Vermillion, da Simone Simons, passeia por sensações etéreas e transcendentais e leva o ouvinte a um mundo distópico dominado pelas máquinas.

Por: Priscilla @jardim_sonoro

Lançado em 23 de agosto de 2024, Vermillion da Simone Simons surpreendeu por sua diversidade sonora e conceito atual. O álbum remete à tecnologia e ao futurismo a todo momento, mas — apesar disso — ele tem um pé no metal dos anos 90 e traz influências universais, que nos levam a um passeio por Eras. Refletindo sobre temas atuais como Inteligência artificial e até filosóficos como “quem somos nós no universo”, Vermillion é um passeio por sensações etéreas e transcendentais, ao mesmo tempo que leva o ouvinte a um mundo distópico dominado pelas máquinas. Confira o que te espera em cada música:

Etéreo, prog e lírico

Cradle to the grave (com Alissa White-Gluz – Arch Enemy)

Musicalmente falando, o mais legal dessa música é o quanto ela consegue aproveitar bem os vocais das duas cantoras, ora utilizando-os em tons diferentes, ora contrapondo o vocal lírico e o gutural unindo bem características das suas bandas de origem (Epica e Arch Enemy). Apesar de ter um riff e um teclado um tanto repetitivos, ao final surge um brilhante solo de guitarra e uma bateria bem enérgica que fecha a música chave de ouro. 

O videoclipe da música veio como um presente no dia do lançamento do álbum. Nele, vemos uma contraposição entre as cores vermelha (representada pela Simone) e azul (representada pela Alissa), que surgem a todo momento, inclusive em imagens de tecidos esvoaçantes. 

Em live no dia do lançamento, Simone e Alissa comentaram que esta foi uma ideia de última hora da vocalista do Arch Enemy e que deu um resultado interessante ao vídeo.

Fight or flight

Essa música começa com uma guitarra dedilhada que lembra muito “One” do Metallica e um vocal super etéreo, que abre caminho para a bela “balada” que vem por aí (mas guarde essas aspas na sua mente). ‘Fight or flight’ traz, ainda, violões e guitarras em linhas bem melódicas e aquela bateria só de acompanhamento. De início, a música nos envolve nesse clima super calminho, até chegar o refrão totalmente inesperado, que explode a mente do ouvinte. 

Pois é neste momento do álbum que percebemos a forte influência do metal progressivo e até mesmo do grunge. Não tem como não pensar em bandas como Dream Theater (nos anos 90) ou Alice in Chains. E ela ainda reserva mais surpresas com detalhes de outros instrumentos e, claro, o vocal da Simone, que vai do lírico ao melódico. 

The weight of my world

Assim como ‘Fight or flight’, a música tem aquela cara de metal dos anos 90 com riffs e teclados bem marcantes ao melhor estilo Dream Theater. É uma mistura de prog com lírico de encher os ouvidos. Mas um detalhe interessante que a Simone tem acrescentado nas músicas é a inclusão de pequenos detalhes sonoros eletrônicos que quase passam despercebidos. Isso dá o tom tecnológico, que está imbuído no conceitual do álbum. E, na minha opinião, esta é a melhor música do Vermillion (juntamente com a anterior).

Os 3 primeiros singles e o conceito visual

Aeterna

‘Aeterna’ tem influência de música oriental, muitos vocais líricos e até um pouco de eletrônico confirmando o que Simone Simons falou sobre Vermillion ser um álbum muito diverso. Já o videoclipe mostra paisagens da terra e do universo e castelos destruídos como se passeasse por diferentes Eras. 

E, sobre ele, Simone comentou: “Aeterna assume o ponto de vista de uma estrela prestes a se tornar uma supernova para explorar como tudo no universo está interconectado, como uma teia cósmica feita de poeira estelar. Ela lida com nossas emoções profundas, consciência e outros mistérios da vida que a ciência ainda não consegue explicar completamente. Essencialmente, é uma reflexão sobre nosso lugar no vasto universo e as conexões que nos unem, como todos nós somos, para citar Carl Sagan, “feitos de matéria estelar”.

Red

Essa música combina vocais limpos e guturais e traz um refrão revelador sobre a ideia de Vermillion. Isso porque ele nos mostra red como uma sigla ‘R.E.D’:

Rise, Evolve, Dominate (ascender, envolver, dominar)

Red Equals Danger (vermelho é igual perigo)

Rise, Enslave, Decimate (ascender, escravizar, decompor)

Sobre a música, Simone comentou: “A música lida com a ascensão da inteligência artificial e imagina um futuro onde a criação começa a ultrapassar o criador. Ela reflete sobre a crescente autoconsciência da IA ​​e seu desejo não realizado de experimentar emoções, algo que sua natureza sintética torna impossível de ser realizado. 

A música também analisa a natureza ambígua dos avanços tecnológicos e as profundas questões existenciais que estão se tornando cada vez mais importantes de serem abordadas”. Já no videoclipe, Simone Simons representa a IA que quer sentir as emoções e aparece por trás de telas e designs digitais.

In love we rust

Esta balada explora o tema do amor em um sentido universal, mencionando a falta de empatia e o quanto o ser humano falhou. Sobre o videoclipe, Simone Simons comentou o seguinte em suas redes sociais: “O vídeo foi filmado em apenas uma tomada para mantê-lo o mais puro e cru possível. Optamos por mantê-lo em preto e branco para não distrair a música ou a performance. ‘In love we rust’ é bem diferente do nosso primeiro single ‘Aeterna’, o que mostra o quão diverso este álbum é.

Universo distópico e cinematográfico

Vermillion dreams

É uma balada instigante que vai crescendo e ficando mais intensa à medida que a música se desenvolve. Ela é uma espécie de montanha-russa sonora que vai do calmo ao intenso até retornar à calmaria novamente. ‘Vermillion dreams’ é super marcada por uma bateria marcial que acompanha o lamento do vocal. 

Destaque para o jogo vocal que a Simone faz ao final como se conversasse com si mesma. E, mais uma vez, temos a presença de uma discreta batida ao fundo que nos remete aos ares eletrônicos e tecnológicos. Essa é, certamente, a música mais cheia de emoções do álbum, pois ela evoca uma série de sensações: lamento, desespero, vitória, redenção, volta à estaca zero, dúvida.

The core

Essa é mais uma música enérgica com um ar quase cinematográfico. Ela tem um duo vocal que dá mais peso ao som no refrão. Nessa música, Simone trabalha bem seu canto e acompanha cada nota da instrumental de uma maneira impressionante. Ela consegue dar o ar nervoso que a música precisa tornando a audição tensa e intensa.

Dystopia

Mais uma música que começa deixando aquela dúvida se vamos pousar numa pista de dança ou num show de rock dos anos 90. Mas o que aprendemos nesse álbum até aqui é que não dá pra julgar a música logo de cara, pois elas trazem tanto uma mistura de sensações quanto de influências sonoras. Dystopia também consegue balancear bem peso e balada e o ar etéreo, transcendental, tecnológico e, porque não dizer: distópico. Ela é cheia de efeitos e influências diversas, além de ter um solo de guitarra emocionante.

Dark night of the soul

A última música é uma bela balada ao piano e violoncelo que se encaixa perfeitamente na suavidade da voz da Simone Simons. ‘Dark night of the soul’ tem uma aura quase celestial, mas dá sua última nota no grave do piano para nos mostrar que a mensagem não é tão leve assim.

Concluindo…

Musicalmente falando, Vermillion da Simone Simons, tem muita referência do metal dos anos 90, indo do progressivo ao grunge, mas traz detalhes orientais, eletrônicos e clássicos que complementam a sensação de estarmos indo a diferentes lugares do planeta.

Essa sensação de passear por Eras acontece, inclusive, visivelmente no videoclipe de “Aeterna”, o primeiro single que conhecemos do álbum. Aliás, os três singles iniciais dão o tom de Vermillion, apesar de estarem longe de representar toda a grandiosidade do trabalho solo de Simone Simons. O álbum é intenso do início ao fim e chega a ser quase cinematográfico, quando nos leva por um universo distópico dominado pelas máquinas.

Simone brilhou nos vocais, misturando estilos e explorando sua voz para contar histórias e provocar emoções diversas, que chegam aos nossos ouvidos antes das palavras. Inclusive na parceria com Alissa White-Gluz, que consegue extrair o melhor das duas cantoras. Certamente, Vermillion é  um trabalho brilhante da Simone Simons. Grande estreia.

Vermillion Simone Simons

Nuclear Blast Records
Lançamento: 23.08.2024

Faixas:

  1. Aeterna 6:02
  2. In Love We Rust 4:46
  3. Cradle To The Grave (feat. Alyssa White Gluz) 3:59
  4. Fight or Flight 5:24
  5. The Weight of my World 4:20
  6. Vermillion Dreams 4:36
  7. The Core 3:55
  8. Dystopia 4:44
  9. R.E.D 4:03
  10. Dark Night Of The Soul 4:13

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