Novo álbum da banda italiana Lacuna Coil, Sleepless Empire, saiu dia 14 de fevereiro e reflete sobre a pressão de um mundo cada vez mais conectado.
Sleepless Empire, o novo álbum da banda Lacuna Coil traz reflexões sobre o mundo em que vivemos hoje, em que a necessidade de ser produtivo e estar conectado o tempo inteiro gera ansiedade e desconexão com o real. Já sonoramente falando, o álbum aposta em uma mistura do que já estamos acostumados a ouvir do Lacuna Coil com um pouco de influências mais modernas do metal. E tudo isso envolto em uma aura de ficção distópica bem coerente com a temática abordada.
Afinal, a ideia do título Sleepless Empire, ou “império insone”, foca no quanto estamos sempre acordados para cumprir com a obrigação de produzir e ser presente online para que não sejamos esquecidos.
Em entrevista à Rádio Rock da Finlândia, Cristina Scabbia, vocalista do grupo, comentou como isso afeta também o trabalho dos músicos atualmente. Ela falou sobre vida online e exposição excessiva nas redes sociais: “não só as pessoas comuns, mas também os artistas precisam estar disponíveis o tempo todo online”.
E expressou preocupação quanto à extrema dificuldade que os artistas têm em ganhar espaço e notoriedade nos tempos atuais. Segundo ela: “no mundo de hoje, precisamos provar algo o tempo inteiro, produzir o tempo inteiro, para que o público e as pessoas não se esqueçam de nós”.

Ela ainda falou sobre os privilégios de estar em uma banda com muitos anos de carreira e que tem atenção para tudo o que produz. Algo que ajuda o Lacuna Coil a não precisar se expor tanto.
No entanto, quem acompanha a cantora na internet sabe que ela é super presente nas redes e faz lives frequentemente. Então, quando questionada sobre isso, a vocalista comentou que gosta de compartilhar seus momentos, mas que presa por não mostrar demais sua vida pessoal.
Cristina ainda comentou que, apesar de tudo, estar em turnê é quase como estar de férias, para ela, que isso é algo que ela realmente gosta. E disse que a única parte estressante são as paradas nos aeroportos do mundo.
E mencionou um dos singles lançados do álbum, “Gravity”, no qual a banda aborda os altos e baixos da vida e do quão difícil é manter o equilíbrio nos tempos atuais, já que estamos tão perdidos.
Destaques de Sleepless Empire
O álbum Sleepless Empire trouxe muita criatividade, especialmente em termos vocais, explorando-os de diversas maneiras. Algo que podemos ouvir em “The Siege”, que tem um jogo bem legal de vocais: sendo o limpo em diferentes regiões acompanhando o gutural. Além de a música ter uma aura de mistério bem interessante.
Outro exemplo é “Oxygen”, que utiliza de efeitos em cima dos vocais gritados trazendo um aspecto moderno à música. Assim como uma linha de guitarras que desliza pela escala dando uma sonoridade curiosa para a música.
Já “Gravity” (um dos singles) usa muito bem a orquestração e vocais fazendo um balanço com a energia da música. Entrando na parte enérgica e mais veloz de Sleepless Empire, então, podemos citar “I Wish You Were Dead” (o último single lançado), que traz um vídeo bem bonito com direito a caixão de vidro e ótimas atuações da banda em uma história divertida.
A música segue a atmosfera do vídeo e é bem dançante, tanto que ganhou até coreografia. Eu arrisco dizer que ela tem um ar meio de Lady Gaga, pois eu vejo facilmente a artista pop fazendo uma versão dessa música.
Mudando um pouquinho a linha, “Hosting the Shadow (com Randy Blythe do Lamb of God)” ousa no gutural, é um pouco mais veloz e tem uma bateria super marcante, quase death. Além de um ar bem mais sombrio e longe do dançante da faixa anterior.
Do mesmo modo, “In Nomine Patris” segue a pegada mais acelerada, apesar do vocal meio lento no início e no refrão. O fato de ter o trecho em latim dá o grande diferencial da música.
- Leia também: Lacuna Coil retorna ao Brasil em março de 2025
Agora, falando da faixa-título, “Sleepless Empire”, os aspectos que mais brilham nela são a bateria e vocal. E, novamente, o recurso de deslizar pelas escalas chama a atenção.
Depois disso, o álbum segue descendo o ritmo, com ouvimos em “Sleep Paralysis”, que é um pouco mais arrastada e dentro do que estamos habituados quando se trata de Lacuna Coil. Em contraposição, os vocais de Cristina são mais ousados e super agudos em alguns momentos. Além de contar com um solo de guitarra virtuoso.
Para fechar Sleepless Empire, vem duas das melhores músicas do álbum. “In the Mean Time” (com Ash Costello do New Years Day) foi uma das primeiras conhecidas, sendo que a banda até tocou essa música no Summer Breeze Brazil no ano passado. É o clássico bela e a fera com gutural no verso e refrão limpo e melódico. Tem aquela estrutura padrão de verso, refrão, ponte, refrão, mas é uma das mais empolgantes. Além de ser cheia de riffs poderosos e bateria enérgica.
E “Never Dawn” encerra nos carregando para cenários inóspitos com sua atmosfera de suspense que Cristina consegue quebrar com uma única palavra: “run”. Só o trecho inicial é capaz de antecipar toda a tensão que se seguirá ao longo da música, pois a instrumental realmente parece correr enquanto os vocais expressam desespero. E fica para os sintetizadores manter o ar de suspense.
Conclusão
Em linhas gerais, Sleepless Empire chama a atenção pela sua atmosfera quase árida, tensa e misteriosa e que causa uma sensação de estarmos dentro de um jogo ou filme de ficção distópica. Algo que casa bem com a temática que foca num momento tão aguardado pela humanidade há tempos: a chegada do futuro e de uma vida completamente distante do analógico. O que não se esperava no passado era que o mundo pós-moderno, automatizado e cheio de facilidades seria tão desgastante.
Nisso, as letras trazem um assunto atual e amplamente discutido atualmente. Afinal, quem não está saturado do mundo digital e seus excessos? E da necessidade de ser produtivo e estar conectado o tempo inteiro?
Já focando mais na sonoridade, apesar de ser um álbum bem a cara do Lacuna Coil, ele traz pequenos detalhes que fazem a diferença para as músicas e que ajudam o ouvinte a adentrar em seu universo árido. Nisso, entram os versos em latim, as ambientações dos sintetizadores e orquestrações e até o próprio andamento das músicas que aceleram e freiam conforme a tensão que desejam passar.

Além disso, essa característica imaginativa dá margem para a criação de videoclipes bem criativos como os que eles já têm apresentado. E que, aliás, nos deixam na expectativa que outros igualmente empolgantes ainda venham por aí.
Mais um ponto importante a ser mencionado é o quanto o duo de vocais está em sintonia e é trabalhado de diversas maneiras criativas, sendo um grande ponto focal do trabalho. Além disso, o ar de metal moderno das músicas mostram que o Lacuna Coil não têm medo de ousar, experimentar coisas novas e se aproximar de uma sonoridade mais atual do gênero.
No entanto, mesmo assim, Sleepless Empire guarda muito da essência da banda, resguardando suas principais características. E essa é uma ótima maneira tanto de manter os fãs antigos, quanto de não sair do radar e conquistar novos. No fim das contas, o álbum traz ousadia e tradição na medida e entrega o essencial para agradar gregos e troianos.
Faixas Sleepless Empire

1. The Siege
2. Oxygen
3. Scarecrow
4. Gravity
5. I Wish You Were Dead
6. Hosting the Shadow (com Randy Blythe do Lamb of God)
7. In Nomine Patris
8. Sleepless Empire
9. Sleep Paralysis
10. In the Mean Time (com Ash Costello do New Years Day)
11. Never Dawn
Ao vivo no Brasil
Em breve, a banda Lacuna Coil estará de volta ao Brasil para 5 shows. E eles prometem uma experiência única para os fãs com clássicos do repertório da banda e, claro, do novo álbum Sleepless Empire.

Serviço Lacuna Coil no Brasil 2025
15/03 São Paulo, Carioca Club
16/03 Curitiba, Tork ‘n’ Roll
18/03 Belo Horizonte, Mister Rock
19/03 Brasília, Toinha Brasil Show
Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/lacunacoil
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