Sendo imersivo e altamente rico em detalhes, SoundScars mistura heavy metal e influências super diversas em seu álbum de estreia, Legacies.
Misturando heavy metal com influências que vão desde música clássica, folk até bossa nova e muito mais, SoundScars chega com seu álbum de estreia: Legacies. Um projeto grandioso, sonoramente rico e cheio de participações especiais que se uniram para contar histórias de legado e herança em suas mais variadas formas. Um belo trabalho que busca refletir sobre a humanidade e a vida que vivemos hoje.
Nesta entrevista, Rubem Barreto nos conta mais sobre o conceito de Legacies, detalhes das composições, da produção, das participações e de todo o universo imensamente criativo envolto no trabalho.
Legacies fala de herança em som e em palavras
Apresentando sua banda SoundScars, Rubem Barreto montou um trabalho pesado e conceitual para falar do legado que recebemos de nossos antepassados. Pois, segundo ele, “Nossa existência é cercada por inúmeras formas de heranças: genéticas, materiais, impactos diretos ou indiretos em nossas vidas”.
Assim, dentro de seu conceito, o álbum Legacies “trata desde a herança genética que se manifesta através da loucura, psicose e esquizofrenia, até os legados deixados por povos antigos ou ainda vidas passadas; fala de heranças malditas como a destruição do planeta e da cultura e o inegável legado da pandemia de covid-19”.

E isso não é uma história contada apenas pelas vozes e letras das músicas, já que a sonoridade de Legacies foi toda trabalhada para fazer o ouvinte imergir totalmente nelas a partir de ambiências. Rubem diz:
As músicas que tratam de loucura, por exemplo, tivemos que colocar inúmeras vozes, backing vocals em diferentes direções, como vozes dentro da cabeça. A música da canibal tem sonorizações e ambiências de filme de terror na parte clean, além de linhas vocais não lineares com interpretações bem características sugerindo uma personagem fora de si, falando sozinha, ou com o cadáver.
O disco está repleto de ambiências… As músicas sobre a destruição amazônica e sobre o folclore trazem sons da floresta (pássaros, rios, povos originários). No caso das vidas passadas, trago mais explicitamente na letra em si onde a pessoa apenas encontra a paz após sessões de regressão e hipnose.
Do folk à bossa nova, mas também heavy metal
Um dos grandes diferenciais do Legacies da SoundScars é certamente a riqueza sonora, já que o trabalho traz referências extremamente amplas. As influências de outros estilos musicais passam pelo folk, clássico, bossa nova, música étnica, samba e tudo envolvido em som rock e com elementos de heavy metal.
Quando questionado sobre qual foi a ideia primordial: fazer um álbum de metal com influências de outros estilos ou criar um álbum que pode ser considerado de gênero misto, Rubem respondeu:
Gente, você já resumiu muito bem! Risos. Tento não ficar preso a um estilo. Sim, gosto de heavy metal, é meu estilo que tanto amo. Mas por que não beber de outras fontes? Onde está escrito que não podemos trazer elementos percussivos do samba, por exemplo? Angra e Sepultura são ótimos exemplos de onde isso deu muito certo. Mas, ainda sim, considero um álbum de heavy metal clássico com elementos de outros estilos.

O músico por trás do conceito
SoundScars é um projeto pessoal de Rubem Barreto, que é guitarrista e também atua na banda carioca Lynx the Revenge. Ele explica que o nome SoundScars vem da ideia de “sentir a música”: “num âmbito mais filosófico, podemos dizer que a arte marca nossa alma, mudando nossa forma de enxergar o mundo. Se a arte marca nossa pele, a arte também deixa cicatrizes, não nos deixando ser mais os mesmos”. Daí a ideia do nome SoundScars ou “cicatrizes do som”.
JS: Você fala muito sobre sentir a música e o álbum é super rico em diferentes sonoridades e estilos. Qual foi a sua sensação ao ouvir o álbum finalizado e qual é a sua expectativa com relação a sensação dos ouvintes (como você espera que as pessoas se sintam?)
O álbum está soando muito bem; timbres de guitarra, bateria… Os riffs são bem marcantes, as melodias bem grudentas. A mixagem ficou um absurdo. Se escuta absolutamente todos os elementos incorporados. E olha que tem música com quase 60 tracks entre orquestra, sopros, percussão etc.
A verdade é que eu não queria um álbum que soasse apenas mais um álbum de metal tradicional… Queria surpreender as pessoas a cada compasso.
E que na segunda música as pessoas já não soubessem o que esperar e ficassem curiosas para saber que outras “surpresas” ainda estariam por vir. E espero que as pessoas fiquem com o sentimento de “já acabou? Quero mais!”
JS: Você tem uma grande bagagem como guitarrista e músico. Você escreveu para cada instrumento do álbum? Como foram as gravações além da guitarra?
Em linhas gerais, todas as composições são minhas, letras, melodias, linhas de guitarra e violão e a maioria dos solos. O resto foi composto e tocado pelo maravilhoso Celo Oliveira, meu produtor, com alguns pitacos meus. Eu trazia idéias, e o meu irmão Celo conseguia trazê-las à realidade, dar forma…
Eu me lembro bem de quando disse pra ele: cara, achei o som de chocalho que estávamos precisando! E importei os chocalhos direto do Atacama no Chile! Todo o álbum, todas as etapas, fizemos juntos: eu e o Celo. Apenas levei as guias para ele e, durante 10 meses, elaboramos cada detalhe que vocês ouvirão aí.

JS: Atualmente, você também participa de outra banda, o Lynx the Revenge, qual foi a motivação para criar um projeto só seu?
Sim, sou um dos fundadores da Lynx, onde sigo atuando como guitarra base e compositor. Entretanto, em um dado momento, começamos a produzir muitas novas composições e o ritmo de análise e produção da banda em conjunto é mais lento… Assim, comecei a sentir necessidade de gravar e colocar no mercado essas canções que precisavam ser ouvidas.
Um ótimo exemplo disso é a música que trata da pandemia, composta em 2020… A pandemia acabou e ainda não tínhamos nem pego para ensaiar. Além do que já foi dito, me soltei mais para fazer coisas que não faço na Lynx, envolvendo linhas de orquestra, percussão, além de me aventurar em alguns solos de guitarra.
O real legado de Legacies está em sua construção
Legacies é o primeiro álbum do projeto SoundScars produzido por Celo Oliveira (Estúdio Kolera) e traz as diferentes colaborações nos vocais. Dentre elas estão Anna Porreca (ex-Lynx the revenge), Lorena Tato (ex-Dark Tower), Gabby Vessoni (Fleesh), Leandro Felício (Lynx the Revenge) e Vinicius Libania (Black Priest).
Com uma pegada pesada e conceitual, em suas 8 músicas, o álbum Legacies trata de diferentes manifestações possíveis de heranças e busca refletir sobre a humanidade e a vida que vivemos hoje.
Sobre as participações, é inegável que a bagagem de cada pessoa que participou tenha tido grande relevância para a sonoridade do álbum. Quando questionado sobre como se deu a escolha dos parceiros para participar do álbum e como eles levaram seu legado para este trabalho, Rubem afirmou:
Cara, todos grandes músicos e parceiros de vida. SoundScars é um projeto meu baseado em colaborações. Eu escolho vocalistas que acho que combinam com cada canção. Escuto mesmo o que cada música pede. Com o Leandro, Porreca e Celo eu já havia trabalhado junto em algum momento na Lynx. O Vinícius “the priest”, a Gabby e a Lorena é que eu ainda não havia trabalhado, mas já acompanho suas carreiras há algum tempo.
A partir desse projeto inclusive, convidamos a Lorena a assumir os vocais da Lynx recentemente. Por fim, o Wallace é meu mestre na guitarra e amigo pessoal há muitos anos. Me arrisco a dizer que o Wallace é um dos melhores guitarristas do Brasil. Cada um trouxe sua personalidade para as canções onde participou. Alterou as melodias para melhor, engrandecendo nosso trabalho. Sem eles, esse trabalho não teria a qualidade e maturidade que tem hoje.
Em seguida, Rubem comentou sobre o maior desafio de dar vida ao Legacies:
Sem dúvida pensar em todos os aspectos que envolve um lançamento bem feito; criar as músicas foi a parte mais fácil, por incrível que pareça. Arcar com todas as despesas, pensar em toda a divulgação, gerar conteúdo para as redes, produzir merchandising etc. E tudo isso sozinho! Está sendo, sem dúvida, um grande desafio. Mas reitero, me cerquei de pessoas muito queridas que estão fazendo esse trabalho ser menos difícil.
Onde ouvir Legacies do SoundScars
A partir de 11/03, a banda começará a revelar os lançamentos em videoclipe, a começar por Ancient Puzzle: “Posso adiantar que teremos clipes de todas as canções. Teremos bastante material de qualidade no nosso canal no YouTube, além, é claro, do álbum em todas as plataformas”.
No entanto, até o momento, não há previsão de apresentações ao vivo da banda, segundo comentou Rubem: “Temos uma longa estrada de divulgação e repercussão do trabalho desenvolvido.Sobre o futuro, eu sinceramente espero que o trabalho seja bem aceito pelos amantes do metal e do rock n roll. Posso adiantar que não sofro de crise criativa (risos), e já tem material novo sendo produzido. Tudo em fase muito inicial”
Enquanto isso, você já pode conferir o material que a banda tem compartilhado nas redes sociais e aguardar o lançamento do álbum Legacies, previsto para 22/04/24.
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