Nesta entrevista, Andrew Craighan, guitarrista do My Dying Bride, falou sobre A Mortal Binding, as loucuras dos brasileiros, o período de pausa da banda, o impacto das letras e muito mais.
A banda My Dying Bride é um ícone do doom/death metal no mundo e acabou de lançar seu 15° álbum de estúdio: A Mortal Binding. E, para saber mais sobre este lançamento, O Jardim Sonoro conversou com o guitarrista Andrew Craighan, que falou, ainda, sobre seus sentimentos com relação à obra da banda e os fãs.
O novo álbum do My Dying Bride veio depois de dificuldades. Desde a batalha contra o câncer da filha do vocalista Aaron Stainthorpe (em 2017) até a pandemia, muitos foram os momentos que a banda precisou parar. Nesse meio tempo, o grupo ainda lançou dois álbuns, mas permaneceu abalado pelos percalços.
Sobre esse assunto e sobre como esse momento influenciou no novo trabalho do My Dying Bride, Andrew revelou:
Isso me permitiu ajustar algumas ideias musicais que eu vinha tendo desde ‘Feel the Misery’ (2015), o álbum que fizemos alguns anos atrás. E essas ideias acabaram não entrando em ’The Ghost of Orion’ (2020), porque eu não consegui fazê-las funcionar. Assim, a pausa que tivemos me permitiu analisar tudo melhor. Eu sentei e pensei: ‘esses riffs estão muito errados’. Mas eles só precisavam ser reescritos.
Algo que se refletiu em A Mortal Binding, que foi lançado em abril deste ano, e trouxe a já reconhecida atmosfera densa e as letras cortantes da banda. Mas, apesar de ser mais refinado em termos de estrutura, o novo álbum do My Dying Bride é igual em essência. São pequenos detalhes de ambientação, na harmonização dos vocais e dos instrumentos isoladamente, que geram o diferencial.
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Mas a fórmula essencial da banda permanece e é isso o que impacta diretamente os fãs. Afinal, segundo Andrew Craighan, mesmo que a internet tenha deixado as pessoas menos interessadas e com menor capacidade de atenção, os fãs do My Dying Bride permanecem iguais.

No entanto, ele reforça que sempre se surpreende com comentários destes sobre suas músicas. O assunto surgiu quando Andrew foi questionado sobre o poder de influência de sua obra na vida dos fãs, que relatam o quanto o My Dying Bride os ajuda em momentos de depressão e tristeza.
Em resposta, o guitarrista disse que “nós entendemos a música de outras pessoas mais do que entendemos a nossa”. E que ela é capaz de ser tanto uma mera distração quanto um elemento de ajuda em momentos difíceis.
Apesar de o criador (das músicas), muitas vezes, não ser capaz de perceber que tudo isso está acontecendo. E, então, ele resume seu pensamento dizendo:
Nossa música parece ser mais poderosa do que nós
Ainda sobre os fãs, Andrew Craighan comenta sobre um fato inusitado em sua visita ao Brasil anos atrás. Segundo ele, os membros da banda foram praticamente atacados ao saírem de um van. No susto, ele disse ter achado que as pessoas tinham visto Os Beatles ou Os Rolling Stones e que foram aconselhados a saírem de onde estavam para evitar problemas.
Na conversa Andrew Craighan ainda falou sobre processo criativo na era digital e a possibilidade de criar músicas sem nenhum instrumento, ao que ele chamou de “criatividade comprimida”. Além de mencionar as dificuldades nas gravações de videoclipes das bandas. Veja a entrevista completa no canal dO Jardim Sonoro.
SOBRE MY DYING BRIDE
Com seu som característico, moldaram a cena do doom metal como poucas outras bandas e integraram tanto melodias suaves de violino quanto rugidos violentos de death metal em sua música, enquanto sempre permaneciam estritamente leais a si mesmos.
E desde o início dos anos noventa, os mentores e membros fundadores da banda, Andrew Craighan e Aaron Stainthorpe, forjaram belas tristezas em álbuns de estúdio com músicas de duração épica.
À medida que My Dying Bride ultrapassa seu 33º ano de existência, eles estão envelhecendo graciosamente, permanecendo tão vitais e comoventes como sempre.
A flor murcha mais uma vez no próximo novo álbum de estúdio do My Dying Bride, A Mortal Binding, que foi lançado hoje, no dia 19 de abril de 2024.

My Dying Bride é:
- Aaron Stainthorpe | vocais
- Andrew Craighan | guitarras
- Lena Abé | baixo
- Shaun MacGowan | teclados/violino
- Neil Blanchett | guitarras
- Dan Mullins | bateria





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