Performance impecável e restrição ao uso de celulares marcaram a apresentação da banda Placebo, em São Paulo, que focou no último álbum Never Let me Go e em sua mensagem.
A turnê Never let me go do Placebo passou por São Paulo no último dia 17/03 no Espaço Unimed com um setlist fiel ao novo álbum. Em um show que oscilou entre super enérgico e quebras bruscas de empolgação, o Placebo levou ao palco a sua essência: eletrônica e dançante, porém melancólica e reflexiva. A começar pelo pedido para que os fãs não usassem os seus celulares durante o show.
E essa ausência dos aparelhos visivelmente se refletiu no espetáculo, já que o público contou com mãos livres para bater palmas ou simplesmente jogá-las para o ar nos levando à nostálgica sensação de shows antes da era dos celulares.
As luzes com cores intensas, que piscavam incessantemente, assim como os telões que reproduziam a imagem da banda sob efeito de glitch, complementaram o ar enigmático da apresentação. Pronto, estava moldado o ambiente ideal para um show do Placebo. Mas, olhando com calma, há muito mais o que pontuar.
Setlist fiel à turnê Never Let me Go
O setlist do Placebo em São Paulo contou com praticamente todas as músicas do novo álbum, além de encaixar algumas canções de trabalhos dos anos 2000 em diante. Isso quer dizer que, para quem foi em busca de saudosismo, foi ao lugar errado. Afinal, abaixo desta década, apenas “Bionic”, de 1996, foi incluída.
Já próximo ao final do show houve um bloco que contou com “Exit Wounds” (Loud like love 2013), “For What It’s Worth” (Battle for the sun 2009), “Slave to the Wage” (Black market music 2000), “Song to Say Goodbye” (Meds 2006), “The Bitter End” (Sleeping with ghosts 2003) e “Infra-red” (Meds 2006) (Black market music 2000).
Enquanto o bis trouxe as aguardadas “Taste in Men”, “Fix Yourself” e o cover de Kate Bush “Running Up That Hill (A Deal With God), que já é figurinha carimbada em todos os shows.

No geral, o setlist intercalou momentos de muita energia e quebras bruscas de empolgação. Mas, vale mencionar a verdadeira explosão do público ao ouvir os primeiros acordes de “The bitter end” e o coro que se formou durante a performance de “Beautiful James”.
Além disso, “Too Many Friends” também embalou o público e contou com a belíssima atuação de Stefan Olsdal em um piano branco.
Detalhes da performance do Placebo
Alguns detalhes chamaram a atenção na performance do Placebo em São Paulo como o grande set de instrumentos e a atuação impecável da dupla e sua banda. Isso porque, a cada música, Brian Molko e Stefan Olsdal trocavam de instrumento de forma ágil e sem deixar o show parar.
Como já dito, Stefan até mesmo utilizou um piano branco para um bloco do show tornando a performance ainda mais mágica e especial. Além disso, é imprescindível mencionar a banda de apoio, que contou com Bill Lloyd (guitarra), Nick Gavrilovic (sintetizador, guitarra e backing vocal), Matt Lunn (bateria) e Angela Chan (teclado e violino).
Seria impossível alcançar o impacto sonoro do Placebo sem a banda de apoio. Pois, ao vivo, a sonoridade cresce e toma conta do lugar ao juntar as batidas eletrônicas e as distorções comuns ao rock. Outro ponto a ser mencionado é a voz do Brian, que permanece intacta e acompanhando com louvor a longevidade da banda.

Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Espaço Unimed e Mercury Concerts.
A proibição dos celulares
O novo trabalho da dupla Brian Molko e Stefan Olsdal (Never Let me Go – 2022) começou a ser criado na pandemia, quando conhecemos “Beautiful James”. Ele foca especialmente em temas como saturação tecnológica e catástrofes climáticas. Expressando, assim, um pouco da essência da banda em tocar sempre em temas delicados.
Dessa maneira, pensando pelo ponto de vista da crítica aos excessos da tecnologia e até mesmo no fato de que o uso do telefone pode realmente estragar a experiência de outras pessoas, faz total sentido que a banda Placebo fizesse tal pedido.
No entanto, no recado divulgado nos telões e em cartazes pelo Espaço Unimed, a justificativa (além do respeito com quem queria ver o show ao vivo e não pelas telas) era para que a banda pudesse buscar sua melhor performance e a conexão com o público.

Os fãs atenderam ao recado, usaram pouco o telefone e responderam cantando as músicas, inclusive as novas, batendo palmas, gritando e tudo mais. Mas não se percebeu tal retribuição da banda Placebo, que pouco interagiu com o público, expressou algumas poucas palavras e também não propôs outras formas de conexão offline como um Meet and Greet ou tarde de autógrafos.
Além disso, os seguranças estavam bem apostos e prontos para repreender qualquer movimento dos fãs que tentassem usar o telefone. E ok, regras são regras, mas a atitude dos seguranças soou um pouco excessiva e, até mesmo, opressiva. O que nos faz pensar se seria este o melhor caminho para conscientizar e passar uma mensagem sobre os males da tecnologia. Fica a reflexão.

Foto: Ricardo Matsukawa. Cortesia: Espaço Unimed e Mercury Concerts.
Alta performance, baixa reciprocidade
No geral, tecnicamente falando, a banda Placebo deu um show de organização e não deixou a desejar em nenhum minuto da performance. Eles conseguiram passar suas mensagens e preencher o lugar com seu som e sua estética, apesar de os telões laterais não terem sido pensados para exibir com nitidez para quem assistia de locais mais longe e terem sido desligados do meio até o fim da apresentação.
E, após 10 anos sem vir ao Brasil, o Placebo mostra que permanece crítico, reflexivo e abusando da dualidade entre energia e melancolia. Assim, a banda trouxe um show feito para fãs fiéis, que estão conectados com as suas ideias e novas produções. No entanto, pouco interagiu com o público, se revelando exigente de compreensão, mas com baixa reciprocidade a essa conexão.

Setlist Placebo em São Paulo
Forever Chemicals
Beautiful James)
Scene of the Crime
Hugz
Happy Birthday in the Sky
Bionic
Twin Demons
Surrounded by Spies
Soulmates
Sad White Reggae
Try Better Next Time
Too Many Friends
Went Missing
Exit Wounds
For What It’s Worth
Slave to the Wage
Song to Say Goodbye
The Bitter End
Infra-red (Meds 2006)
Bis:
Taste In Men
Fix Yourself
Running Up That Hill (A Deal With God) (cover de Kate Bush)





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