Em agosto, eles sobem ao palco do Loud as Hell Festival, e preparam novas datas para 2026. E o Brasil? Está nos planos.

“Somos fãs de Angra, Vandroya e tantas outras bandas brasileiras. Sabemos da paixão dos fãs brasileiros de metal e queremos muito tocar aí o mais rápido possível!”, declara Delbridge.

Com Remnants of Rapture, o Lycanthro consolida sua identidade como uma banda que sabe equilibrar técnica, emoção e criatividade, sem medo de ousar em temas e sonoridades. Ao mesmo tempo em que presta homenagem às raízes do power metal, o grupo expande seu território com letras que dialogam com a vida moderna, colaborações de peso e uma produção ambiciosa. 

É um disco que funciona como carta de intenções e como convite: seja para quem já acompanha a trajetória da banda ou para quem está chegando agora, a nova fase do Lycanthro é uma experiência intensa, que une fantasia e realidade com sinceridade brutal e riffs enérgicos para ninguém botar defeito.

Mais sobre Lycanthro

Lycanthro é uma enigmática banda de power metal originária de Ottawa, Canadá. Com uma fusão única de power, thrash e metal tradicional, o grupo cria paisagens sonoras épicas, ousadas e inesquecíveis. Inspirando-se em nomes como Savatage, W.A.S.P., Blind Guardian e outros ícones do metal verdadeiro, o Lycanthro trilha seu caminho nas sombras da fantasia e do misticismo.

Suas composições mergulham em temas como horror clássico, cultura pop e mitologia, narrando jornadas através da imaginação com contos de luta pessoal e vitórias arrebatadoras. Após lançarem uma demo inicial e um EP, foi com o aclamado álbum completo Mark of the Wolf (2021) que a banda solidificou sua identidade — apresentando histórias poderosas, arranjos dinâmicos e até colaborações com um coral de câmara.

O Lycanthro já deixou sua marca em palcos lendários como o Power Metal Quest Fest (Reino Unido) e o Legions of Metal (Chicago), atraindo uma legião cada vez maior de fãs ao redor do mundo para sua alcateia metálica.

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Compre o álbum: Lycanthromerch.bigcartel.com

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