Juntamente com seu trio icônico, Shawn James mostrou grande conexão com o público em um espetáculo que demonstrou o poder da música.

São Paulo não estava preparada para o show poderoso de Shawn James no último dia 11 de outubro no Carioca Club. O show, que sucedeu uma intensa tempestade, teve um setlist emocionante, uma banda que transbordava energia e um público que levou seus chapéus e sua paixão ao máximo. Elementos que fizeram deste um grande candidato a um dos melhores shows de rock do ano.

O show começou com um breve atraso, já que – pouco antes – uma intensa tempestade vinda de um ciclone extratropical atingiu a cidade causando diversos transtornos. Mas a espera valeu a pena, pois o espetáculo foi um verdadeiro momento de êxtase entre banda e público. Shawn James desfilou sucessos em um setlist que passeou entre o elétrico e o acústico com direito a músicas autorais e seus aguardados covers.

Repertório elétrico esquentou o público

O set começou esquentando o público com músicas que passeiam por diversas eras da carreira de Shawn James como “Six Shells”, “The Curse of the Fold”, “The Stones Cried Out” e “The Thief and the Moon”. E esse era só o começo de um show extremamente enérgico e de uma conexão surpreendente.

Eram gritos, aplausos e muita paixão vinda de uma plateia que acompanhava com seu chapéu a intensidade da música e cantava a plenos pulmões. Já do lado do palco, os músicos davam tudo de si e entoavam cada pedacinho das canções de olhos fechados. Era como se cada um, mais do que tocar, sentisse o poder de cada palavra e a transbordasse.

Em certo momento, Shawn James comentou: “o show do ano passado em SP tinha sido o melhor pra mim, mas acho que este agora é o melhor”. Uma fala que corrobora com o que ele comentou em entrevista ao Jardim Sonoro meses atrás. Segundo ele, “a paixão e a energia do público brasileiro é algo muito especial, que nos deixa lisonjeados”.

Mesmo com um repertório lento, em alguns momentos, a energia e a troca intensa entre público e banda são o que mais impressiona no show. Como pudemos ver na execução de “I Want More” e “Pendulum Swing”. Logo em seguida, Shawn James relatou sobre um dia em que estava sentado num bar e escreveu uma música sob a perspectiva de uma bruxa. 

Um dos muitos personagens que deram vida ao seu novo álbum Honor & Vengeance (2023). A canção era “Burn the Witch” e realmente incendiou o público antes do set acústico. Shawn aproveitou, também, para fazer um brinde com uma dose de cachaça e celebrar a proximidade do Halloween.

Bloco acústico trouxe histórias e muita emoção

O bloco acústico começou com Shawn sendo acompanhado por seu baixista Zack Sawyer, tocando violão, na música “Muerte mi amor”. Esta que também é parte de seu mais recente álbum e que dá nome a atual turnê.

Daí em diante, Shawn assume o violão e protagoniza um momento super intimista com o público. Ele toca sozinho no palco e compartilha suas histórias de vida que deram margem para suas canções. Ele falou sobre o câncer de sua irmã, sobre a morte de amigos, sobre depressão e seu descontentamento com a vida.

E, nisso, ele aproveita para incluir músicas de outros artistas que trazem sentimentos significativos para ele, como “That’s Life” do Frank Sinatra. Ainda no bloco acústico, Shawn James cantou “The Guardian (Ellie’s Song)”, “The Number of the Beast (Iron Maiden)”, “Midnight Dove” e “Through the Valley”: a música que fez parte do jogo The Last of Us e que popularizou seu trabalho no mundo todo.

Covers, simpatia e celebração com cachaça

Na volta do set elétrico, uma energia ainda mais intensa tomou conta do Carioca Club. A banda celebrou com cerveja, vinho e muita cachaça. Sage Cornelius, violinista da banda, largou o chapéu, soltou o cabelo e assumiu uma figura ainda mais encapetada. Ele, certamente, fez a festa do público com sua expressividade e performance tocando um violino distorcido e esbanjando simpatia.

Então, para este bloco, Shawn James e sua banda tocaram o cover de “Ain’t No Sunshine (Bill Withers)”, “Flow”, a emocionante“The Wanderer” e a explosiva “No Blood From a Stone”. Além do belíssimo cover de “Like a Stone”  do Audioslave.

E teve mais brinde com cachaça, que Shawn aproveitou para dar na boca de cada integrante da banda e fazer o público ir ao delírio.

Rock and roll, magia e stage diving

O que você espera de um show de folk? Muitos violões e músicas para embalar a emoção, correto? Correto. Mas um show do Shawn James vai além disso. Suas influências do rock, blues e metal não passam despercebidas. Canções como “Hellhound” e “Haunted” não nos deixam mentir.

“Chapter II: Hunger” fechou a noite e lavou a alma de um público que estava em êxtase. E ainda teve uma última grande surpresa, quando Sage partiu em um inesperado stage diving para sacramentar a forte conexão entre banda e público. Afinal, o show é uma explosão de sentimento, repleto de rock and roll e envolto numa aura quase mágica capaz até mesmo de dissipar tempestades. Com certeza, um dos melhores shows do ano.

Setlist

Dust to Dust

Six Shells (The Outlaw’s Anthem)

The Curse of the Fold

The Stones Cried Out

The Thief and the Moon

Eating Like Kings (dedicated to Baker (Gravedancer), who wrote the song, and to all of the fighters in the army)

I Want More

Pendulum Swing

Burn the Witch (Proceeded by band and crew introductions)

Orpheus

Acoustic

Muerte mi amor

That’s Life (Frank Sinatra cover)

The Guardian (Ellie’s Song)

The Number of the Beast (Iron Maiden cover)

Midnight Dove

Through the Valley

Electric

Ain’t No Sunshine (Bill Withers cover)

Flow

Like a Stone (Audioslave cover)

The Wanderer

No Blood From a Stone

Encore:

Bad Moon Rising (Creedence Clearwater Revival cover)

Hellhound

Haunted

Chapter II: Hunger (Shawn James & The Shapeshifters song) 

Leave a Reply

Trending

Discover more from O Jardim Sonoro

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading