O novo álbum de Marko Hietala, Roses from the Deep, passeia pelo rock clássico e faz uma viagem emocional e alegórica para falar de sentimentos intensos.

Em entrevista à imprensa realizada pela Nuclear Blast Records, antes do lançamento de seu novo álbum, que será dia 07/02, Marko Hietala comentou sobre a intensa carga emocional que as letras e as músicas de Roses from the Deep carregam. Aliado a isso, o álbum mistura diversas referências musicais e histórias de vida de Hietala e sua banda como uma grande colcha de retalhos. 

Segundo o músico, isso se deve a grande afinidade entre ele e sua banda, especialmente quando se trata de vivências e gostos musicais. Algo que permitiu que eles explorassem diversos gêneros do rock, indo desde o progressivo dos anos 70, até o heavy metal dos 80 e o hard rock dos 90, além de englobar passagens acústicas, orquestrações e sonoridades épicas.

Outro detalhe mencionado por ele é a parceria com o guitarrista Tuomas Wäinölä, seu amigo de décadas, e com quem partilha vivências semelhantes. “Ele consegue captar bem minhas ideias, pois nossas vidas são um pouco parecidas em termos de alegrias e tristezas e, além disso, somos amigos há muitos anos e somos como irmãos”. Disse Marko.

Depressão, ansiedade e vivências: um mergulho em Roses from the Deep

As letras de Roses from the Deep exploram aspectos profundos da alma de Marko Hietala, especialmente quanto aos tópicos de saúde mental. Como ele próprio disse: “Eu coloquei muito de mim no papel, meio que compactei uma parte da minha vida nessas letras.”

E completou dizendo que o álbum “foi uma oportunidade de trabalhar questões de depressão e ansiedade por meio das letras e músicas”.

Nisso, Marko reflete sobre diversas fases de sua vida como em “Left on Mars”, em que fala sobre sua esposa e “Tammikuu”, que volta para sua infância tanto nas letras quanto nas referências sonoras.

Sobre a inspiração para “Tammikuu”, Marko disse:

“‘Tammikuu’ significa ‘janeiro’ em finlandês, é o mês do meu aniversário. Ela fala sobre a minha infância e as coisas que me influenciaram enquanto um garoto no interior. E, num segundo momento, menciona como os anos 80 mudaram minha visão. Essa música traz um som mais anos 70 e um pouco de heavy metal britânico dos 80, que me faz lembrar daquela época”.

Parceria com Tuomas Wäinölä

Ainda comentando sobre as letras, Marko Hietala fala sobre a importância da sua parceria de décadas com Tuomas Wäinölä. Ele comentou sobre o quanto eles têm afinidade de vida e que essa combinação gerou a letra de “Two soldiers”.

“Quem escreveu a letra de “Two soldiers” foi o Tuomas Wäinölä. Nós tínhamos a música meio flutuando em nossas mentes e alguns trechos acústicos. Tuomas conseguiu juntar as peças, criar um refrão e me mostrou uma sugestão de letra. Ele consegue captar bem minhas ideias, pois nossas vidas são um pouco parecidas em termos de alegrias e tristezas e, além disso, somos amigos há muitos anos e somos como irmãos.

Então criamos um dueto, que representa bem nossa amizade e transformamos isso na história da música, que fala sobre homens enfrentando a guerra e pensando em como alcançar seus sonhos futuros”.

Roses from the Deep é uma obra de rock clássico

Apesar de ser famoso por ter tocado baixo na banda de metal sinfônico Nightwish, o novo álbum solo de Marko Hietala traz pouca influência desse estilo de metal. Ela foca especialmente no rock dos anos 70 aos 90. E, quando questionado sobre o motivo desse recorte, ele disse:

“Eu gosto de muitas coisas, de tocar baixo e cantar e de tocar coisas mais acústicas também. Então, o álbum tem um pouco de progressivo dos anos 70, do hard rock dos anos 90 e das raízes do heavy metal britânico dos anos 80.

Em “Frankenstein’s wife”, por exemplo, a referência é propositalmente anos 80. A ideia era combinar a história com esse ar de hard rock poderoso, de música pra tocar em estádios. Já em “Dragon must die”, quisemos trazer algo mais metal e cheio de riffs. Mas tudo isso foi muito natural. Há muita história nessas músicas”.

Foto: Mika Toivanen

O tempo todo, Marko Hietala fez questão de comentar o quanto os músicos de sua banda têm bastante afinidade quando se trata de referências musicais. Algo que fica evidente na maior música do álbum “Dragon must die”, que é uma verdadeira jornada épica e progressiva. E, sobre o processo de composição desta música, ele comentou:

“Eu tinha algumas ideias para as guitarras de “Dragon must die” e, aos poucos, nós fomos juntando as ideias de todo mundo. E aí percebemos que ela tinha um potencial para ser um progressivo. Pois nós poderíamos explorar lugares diferentes e lugares mais rápidos e então voltar para o início. 

Quando estávamos no estúdio, os meus colegas resolveram experimentar um pouco e eu saí por alguns minutos pra dar uma volta. Quando retornei, eles disseram: ‘você deveria ouvir isso’. Eu disse: ‘ok’. E, então, vi que eles tinham criado bastante coisa e eu não pude reclamar, porque estava muito bom”.

Alegorias e o tom cinematográfico do álbum

Uma parte super especial de Roses from the Deep certamente são os videoclipes. Seja em “Frankenstein’s wife” ou em “Impatient Zero”, as referências ao cinema são inegáveis. E, justamente por ter muitas alegorias relacionadas à planetas, guerras, dragões e filmes, que o álbum tem essa cara super cinematográfica.

Então, quando perguntado sobre essa característica do álbum, Marko foi enfático:

“Bem, o fato de ser cinematográfico não foi de propósito. São muitas camadas musicais e de orquestração. Eu acho que essa percepção vem do fato de eu estar num grupo tão variado, que se expressa de tantas maneiras diferentes musicalmente, que tudo isso acaba acontecendo.

A banda tem muitas referências que se conectam e não se perdem em coerência quando juntamos os sentimentos de todos neste trabalho. Então, foi meio que inconsciente, nós apenas colocamos nossas ideias juntas e demos match”.

Com tanta referência, quando olhamos de longe, parece que nada disso está conectado, mas Marko diz o contrário. Algo que a capa do álbum e as fotos promocionais conseguem expressar bem.

Então, quando questionei se ele acredita que todas essas alegorias estão conectadas, Marko Hietala respondeu:

“Sim, eu acredito que estão conectadas. No fim, todas essas coisas levam para um mesmo lugar. Todo o simbolismo do álbum talvez não esteja tão na superfície, mas todo o processo de criação coletiva das letras é meio inconsciente. Apesar de a música ser muito precisa, matemática, juntos nós criamos as coisas inconscientemente, mas em algum momento se tornam meio emocionais”. 

Para ele, a conexão entre os membros da banda faz com que as referências tanto de vida quanto musicais de cada um se una e faça sentido no todo. Ele completa:

“As histórias podem refletir emoções diferentes para quem ouve, para quem experiencia o álbum. De certo modo, Roses from the deep reflete essa colcha de emoções em que cada um na banda incluiu sua parte. E eu estou orgulhoso deles”.

Sobre os shows e a vinda ao Brasil

Nos últimos anos, Marko Hietala tem visitado bastante o Brasil fazendo shows acústicos ou com banda, sempre trazendo grandes companheiros musicais. Em 2023, ele esteve no país com a cantora Anneke van Giersbergen e Tuomas Wäinölä. E, em 2024, com sua ex-companheira de Nightwish Tarja Turunen.

Sobre as parcerias, Marko comentou sobre mais uma cantora, sua conterrânea Noora Louhimo, da banda Battle Beast. Ele aproveitou para elogiar o talento dela, que o deixou impressionado durante os ensaios. “Ela é muito fodona!”, ele comentou. Noora vai fazer algumas participações nos shows do Marko na Finlândia (entre 07 e 15/02) cantando “Left on Mars”, que foi originalmente gravada por Tarja Turunen.

E, logo mais, em maio de 2025, Marko Hietala estará novamente no Brasil juntamente com Tarja para shows em Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

O que esperar de Roses from the Deep

Alguns singles já estão disponíveis para o público como: Frankenstein’s Wife, Left on Mars, Rebel of The North e Impatient Zero. E por eles já dá pra ter uma noção do que o álbum traz. Ou seja, Roses from the Deep aposta bastante no rock clássico, mas também surpreende com seus elementos orquestrados e música irlandesa em alguns momentos.

E nada disso é por caso, afinal, o álbum é cheio de histórias e busca levar o ouvinte para dentro delas com uma narrativa sonora muito bem pensada.

Nisso, “Dragon must die” e “Two soldiers” (que conta com a voz de J-P Leppäluoto), são cheias de progressivo e camadas épicas para contar suas histórias de batalhas. Já “Frankenstein’s wife” remete ao mistério das histórias de terror envolto numa roupagem de metal dos anos 80, que super encaixa com essa estética.

Mas nem só de rock e metal vive este álbum, afinal ele traz baladas belíssimas e músicas emocionantes como a faixa-título “Roses from the Deep” e a já conhecida “Left on Mars” em colaboração com a grande companheira musical de Marko Hietala: Tarja Turunen.

Além disso, há também uma faixa em finlandês: “Tammikuu”, que segue o estilo principal bem rock and roll do álbum. Além de “Proud whore”, que tem uma pegada bem anos 90 e fala sobre a vida de artista.

Roses from the deep é super criativo e é pra quem gosta de rock, de metal, assim como boas histórias de terror, de batalhas e também de diversidade sonora em um mesmo álbum.

O novo trabalho de Marko Hietala será lançado logo mais, no dia 07 de fevereiro, pela Nuclear Blast Records e Shinigami Records, em todas as plataformas de streaming musical.

Tracklist

1. Frankenstein’ s Wife

2. Left On Mars

3. Proud Whore

4. Two Soldiers

5. The Dragon Must Die

6. The Devil You Know

7. Rebel Of The North

8. Impatient Zero

9. Tammikuu

10. Roses From The Deep

FORMAÇÃO

Marko Hietala – vocal, baixo

Tuomas Wäinölä – guitarra

Vili Ollila – teclados

Anssi Nykänen – bateria

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