Dentre performances técnicas e momentos emocionantes, o Monsters of Rock 2025 promoveu uma verdadeira viagem pela aura rock’n’roll.

A edição de 30 anos do Monsters of Rock 2025 aconteceu no último dia 19 de abril no Allianz Parque, em São Paulo. E para celebrar três décadas em alto estilo, o evento reuniu gigantes do rock e do metal em um line-up histórico. De performances técnicas e emocionantes a momentos de pura euforia, nomes como Stratovarius, Opeth, Queensrÿche, Savatage, Europe, Judas Priest e Scorpions levaram o público a uma verdadeira viagem por décadas de música pesada. Com destaque para a energia contagiante do Europe, a precisão lendária do Judas Priest e o espetáculo visual do Scorpions, o festival reafirmou seu papel como um dos mais importantes do gênero.

Stratovarius: banda enérgica, público morno

A banda finlandesa Stratovarius chegou esbanjando simpatia e enfileirando clássicos! Conhecidos pelo seu power metal enérgico, eles até tentaram animar o público, mesmo com a pista premium ainda vazia e a plateia das cadeiras totalmente morna. Também, pudera, o calor estava intenso no início da tarde e a multidão de preto mal tinha forças pra gritar. 

Apesar disso, o vocalista Timo Kotipelto conversou bastante com os presentes e promoveu uma interação muito genuína com os fãs. Inclusive, a banda aproveitou bastante a área de passarela para serem vistos e ficar mais perto do público. Quem saiu do lugar de conforto, aproveitou bastante o show de uma das bandas mais importantes do power metal. 

O set foi curtinho, mas garantiu músicas indispensáveis como “Eagleheart”, “Speed of Light”, “Black Diamond”, “Eternity” e a icônica “Hunting High and Low” para fechar a apresentação. Veja setlist completo do Stratovarius.

Stratovarius. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

Opeth: perfeição, técnica e bom-humor

A banda sueca trouxe seu som introspectivo e pesado pra comemorar os 30 anos do Monsters of rock. No setlist, músicas como: “In My Time of Need”, “Ghost of Perdition” e “Deliverance” marcaram presença. No público, muitos fãs compareceram pra bater cabeça e acompanhar o show cheio de técnica e incrivelmente perfeito do Opeth.

Com músicas longas e densas, o vocalista Mikael Åkerfeldt intercalou suas epopeias sonoras com muita interação e bom humor. Ele comentou que o Opeth era a banda mais nova do line-up, apesar de ele mesmo ter 51 anos de idade. Além de revelar estar adorando o Brasil e a comida brasileira. Aliás, ainda sobre o Brasil, ele comentou a conexão especial que a banda tem com o país, devido ao primeiro baterista deles (Anders Nordin) ser brasileiro.  

Ele brincou também com o fato de as músicas serem longas, pesadas e psicodélicas e que eles não têm um sucesso como “Rock you like a Hurricane”, mas que sua música mais famosa, por incrível que pareça, é justamente a mais longa deles. E disse se sentir agradecido por isso. Como resposta a sua humildade, cada música rendeu um belíssimo coro dos fãs fieis, especialmente em “Deliverance”. Um show com zero defeitos e certamente um dos mais épicos do Monsters of Rock 2025! 

Confira setlist do Opeth.

Opeth. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

Queensrÿche esquentou o público com show emocionante

Assim que o Queensrÿche subiu ao palco, a comoção já foi geral, comprovando que eles já eram um dos mais aguardados pelo público. Dava pra notar a emoção das pessoas que dançavam e cantavam sem parar. 

A banda iniciou o show com alguns probleminhas no microfone do vocalista Todd La Torre, mas nada que afetasse a sua performance, de início. O transtorno logo foi consertado e eles entoaram hits como: “Warning”, “The Mission”, “Empire” e “Eyes of a Stranger”. Era evidente o entrosamento da banda, tanto entre si quanto com o público. Afinal, o que tinha de gente chorando com “Take Hold of the Flame”…

Queensrÿche. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

O set foi super fechadinho, mas muitos hits ainda faltaram, como o público fez questão de lembrar. Pois, ao final, ouvia-se muitos gritos com nomes de músicas que não apareceram no set. Mas, no geral, apesar de algumas falhinhas de execução, que não tiraram o brilho da banda em nenhum momento, a apresentação foi belíssima de se ver. Confira setlist do Queensrÿche.

Savatage: energia totalmente rock and roll

O Savatage chegou com muita energia e trazendo um show bem dinâmico. Eles souberam utilizar bem os telões, que alternavam entre imagens da banda e projeções relacionadas às músicas. 

O vocalista também se arriscou bastante no português e foi além do “obrigado” trazendo frases completas e pedindo pro público fazer barulho. No geral, o Savatage entregou simpatia e performance, indo desde as baladas até o som mais pesado. Eles cativaram totalmente a plateia e ainda brincaram com o título da música “Handful of Rain”, que chegou juntamente com os primeiros pingos chuva que ameaçavam cair. 

Neste show, com certeza, o público brilhou, pois não era difícil ver pessoas performando como se estivessem elas mesmas no palco ou pulando loucamente. E o público estava tão empolgado que o show teve direito até a invasão do palco. Isso porque uma moça subiu e chegou quase até a passarela, mas ela foi logo removida pelos seguranças. 

Com toda essa energia rock and roll, o Savatage mandou: “Jesus Saves”, “The Ocean”, “Change”, “Believe”, “Sirens” e muito mais. Confira o setlist completo da banda.

Savatage. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

Europe: comoção geral e troféu simpatia

Já podemos entregar o troféu simpatia da noite? Sem dúvidas, o Europe foi a banda que mais cativou o público no Monsters of Rock 2025. Além do desfile de clássicos um atrás do outro, a plateia cantou junto absolutamente tudo. Também, pudera, impossível não conhecer o setlist dessa banda com tanto tempo de história.

E ao vivo eles são ainda mais impressionantes, levaram muita energia, tiraram o público do chão e fizeram um show realmente incrível e recheado de sucessos: “Hold Your Head Up”, “Rock the Night”, “Walk the Earth” e “Scream of Anger”.

O vocalista Joey Tempest ainda se jogou no chão da passarela pra tentar fazer o microfone alcançar o público, mas infelizmente ela era alta demais. Porém, ele levantou em sorrisos na certeza de que estava fazendo o melhor show da noite. A banda ainda emendou um trecho de “No Woman No Cry” do Bob Marley e tentou interagir diversas vezes falando português.

Europe. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

Por fim, é claro, o Europe tocou seu maior sucesso “The Final Countdown” e tirou até os policiais de seu posto para irem cantar junto. Foi uma verdadeira comoção geral. Merece ou não merece o prêmio de melhor da noite?

Confira o setlist do Europe no Monsters of Rock 2025.

Judas Priest: fazendo jus ao título de lenda do heavy metal

Qualquer show do Judas Priest é certeza de espetáculo e um prato cheio para os amantes do rock clássico e seus elementos mais icônicos. Afinal, eles entregam um visual emblemático, show de luzes, som pesado e hits que marcaram décadas e até mesmo uma Harley Davidson em cima do palco. O Judas Priest é tudo isso e muito mais!

Sucessos de todas as eras como “Panic Attack”, “Breaking the Law”, “Riding on the Wind”, “Love Bites”, “Victim of Changes”, “Living After Midnight” fizeram parte do set. Mas o Judas Priest não deixou de lado as novidades como “Invincible Shield” e a ótima “Crown of Horns”, que merecem muito a sua audição, caso você ainda não conheça.

Em se tratando de performance, a banda foi absolutamente impecável, com destaque para o vocalista Rob Halford, que segurou até os vocais mais agudos com maestria. Já a interação com o público foi amigável, sem muitas firulas pra tentar conquistar. Mas, certamente, um show imperdível, que só uma lenda do heavy metal poderia entregar.

Confira o setlist completo do Judas Priest.

Judas Priest. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

Scorpions: 60 anos de carreira e show luminoso

Os headliners da edição de 30 anos do Monsters of Rock trouxeram décadas de sucesso ao comemorar 60 anos de carreira! Esse feito, com certeza, não é pra qualquer um. Assim, o show começou com imagens marcantes da carreira da banda no telão e já dando um gostinho do espetáculo que estava por vir.

Mesmo com tantos anos de estrada, a banda ainda guarda em si aquela aura de rockstars que encantam o público com músicas emocionantes e uma presença de palco imponente. Nisso, o Scorpions entregou uma qualidade impressionante, com direito a solo de bateria e até um escorpião gigante flutuando no palco. Algo que lembrou muito as turnês de bandas de rock dos anos 90, que eram super festivas.

A lista de incontáveis sucessos é algo até difícil de mencionar, já que teve “Bad Boys Running Wild”, “Send Me an Angel”, “Wind of Change”, “Tease Me Please Me”, “Big City Nights”, “Still Loving You” e muitas outras. Vale o destaque para a apresentação “Send Me an Angel”, em que o vocalista caminhou até a passarela e cantou debaixo de chuva e sob o brilho das luzes que vinham do público e que deram a impressão de um grande céu estrelado se formar para a performance da banda.

Scorpions. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

Esta, inclusive, foi a música em que o vocalista Klaus Meine entregou seu melhor momento, visto que durante a maior parte da apresentação, ele deixou um pouco a desejar. Pois, além da expressão morna, ele não atingiu muitas notas em boa parte das músicas. Mas isso nem de perto desanimou o público, que cantou junto e realmente degustou cada momento do show e aproveitou a execução impecável da banda.

Para finalizar esse momento icônico no Monsters of Rock 2025, o Scorpions tocou “Blackout” e “Rock You Like a Hurricane” para não deixar ninguém esquecer como eles varreram o mundo da música como um furacão nos últimos 60 anos e como são, ainda, tão relevantes. Confira setlist do show do Scorpions.

Monsters of Rock 2025: tributo ao legado da música pesada

O Monsters of Rock 2025 foi um verdadeiro desfile de lendas e momentos inesquecíveis, marcando com grande estilo os 30 anos do festival. Em resumo, enquanto o Stratovarius enfrentou um público ainda morno, mas conquistou os fãs mais fieis com simpatia e clássicos do power metal, o Opeth se destacou com um show denso e impecável, equilibrando peso e bom-humor de forma magistral. 

Já o Queensrÿche trouxe emoção à flor da pele e aqueceu o público com uma performance intensa, mesmo com pequenos deslizes técnicos. O Savatage, por sua vez, brilhou com seu dinamismo e conexão direta com os fãs, que retribuíram com total entusiasmo. O Europe garantiu o troféu simpatia da noite com um show contagiante, cheio de interação e sucessos atemporais, enquanto o Judas Priest reafirmou seu status lendário com uma performance precisa e poderosa. 

Scorpions. Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Mercury Concerts.

E, para fechar com chave de ouro, o Scorpions emocionou com um espetáculo visual e musical que celebrou seus 60 anos de carreira e consolidou sua relevância na história do rock. Finalizando, assim, mais um tributo ao legado do rock e mais uma edição épica do Monsters of Rock.

Fotos: Ricardo Matsukawa

Leave a Reply

Trending

Discover more from O Jardim Sonoro

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading