O festival da banda Slipknot, o Knotfest Brasil, apostou em nomes tradicionais e em ascensão do metal mundial para celebrar os 25 anos dos mascarados.
No último domingo, 20 de outubro, São Paulo recebeu no Allianz Parque o segundo dia do festival Knotfest Brasil, promovido pela banda Slipknot. O evento contou com artistas brasileiros e estrangeiros que têm feito barulho na cena rock e metal, consolidando o festival como um grande celeiro para a nova música. Além disso, a banda fechou a noite com uma apresentação focada em seu primeiro álbum e confirmou a aprovação dos brasileiros para a introdução de Eloy Casagrande no time de mascarados.
Slipknot do Brasil
2024 marca o 25º aniversário do álbum de estreia do Slipknot e, por isso, os shows no Knotfest este ano passearam pelos clássicos da banda. O show do domingo (20), no entanto, foi voltado para o universo da banda em 1999, quando lançaram seu primeiro álbum homônimo. E o anúncio, de cara, já animou os fãs que queriam tanto reviver cada pedacinho daquela época.
O setlist começou com “(sic)” levantando a galera. Em seguida, passou por “Eyless”, “Wait and Bleed”, “Liberate”, “Spit It Out” e “Surfacing” ao final (setlist completo no final do texto). Não dá pra representar em palavras a energia desse show. O público ensandecido, abriu inúmeras rodas como verdadeiros redemoinhos em cada ponto do Allianz Parque.
O vocalista Corey Taylor conversou bastante com o público e agradeceu inúmeras vezes o amor dos brasileiros. Em termos de performance, no geral, a banda não decepcionou em nenhum momento entregando um show impecável e do jeito que os fãs queriam.
Além disso, a apresentação ainda trouxe a carga da estreia do baterista Eloy Casagrande (ex- Sepultura) tocando pela segunda noite seguida com o Slipknot no Brasil. E foi muito bem recebido, já que nem se ouviu o nome da banda vindo da plateia. O tempo inteiro, o público gritou mesmo foi o nome dele. Afinal, aqui no Brasil, o Slipknot já virou a banda do Eloy.

Black Pantera: da base ao topo
Mesmo com pouco tempo, o Black Pantera conseguiu explorar os grandes momentos de seu show habitual. Afinal, teve “roda das minas” e mosh generalizado da galera que curtiu os maiores sucessos da banda. Isso porque o set foi desde as famosas como “Fogo nos racistas” até as mais recentes e emocionantes como “Tradução”.
O impacto sonoro do Black Pantera ao vivo é inegável e isso só mostra o motivo pelo qual eles têm sido cada vez mais considerados em grandes eventos. E, sobre isso, eles ainda comentaram o fato de alguns anos atrás serem a primeira banda do dia no lineup do Knotfest e, dessa vez, serem a última antes da banda principal. Olhos abertos, porque eles ainda irão muito longe.
Bad Omens: icônico em todos os detalhes
Sem dúvidas, o show mais icônico da noite! O Bad Omens chegou com poucas palavras, mas levando o público ao delírio com um espetáculo de luzes, imagens e efeitos especiais. Afinal, quem acompanha o Bad Omens sabe o quanto eles priorizam essa experiência nos shows e não decepcionaram.
Nisso, os mini paineis verticais no palco viram prédios, viram estrelas e viraram a cabeça dos fãs, que cantaram sem parar e ainda fizeram parte do show com as lanternas dos celulares acesas. A banda desfilou hits de suas mais diversas eras, desde a fase mais metalcore até a atual com ares eletrônicos.
Eles passearam por “Concrete Jungle”, “V.A.N” – com a participação da Poppy, que tocou mais cedo no festival – além das celebradas “Glass houses” e “Just pretend” numa interpretação emocionante. Esse era um dos shows mais esperados e, certamente, vale muito a pena ser visto mesmo que você não seja fã da banda.

Ego Kill Talent: energia e muito para compartilhar
A banda Ego Kill Talent deu tudo de si em seu show no Knotfest Brasil, algo que deu pra notar pelas palavras da vocalista Emmily Barreto. Ela comentou a emoção de subir ao palco do festival e caprichou nos berros pra conquistar a galera. Não faltou energia vinda do palco, mas o show foi, no geral, um pouco morno.
Talvez pela escolha do setlist, que começou enérgico, mas que emendou músicas um pouco mais lentas. Eles quiseram mostrar mais das composições novas, mas a vibe acabou não conquistando tanto assim. Saíram aplaudidos, mas literalmente ofuscados pelas luzes do Bad Omens que já estavam em teste no palco.
Till Lindemann: fetichista e insalubre
O alemão, que é primordialmente conhecido por sua banda Rammstein, inundou o palco de vermelho em sua ousada apresentação. O setlist foi recheado de suas músicas autorais e com direito a um cover: “Entre dos tierras (Héroes del Silencio cover)”. Mas, como não poderia deixar de ser, o que mais chama a atenção no Till Lindemann, além de sua voz grave, é a performance.
Ao fim de cada canção, Till largava o microfone no chão e isso explicava a quantidade enorme de microfones distribuídos pelo palco. Haja microfone! Já os integrantes da banda chamaram a atenção pelas roupas e performance sensuais (das mulheres), enquanto o baterista permaneceu o show inteiro com um suporte que mantinha seus dentes à mostra.
Com um show que busca chocar pelo “creepy” e com músicas que abordam temáticas fetichistas, Till Lindemann conseguiu levar muitos fãs ao Knotfest para vê-lo, mas acabou mesmo deixando a dúvida se sua equipe ganha ou não adicional de insalubridade.
Seven Hours After Violet não fugiu das raízes
Seven Hours After Violet é um novíssimo projeto do Shavo Odadjian, baixista do System of a Down, e que apareceu de última hora no lineup do Knotfest. Eles conseguiram chamar a atenção do público com o vocal poderoso de Taylor Barber e até abriram algumas rodas.
Porém, a banda mal começou sua trajetória e conquistou mesmo o público quando tocou um cover do SOAD (Prison song) com o músico convidado John Dolmayan, baterista do System of a Down. Vale lembrar que a banda abriu, no dia seguinte, o show da banda Babymetal em seu show solo em São Paulo.

Babymetal: que show da Xuxa é esse?
O metal fofo invadiu o Knotfest com as japonesas do Babymetal, que já abriram com a música “Babymetal death” pra mostrar que também são rainhas do metal. O estilo delas passeia muito pelo groove e, assim, traz uma sonoridade ritmada que combina bastante com os vocais típicos japoneses.
E, nisso, elas apresentaram diversos clássicos como “Ra ta ta”, “Gimme chocolate” e “Karate”. Apesar de alguns detalhes técnicos terem prejudicado a apresentação, o público delas, que estava da pista às arquibancadas, não desanimou e empolgou bastante durante todo o show.
Um detalhe que vale mencionar é a grande quantidade de crianças e pré-adolescentes presentes acompanhados dos pais. A garotada imitava as coreografias e vibrava com cada palavra que as garotas diziam. Um verdadeiro show da Xuxa encapetado. E isso é muito legal de se ver, afinal é o futuro do gênero que vive.
Mesmo estando na ativa já faz algum tempo, só agora o Babymetal vem recebendo mais atenção, mas, não à toa, elas lotaram mais um show em plena segunda-feira em São Paulo. É pra atentar ou não é?
Korzus: tradicional em diversos sentidos
Uma das bandas mais clássicas do metal brasileiro subiu ao palco do Knotfest com um show bem direto ao ponto. O Korzus mandou todas as suas clássicas e agradou o público que já está bem habituado com eles. Nisso, o show contou com “Guilty Silence”,”Raise Your Soul”, “Truth” e o mega clássico “Correria” para fechar.
A banda já é figurinha carimbada nos eventos de rock e metal de São Paulo, afinal são 40 anos de estrada. O show, no geral, traz boas performances, mas é sempre previsível, apesar de bom.
P.O.D: uma injeção de nostalgia
O que se ouvia do público sobre o show do P.O.D era o quanto eles ativaram a nostalgia de todo mundo. E não é pra menos, afinal a banda é uma das mais icônicas do nu metal e fez parte, ainda que involuntariamente, da vida do roqueiro brasileiro.
Mas eles têm muitas coisas novas pra mostrar e, nesse show não foi diferente. Vieram canções atuais, mas também muitos clássicos. Nisso, rolou “Drop”, “Set It Off”, “Boom”, “Southtown”, “Youth of the Nation” e “Alive”.
Papangu: complexo e confuso
A banda mistura uma série de influências que vão desde referências nordestinas até o progressivo e o metal. Mas, apesar do trabalho complexo e super criativo, a Papangu deixou o público um pouco confuso e isso também se refletiu na performance no palco. Houve quem gostasse e quem desgostasse, mas certamente, eles não passaram despercebidos.

Poppy: da internet para os palcos
A cantora, famosa inicialmente por suas performances na internet, tem uma base fiel de seguidores no mundo e no Brasil. Ela representa bastante o som da atual geração que não tem medo de unir o metal ao pop. Assim, seu som passeia pelo industrial, pelo death e pelo pop e conquista especialmente pela estranheza. A apresentação no Knotfest não chamou a atenção do público de forma geral, mas vale lembrar que foi para poucas pessoas e ainda com alguns problemas técnicos.
The Mönic: Bitch, eu sou Incrível
Vindo de uma boa apresentação no Rock in Rio, a The Mönic segue com sua ideia de convidar novos artistas para agregar às suas apresentações. Dessa vez, a convidada foi a MC Taya na música “Bitch, eu sou Incrível”. Além dela, Yasmin Amaral (da Eskröta) também subiu ao palco para performar “TDA”. Elas abriram os trabalhos no Knotfest e contaram com rodas tímidas. Mas fique de olho, pois essa banda já tem sido uma das mais comentadas do novo cenário rock brasileiro.

Sobre a estrutura do Knotfest Brasil 2024
Havia muita expectativa de como seria a estrutura de um festival no estádio Allianz Parque, isso por causa da lembrança recente e caótica do festival I Wanna be Tour no Rio de Janeiro. Um dos maiores medos era a tempestade que estava prevista para o final de semana em São Paulo e que foi um item que causou transtornos e até mesmo a morte de uma pessoa no festival emo referido.
A chuva, no fim das contas, veio em pouco volume no sábado e, no domingo, nem deu as caras. Um problema a menos. A divisão de setores também foi outro ponto positivo do evento, pois a pista vip não era gigante e a pista geral era única, sem subdivisões. Assim, mesmo quem chegou mais tarde pôde acompanhar os shows a uma boa distância e até se aproximar do palco se quisesse. Essa divisão também favoreceu as rodas, que rolaram aos montes em meio ao público.
Já sobre o fator hidratação, uma obrigação em todos os shows de grande porte atualmente, o Knotfest cumpriu não tão bem. Isso porque, a água estava disponível, mas era de difícil acesso. O dia frio, no entanto, não tornou isso um prejuízo. Já a parte de consumo pago aconteceu via cartão da empresa Zig. E funcionou no esquema de comprar o cartão por R$7 e devolvê-lo ao final do evento em troca de um copo de água. Mas alguém recebeu a água? Não foi o que presenciei.
Mais um ponto positivo foram os banheiros, já que os internos estavam todos abertos e disponíveis para qualquer pessoa em qualquer setor do show. Estavam limpos durante todo o evento e as filas eram pequenas. Logo ao lado, ainda tinha uma área de fumantes para quem quisesse dar um tempo e, nas arquibancadas, a área de descanso para quem estivesse na pista.
Além disso, outro fator que contribuiu para a boa experiência foi o Museu do Slipknot, onde os fãs podiam ver objetos originais da banda, incluindo de ex-integrantes como do falecido baterista Joey Jordison.
Volta e meia, víamos alguém passando mal e a equipe de atendimento correndo para ajudar, mas nada além do comum. Em termos gerais, o fato de o evento não ter dado sold out pode ter contribuído para que tudo tenha corrido bem e de forma tranquila. A experiência foi super válida.
Quer saber mais sobre os artistas brasileiros que tocaram no Knotfest também no dia 19 de outubro? Então, assista ao vídeo do canal do Jardim Sonoro que comenta todos os destaques da edição de 2024 do Knotfest Brasil.
Setlist Slipknot – 20 de outubro
(sic)
Eyeless
Wait and Bleed
Get This
Eeyore
Tattered & Torn (Sid Wilson remix)
Me Inside
Liberate
Frail Limb Nursery
Purity
Prosthetics
No Life
Only One
Encore:
Mudslide
Spit It Out
Surfacing
Scissors





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